Josileia Kaingang, Betânia Santos, Elza Soares, Erika Hilton, Elizangela Baré, Mirtes Renata Santana de Souza, Luiza Batista Pereira, Ana Lúcia Martins, Maria das Graças de Jesus (Gracinha), Kátia Brasil, Valdelice Veron, Tainá de Paula, Patrícia Oliveira, Avelin Buniacá Kambiwá e Winnie Bueno/Arte: Beatriz Lago

Elas nos inspiraram em 2020

Postado em 01/01/2021, 16:03

A lista é composta principalmente por mulheres que foram entrevistadas ou escreveram para o Portal Catarinas durante o ano.

Neste início de 2021 queremos abraçar as mulheres que nos inspiraram no ano que passou. Não é exagerado dizer que 2020 foi dos anos mais desafiadores da vida de milhares de pessoas, especialmente mulheres, em todo o mundo.

A pandemia da Covid-19, para muitas de nós, impôs o isolamento social, o trabalho de casa, o acúmulo de tarefas do trabalho, da casa e de cuidado com filhas, filhos e familiares, além da angústia da morte e da doença causada por um vírus novo, que impôs desafios na busca de vacina e tratamento para a doença causada por ele. Para outras de nós, a pandemia impôs situações ainda piores: o desemprego, a fragilidade econômica, a violência doméstica, o desafio de sustentar relações e de manter a subsistência de si e de familiares. 

No entanto, as dificuldades deste cenário desolador também nos fizeram superar muitos limites e agir, por nós e por outras/os. Nesses momentos, grandes mulheres inspiradoras surgiram perante nossos olhos e nos deram esperanças de continuarmos na luta.

O Catarinas apresenta uma lista de quase 200 mulheres com base nas entrevistas realizadas durante o ano, nas sugestões de conselheiras editoriais e leitoras. Não se trata de uma lista competitiva, nosso objetivo é reunir essas mulheres para mostrar que #somosmuitas (em quantidade e diversidade) e podemos (e devemos!) valorizar e inspirar umas às outras.

Quem são essas mulheres inspiradoras (cis e trans) para você? Conte para nós nos comentários quem foi aquela que, apesar de tudo, encarou 2020 com coragem e te inspirou a fazer o mesmo!

Confira a lista!

Adriana Dias – doutora em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pesquisadora sobre os grupos nazistas no país.

Alessandra Korap Munduruku da aldeia Praia do Índio (Reserva Indígena), Município de Itaituba, no Pará – não se calou diante das atrocidades produzidas pelo processo histórico de genocídio. Ela contou a própria história em um discurso fora do Brasil para mais de 270 mil pessoas e foi contemplada com o prêmio Taz Panter Preis 2020, na Alemanha. A indígena também foi uma das ganhadoras do Prêmio Robert F. Kennedy de Direitos Humanos 2020 (EUA).

Alexandra Kohan – psicanalista, professora da Universidade Federal de Buenos Aires (UBA).

Alicia Edwirges – integrante do Coletivo Minervino de Oliveira.

Aline Covolo Ravara – relatou em artigo ao Catarinas como foi abusada sexualmente pelo padrasto na infância.

Aline Salles – integrante do Movimento Nacional da População de Rua Santa Catarina (MNPR-SC).

Amauê Jacintho, do Povo Guarani Nhandeva – deu encaminhamento às denúncias registrando o boletim de ocorrência em defesa das mulheres Xetá, Guarani e Kaingang agredidas no Paraná.

Anahi Guedes de Mello – antropóloga, doutora em Antropologia Social da UFSC, atua nos movimentos sociais de pessoas com deficiência e LGBTI+. Pesquisadora colaboradora do Núcleo de Estudos sobre Deficiência (NED) da UFSC; pesquisadora associada da Anis – Instituto de Bioética, e membro do Grupo de Estudos Antropologia e Deficiência (GEAD), da UnUFRGS. Coordenadora do Comitê Deficiência e Acessibilidade da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e membro do GT Estudios críticos en discapacidad do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (CLACSO).

Ana Lúcia Martins – primeira vereadora negra eleita na história de Joinville (SC). Por esse feito, sofreu ataques racistas e ameaças de morte nas redes por integrantes de grupos neofascistas.

Anielle Franco – educadora, jornalista, escritora, feminista preta, mãe de meninas, mestranda, diretora do Instituto Marielle. Irmã de Marielle Franco.

Ara’i Elizete Antunes, do Povo Guarani – cacica na Terra Indígena Guarani Yakã Porã, localizada no Morro dos Cavalos às margens da BR-101 (Palhoça, região da Grande Florianópolis/SC).

Ariane Leitão – advogada feminista e coordenadora da Força-Tarefa de Combate aos Feminicídios no Rio Grande do Sul (RS).  Mobilizou e coordenou ações relacionadas ao combate da violência doméstica contra mulher durante a pandemia de Covid-19 no RS, denunciando a ausência de políticas públicas para a área e a precarização da Rede de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência. 

Atiliana Brunetto – integra a Direção Nacional do Setor de Gênero do Movimento Sem Terra (MST). 

Avelin Buniacá Kambiwá, da etnia Kambiwá, do Sertão de Pernambuco – é socióloga, professora e assessora parlamentar no mandato das muitas na Gabinetona, com mais de 90 ativistas. É fundadora do Comitê Mineiro de Apoio às Causas Indígenas, que contribui em média com cem famílias indígenas. Organizadora da manifestação em defesa da vida das meninas indígenas #justiçaporanabeatriz, em Belo Horizonte.

Azânia Romão Nogueira – mestra em Geografia pela UFSC, integrante do Núcleo de Estudos Negros e da Frente da Juventude Negra e Anticapitalista (FREJUNA).

Barbara Biscaro – atriz/cantora e pesquisadora nas áreas do teatro e da música. É Doutora em Teatro pela UDESC e coordena, conjuntamente com outras atrizes, o projeto Vértice Brasil, voltado para a discussão e visibilidade do trabalho de mulheres criadoras no teatro. Colunista do Catarinas.

Benedita da Silva – assistente social, primeira senadora negra eleita no Brasil, única mulher a participar da mesa diretora da Assembleia Nacional Constituinte, eleita deputada federal cinco vezes. Em 2020, aos 78 anos, concorreu à prefeitura do Rio de Janeiro.

Betânia Santos – trabalhadora sexual, presidenta da Associação Mulheres Guerreiras, ativista pelas trabalhadoras sexuais brasileiras contra a violência e descriminação. Candita

Braulina Baniwa, do Povo Baniwa – integrante da Articulação Brasileira de Indígenas Antropóloges (ABIA) e estudante da pós-graduação em antropologia (PPGAS-DAN/UNB).

Bruna Maria Antunes – estudante de licenciatura em História, foi coordenadora da ala das Liberatas do Contemporâneo, na escola Jardim das Palmeiras, de São José (SC), que homenageou Liberata, mulher negra escravizada que viveu há 200 anos em solo catarinense e encampou uma luta na Justiça para conquistar sua liberdade. “Liberata, uma história de resistência que inspira liberdade” foi o enredo. 

Carla Ayres – depois de 4 anos de luta, a militante do Partido dos Trabalhadores foi eleita vereadora em Florianópolis. Defensora dos direitos humanos e das mulheres, Carla é a mulher lésbica mais votada da Capital. Ela já ocupou a cadeira de suplente por três vezes na Câmara dos Vereadores e presidiu a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e Promoção da Igualdade de Gênero (CDDMIG) do órgão. 

Cauane Maia – autora do livro: Vozes Negras em Florianópolis: Escrevivências Antropológicas do Morro das Mulheres publicado recentemente. Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFSC, mestra em Antropologia Social pela mesma instituição, bacharel em administração e graduanda em ciências sociais. Integrante do Cores de Aidê e colunista do Catarinas.

Cecília Piratapuya – Cecília Barbosa Albuquerque, do Povo Piratapuya, é integrante da Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (ASSAI). Ela considera a rede de apoio fundamental para que as violências sejam reconhecidas e as mulheres indígenas sejam amparadas durante a pandemia.

Célia Xacriabá – liderança indígena da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), integrou o lançamento da Articulação Brasileira de Indígenas Antropóloges (ABIA). 

Ceres Antunes Hadich – assentada no Paraná e integrante da direção nacional do MST. 

Chaiane Guterres – do Coletivo Negro Magali e da Frente da Juventude Negra Anticapitalista (Frejuna).

Chirley Pankará – mulher indígena, mãe, ativista e codeputada da Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), pelo PSOL. Participou do Observatório da Educação Indígena, de acordo com a Lei 11.645/2008, que prevê o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígenas. Mestra em Educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), militante e articuladora do Acampamento Terra Livre, já visitou vários países para dar visibilidades às questões indígenas.

Cintia Aldaci da Cru – 32 anos, presidenta da Associação Revolução dos Baldinhos, projeto de coleta seletiva orgânica, compostagem, produção de adubo e horta comunitária, que foi reconhecido como uma das 15 práticas excepcionais em agroecologia do mundo. Atuou durante a pandemia para garantir a segurança alimentar e sanitária das famílias do bairro Chico Mendes, em Florianópolis. 

Cirene Candido – cofundadora do Negras Petistas SC, coletivo de mulheres negras do PT catarinense. Candidata a vereadora nas últimas eleições municipais e colunista do Catarinas.

Clair Castilho – farmacêutica, professora universitária e primeira mulher vereadora eleita em Florianópolis. Em 2020, aos 75 anos, Clair foi convidada pelo PCdoB para concorrer às últimas elieções como vereadora, mas escolheu apoiar novas candidaturas de mulheres feministas. 

Cláudia Lage – autora do “O corpo interminável”, ganhou o grande Prêmio São Paulo de Literatura. O livro se propõe a trazer à tona a experiência longamente abafada das mulheres que foram presas políticas sob a ditadura no Brasil, assim como os desdobramentos gerados por suas dores e conquistas.

Claudia Regina Nichnig – historiadora, advogada e doutora em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina, na área de Estudos de Gênero, e pós-doutora em História e Antropologia Social. Colunista do Catarinas. 

Coletivo Não é Não – integrantes atuam em várias capitais do país para conscientizar as mulheres sobre assédio durante o carnaval.

Conceição Evaristo – romancista, contista e poeta, uma das maiores referências da literatura brasileira nas últimas gerações, é atuante na luta pela afirmação da identidade negra no país. 

Cristina Scheibe Wolff – professora do Departamento de História da UFSC, coordenadora do Laboratório de Estudos de Gênero e História (LEGH/UFSC) e coordenadora do projeto Mulheres de Luta – série de vídeos que o Portal Catarinas publicou nos meses de maio a agosto de 2020.

Dandara Manoela – assistente social, compositora e cantora, canta as vivências e existências das mulheres negras. É integrante do bloco Cores de Aidê. Exalta as mulheres negras no single “Pretas Yabás”. 

Daniela Alvares Beskow – artista e ensaísta, escreve desde 2001. Publicou capítulos de livros, dramaturgias e também ensaios em sites, jornais, zines e revistas. Escreveu 9 livretos, dentre eles “Perspectiva feminista, movimento de mulheres e movimento feminista no Brasil: uma introdução” (2019); “Características da dominação no patriarcado” (2017) e “Reflexões conceituais sobre a violência”. 

Debora Diniz – antropóloga e coordenadora da Anis – Instituto de Bioética. Voz ativa pelos direitos sexuais e reprodutivos no Brasil e no mundo. 

Eduarda Cardoso – estudante do Centro de Educação Popular, atriz que faz um monólogo no curta-metragem “Resistência Maria”, onde desabafa sobre o racismo do alto do Morro do Monte Cristo, em Florianópolis.

Elaine Sallas – integrante do 8M, foi candidata a vereadora de Florianópolis pelo Psol em 2020.

Elenira Vilela – integra o Sinasefe (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação), candidata à vereadora pelo PT nas Eleições de 2020; ativista feminista, atuante no 8M SC.

Elisa Pankararu, do Povo Pankarar – é mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco e coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas da APOINME (Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espirito Santo).

Elizângela Baré, do Povo Baré – atua no Departamento de Mulheres da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), criado em 2002, comenta que a partir de 2010 a organização vem trabalhando o tema da violência doméstica, as questões de gênero e juventude. Com a pandemia, elas criaram uma rede de apoio para levar informações às mulheres indígenas e para que elas possam denunciar o agressor.

Elza Soares – cantora e compositora. Além de sua trajetória inspirar e se aproximar do movimento feminista, Elza Soares vem produzindo álbuns e shows nos últimos anos que falam das mulheres e reivindicam protagonismo feminino, principalmente das mulheres negras.

Emanuelle Freitas Góes – doutora em Saúde Pública com concentração em Epidemiologia (ISC/UFBA) e membro do Grupo Temático Racismo e Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva/Abrasco. Conselheira editorial do Portal Catarinas, tem atuado para denunciar o descaso político do governo Bolsonaro em relação à saúde da população negra, acentuado durante a pandemia. 

Erika Hilton – mulher trans, a mulher mais bem votada em São Paulo nas últimas eleições, se elegeu vereadora pelo PSOL. 

Erika Kokai – deputada federal pelo Distrito Federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT), atuante pelas causas sociais e direitos das mulheres. 

Fernanda Lopes – diretora de Programa do Fundo Baobá para Equidade Racial. Doutora em saúde pública, consultora em justiça social. Voz fundamental para denunciar a gravidade da mortalidade materna de mulheres pretas por Covid-19 no Brasil. 

Flavia Medeiros – antropóloga e cientista social, professora do Departamento de Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Autora dos livros “Matar o morto: uma etnografia do Instituto Médico-Legal do Rio de Janeiro” e “Linhas de Investigação: uma etnografia das técnicas e moralidades numa divisão de homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro”.

Gabriela da Silva – professora da Rede Estadual de Educação de Santa Catarina. Primeira mulher travesti a exercer a profissão no magistério estadual. Graduada em Letras pela Unisul, especializada em Fundamentos da Educação pela UNESC. Mestra em educação e doutoranda em educação pela UFSC. Cofundadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas de Travestilidades, Transgeneridades e Transexualidades (Netrans) – UFSC/CNPQ. Integrante do Instituto Brasileiro Trans de Educação (IBTE).

Gabriela Rondon – pesquisadora e consultora jurídica da Anis, Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero.

Glaucia Assis – historiadora e professora da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc).

Heidi Fernanda Amaral França – trabalhadora doméstica, mãe de dois filhos, um bebê de um ano e uma jovem de 14. Sem receber qualquer contribuição dos pais dos filhos para as despesas e cuidados desde que eles nasceram, sobrevive de seu trabalho. Trabalhadora informal e beneficiária do Programa Bolsa Família (PBF), ela recebeu o auxílio emergencial destinado às/aos trabalhadoras/es não formalizadas e de baixa renda. 

Helena Borges Martins da Silva Paro – médica, ginecologista e obstetra, que coordena o Núcleo de Atenção Integral a Vítimas de Agressão Sexual do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (NUAVIDAS HC/UFU), integrante da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Violência Sexual e Interrupção Gestacional Prevista em Lei da Febrasgo (Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia), da Rede Feminista de Ginecologistas e Obstetras e da Rede Médica pelo Direito de Decidir (Global Doctors for Choice Brazil).

Ingrid Assis – dirigente da ConLutas e representante do movimento indígena.

Integrantes da Abrasabarca – coletivo dedicado à pesquisa, descoberta e (re)invenção poética. Formou-se em encontros para ler poemas e falar de literatura em torno da mesa, da fogueira, do vinho, dos livros. Mantém coluna no Portal Catarinas.

Integrantes do 8M frente de movimentos de mulheres e feministas que organizam no Brasil a Greve Internacional das Mulheres desde 2017.

Integrantes da Rede de Jornalistas e Comunicadoras com visão de Gênero e Raça – lançada em 2020, a Rede surgiu a partir da articulação de jornalistas brasileiras ligadas à perspectiva e em diálogo com a Red Internacional de Periodistas con Visíon de Género (RIPVG).

Integrantes do Africatarina – participaram do Desfile dos Blocos Afros, em Florianópolis. Em 2020, o enredo homenageou a/os moradoras/es de rua, as batalhas de rap, as mulheres da frente 8M e do #EleNão, o Instituto Arco-íris, organização que desenvolve ações sociais, a marcha contra a intolerância religiosa, a marcha da periferia e manifestantes que se mobilizam contra o fascismo. 

Integrantes do Bloco Cores de Aidê – participaram do Desfile dos Blocos Afros, em Florianópolis, com o enredo “Mulheres das Folhas”, que homenageou as mulheres anciãs.

Integrantes do Coletivo Valente – formado por trabalhadoras do judiciário catarinense. Surgiu da vontade de unir esforços não apenas em torno do debate das especificidades da classe, mas também da luta por vida digna e livre para todas as mulheres, a partir de uma perspectiva emancipacionista, antirracista e classista.

Integrantes do Coletivo.Par – voltado às reflexões sobre a equidade de gênero, raça e classe na dança de salão.

Íris Gonçalves – advogada feminista e integrante do 8M. 

Isabela Del Monde – advogada feminista, fundadora da Gema Consultoria em Equidade e coordenadora do MeToo Brasil. Na defesa dos direitos humanos das mulheres e da equidade de gênero, em 2020 fez críticas contundentes ao caráter patriarcal, racista e classista do judiciário brasileiro. Além disso, utilizou o Direito como ferramenta para emancipação das mulheres. 

Jackeline Gonçalves, conhecida em Guarani-Kaiowá pelo nome de kuña aranduhã – com 29 anos e uma filha de oito, já sofreu quatro tentativas de assassinato e está fora da Aldeia Jaguapiru, região de Dourados (MS), devido às perseguições.

Janete Desana, do Povo Dessana – integrante do Departamento de Mulheres da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), conta que ao longo dos anos elas vem mobilizando as mulheres focando nas políticas públicas referentes ao Bem Viver das mulheres Indígenas, como a saúde, segurança alimentar, segurança pública, autosustentabilidade e violência doméstica. 

Jaque Conceição – idealizadora do Coletivo Di jejê, a primeira plataforma de ensino a distância com foco em Educação Antirracista e Empoderamento Feminino do Brasil.

Jaqueline de Sousa Oliveira – 30 anos, fundadora da Cooperativa de Mulheres do Monte Cristo, fundada com o intuito de fomentar a geração de renda entre mulheres que não têm emprego e não conseguem trabalhar por terem filhos pequenos ou adolescentes que não conseguem entrar no mercado de trabalho. Presidenta da Associação de Pais e Professores (APP) da Escola de Educação Básica América Dutra Machado. Atuou durante a pandemia para garantir a segurança alimentar e sanitária das famílias do bairro, em Florianópolis.

Jaqueline Goes de Jesus, Ingra Morales, Flávia Salles e Erika Manuli – pesquisadoras da Faculdade de Medicina da USP, dentro do Instituto Adolfo Lutz (IAL), que decifraram a amostra do primeiro caso de infecção da Covid-19 na América Latina. 

Jarid Arraes – escritora, cordelista e poeta, é autora de “Redemoinho em dia quente” (Alfaguara, 2019), vencedor do prêmio APCA na categoria contos/crônicas, “Um buraco com meu nome” (Ferina, 2018) e “As lendas de Dandara” (Editora de Cultura, 2016). Atualmente vive em São Paulo, onde criou o Clube de Escrita para Mulheres. Tem mais de setenta títulos publicados em literatura de cordel, incluindo a coleção Heroínas Negras na História do Brasil.

Joana Célia dos Passos – professora do Departamento de Estudos Especializados em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), também militante do Movimento Negro. Foi candidata nas últimas eleições municipais no coletivo Mulheres pela Educação pelo PT. 

Joana Maria Pedro – historiadora e professora da Universidade Federal de Santa Catarina na área de História das Mulheres e relações de gênero.

Joanna Burigo – comunicadora e professora feminista, mestra em Gênero, Mídia e Cultura (LSE/UK), atuante na Emacipa Mulher. Coorganizadora do livro “Tem Saída? – Perspectivas LGBTI+ sobre o Brasil”.  

Joênia Wapichana (Rede-RR) – indígena, advogada, deputada federal. É a primeira mulher indígena a exercer a profissão de advogada no Brasil e a primeira a conquistar um posto no legislativo federal (2019-2022) pela Rede Sustentabilidade.

Jozileia Daniza Kaingang – professora e integrante da Frente Indígena e Indigenista de Prevenção e Combate do Coronavírus em Terras Indígenas da Região Sul do Brasil. Primeira mulher indígena a se eleger como vereadora na Câmara de Florianópolis. Foi candidata nas últimas eleições pelo coletivo Bem Viver (PSOL).

Júlia Melim Borges – advogada feminista. Tem sido perseguida por um homem agressor de uma de suas clientes. É advogada pro bono para defender o Catarinas no processo impetrado por cervejeiros acusados de racismo e machismo, citados em reportagem do Portal. 

Juliana Chagas da Silva Mittelbach – enfermeira e coordenadora geral adjunta da Rede Mulheres Negras Do Paraná (RMN/PR).

Juliana Romão – jornalista, cocriadora e organizadora do projeto Meu Voto Será Feminista, que visa potencializar lideranças feministas a atuarem nos espaços de poder. O projeto visibilizou e fortaleceu as campanhas e os projetos políticos de mulheres feministas progressistas com a finalidade de reverter o quadro de subrepresentação, ampliar a diversidade de mulheres no poder e favorecer a chegada mais qualificada e manutenção nesses espaços.

Julieta Paredes Carvajal – indígena do Povo Aymara, da Bolívia, feminista comunitária, lésbica, poetisa, cantora, compositora, escritora, grafiteira, psicóloga mestra em Gênero, Sociedade e Políticas pela Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais da Argentina. É autora de obras como “Para descolonizar el Feminismo” (2020), “El desafío de la despatriarcalización” (2016), “Hilando  fino desde  el  Feminismo Comunitario” (2010), entre outras. 

Jurema Werneck – formada em Medicina e em Comunicação, é diretora executiva da Anistia Internacional Brasil. Tem atuado para denunciar o genocídio da população negra no país.

Kaiti Suelem Yawalapiti – filha do cacique Aritana, do Povo Yawalapiti do alto Xingu, hoje mora em Canarana, tem um ateliê de arte indígena e vende artesanato de algumas artesãs e artesãos de outros povos na entrada do Parque do Xingu. 

Kamala Harris – vice-presidenta eleita dos EUA.

Karla Garcia Luiz – do Coletivo Feminista Helen Keller de Mulheres com Deficiência (CFHK).

Kátia Brasil – diretora executiva da Amazônia Real, a jornalista tem atuado colaborativamente para o desenvolvimento de outras mídias independentes. Ao lado de Paula Guimarães, cofundadora do Portal Catarinas, idealizou o monitoramento da violência doméstica durante a pandemia, integrado por sete veículos independentes. 

Kátia Klock – diretora do longa-metragem documental “Quem precisa de identidade”, uma coprodução da Contraponto e Manacá Cine para o canal CineBrasil TV. Argumento de Márcia Navai e Ana Veiga; direção de produção de Lícia Brancher. Entre os pontos de destaque está a música-tema “Lugar de Identidade”, composta e interpretada por Marissol Mwaba, com a participação de François Muleka, Dandara Manoela, Alegre Corrêa e Addia Furtado.

Keila Simpson – presidenta da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), responsável pelo Dossiê Assassinatos contra travestis brasileiras e violência e transexuais. Publicado no início de 2020, o levantamento apontou que o Brasil continua a ser o país que mais mata travestis e transexuais em todo o mundo. 

Kelli Mafort – da direção nacional do MST.

Kelly da Rosa – mãe de Everton Rosa da Luz, 22 anos, morto pela PM Catarinense com um tiro na cabeça e outro no peito, tem denunciado o genocídio da população negra pelo Estado. 

Kerexu Yxapyry – guerreira indígena Guarani, da coordenação da Comissão Guarani Yvyrupa e integrante da Comissão de Mulheres Guarani Yvyrupa.

Laura Elizia Haubert, criadora da série de entrevistas “Chicas que escrevem”, voltada a dar visibilidade às mulheres escritoras. É doutoranda em Filosofia pela Universidad Nacional de Córdoba, Argentina. Graduada e Mestre em Filosofia pela PUC-SP. Autora do livro “Memórias de uma vida pequena” (2019) e “Sempre o mesmo céu, sempre o mesmo azul” (2017). 

Laura Parintintim, do Povo Parintintim do Amazonas – estudante do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Catarinas (UFSC), responsável pela “maloca”, uma ocupação improvisada dentro da Universidade que acomoda estudantes indígenas.

Lauriene Seraguza – antropóloga e assessora da Comissão Guarani Yvyrupa.

Lia Vainer Schucman, professora do Departamento de Psicologia da UFSC, pesquisadora da branquitude brasileira há quase duas décadas, tem sido uma voz atuante para denunciar os privilégios racistas. Autora do livro “Entre o encardido, o branco e o branquíssimo: branquitude, hierarquia e poder na Cidade de São Paulo”. 

Linda Terena, do Povo Terena do Mato Grosso do Sul – mora em território indígena, é falante da língua de origem e é doutora na ciência dos puxârara – não-indígena, onde está estudando as relações de gênero processadas desde os tempos pré-colombianos.

Lirous K’yo Fonseca Ávila – presidenta da Adeh (Associação de Direitos Humanos com Enfoque na Sexualidade), foi candidata à vereadora em Florianópolis/SC nas últimas eleições.

Lívia Martins Salomão Brodbeck e Silva – coordenadora do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do Paraná.

Lola Aronovich – dá nome à lei que autoriza a PF a investigar misoginia na Internet. Aronovich tem dedicado seu ativismo a contestar e denunciar o pensamento masculinista, expressado principalmente por grupos de extrema-direita. Professora de Literatura Inglesa na Universidade Federal do Ceará (UFC).

Lourdes Barreto – militante histórica pelos direitos das prostitutas, mãe de 4 filhos, avó de 10 netos e bisavó de 7 bisnetos. Fundadora do Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará (Gempac) e da Rede Brasileira de Prostitutas junto com Gabriela Leite. 

Luana Tolentino – mestra em Educação pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Atuou como professora de História em escolas públicas da periferia de Belo Horizonte e da região metropolitana. É autora do livro “Outra educação é possível: feminismo, antirracismo e inclusão em sala de aula”, lançado em 2018 pela Mazza Edições.

Lúcia Xavier – assistente social e ativista de direitos humanos, coordenadora da Criola, organização pela defesa e promoção dos direitos das mulheres negras, integrante da Coalizão Negra Por Direitos. 

Luciana Boiteux – advogada feminista e uma das signatárias da ADPF 737, que denuncia a Portaria 2.282/2020 do Ministério da Saúde, que visava dificultar o acesso ao aborto legal no Brasil. Professora de Direito Penal da UFRJ, foi candidata a vereadora pelo PSOL, no Rio de Janeiro, diplomada 1ª suplente da bancada do PSOL/RJ na Câmara Municipal.

Luciana Freitas – integrante do Movimento Negro Unificado (MNU), candidata a vereadora de Florianópolis pelo PT, em 2020.

Luciane Carminatti – deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores em Santa Catarina. Com a pandemia, a deputada voltou-se à apresentação de PLs com foco na proteção das mulheres, como o projeto de lei que obriga condomínios a comunicarem casos de violência doméstica à polícia. Além de ser a responsável por tirar do papel a lei do “Observatório Social da Violência Contra a Mulher”, que vai compilar dados de violência de gênero no estado.

Luiza Batista Pereira – presidenta da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad).

Luizana Inácio da Silva – Kaingang da Terra Indígena Kondá, Oeste de Santa Catarina. Cursa o segundo semestre de Pedagogia na Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó) e o sexto semestre do curso de Licenciatura em Ciências Sociais pela UFSC.

Lusmarina Campos Garcia – teóloga ecofeminista, pastora luterana e pesquisadora de direito do Programa de Pós-graduação de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Há anos a teóloga enfrenta o dogmatismo das instituições religiosas protestantes, sendo potente voz dentro do campo cristão pela descriminalização do aborto. Neste ano, esteve nos debates em defesa do direito ao abortamento legal de uma menina de 10 anos vítima de estupro, além de ter feito contundentes denúncias sobre a estreita relação entre o pensamento cristão hegemônico e a perpetuação das violências contra meninas e mulheres.  

Magna Kaimbé – é Técnica em Enfermagem, trabalha no Posto de Saúde da aldeia Massacará, na Bahia, e atua na linha de frente do combate ao coronavírus em sua comunidade. Tem 40 anos e uma filha de 11. É indígena Kaimbé do estado da Bahia, aldeia Massacará com mais de 1.200 pessoas, atual território do município de Euclides da Cunha. Morou 20 anos em São Paulo e trabalhou na Casa de Saúde Indígena (CASAI). Retornou para a TI no ano de 2012 onde trabalha no posto de saúde dentro da comunidade. 

Mara Régia – é jornalista e radialista, âncora do programa Viva Maria que aborda questões sobre gênero e direitos das mulheres há 39 anos. O programa é distribuído pela Radioagência Nacional para mais de três mil emissoras em todo o Brasil. 

Márcia Mura – mulher indígena do Povo Mura, doutora em História Social (USP). 

Marcia Tiburi – filósofa, autora de vários livros, exilada do Brasil por defender a democracia e o pensamento crítico aos grupos fascistas, hoje institucionalizados no Governo Federal. Nas últimas eleições abriu espaço para ocupação nas suas redes por candidatas mulheres, principalmente negras. 

Margarida Salomão – nova prefeita de Juiz de Fora (PT). Professora, dedicou a vida à ciência, à educação, à administração pública. O lema da campanha foi resumido na ideia de desejo e atrevidamente revolucionária: “Tudo é para todos”.

Maria das Graças de Jesus – conhecida como “Mãe Gracinha”, moradora da Comunidade Remanescente do Quilombo Toca de Santa Cruz, em Paulo Lopes, litoral sul catarinense. Em 2014, o Ministério Público recebeu uma denúncia anônima e em menos de um ano retirou duas filhas do convívio com a mãe. As meninas foram encaminhadas ao acolhimento institucional e depois adotadas por uma família branca. Tornou-se símbolo da luta contra o racismo no sistema de justiça.

Maria do Rosário – professora, primeira mulher a ser ministra da Secretaria de Direitos Humanos do Brasil,  eleita deputada federal quatro vezes. Maria do Rosário tem lutado nacionalmente contra violência política de gênero, inclusive na internet. Neste ano, articulou o ato virtual e o manifesto “Pela ética e pela democracia – basta de violência política contra as mulheres”. Além disso, foi autora da Lei 14.022/2020 que dispõe sobre medidas de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher durante a pandemia. 

Maria Esther Vilela – médica obstetra integrante da Rede Feminista de Ginecologistas e Obstetras, foi coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde, de 2011 a 2017.

Maria Eva Canoé, do Povo Canoé – atua da rádio da comunidade e é integrante do Conselho de Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) de Rondônia, território próximo à fronteira com a Bolívia.

Maria Isabel Pereira Corrêa – presidenta do Conselho Estadual de Direitos da Mulher do Paraná.

Maria Judite da Silva Ballerio Guajajara, do Povo Tentehar Guajajara do Maranhão – é advogada da Rede de Advogados Indígenas pela Coordenação das Organizaçõesndígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Secretária Adjunta de Estado da Mulher no Maranhão e autora da pesquisa “Mulheres Indígenas: gênero, etnia e cárcere” (2020).

Mariana Ferrer – influencer. Apesar dos inúmeros ataques, perseguições e difamações, Mariana Ferrer lutou para que a violência sexual que sofreu não passasse impune. A coragem da jovem ampliou o debate sobre estupro no Brasil, bem como sobre o racismo, o machismo e elitismo dentro do judiciário brasileiro. Em todo Brasil, mulheres se levantaram pedindo “Justiça por Mariana Ferrer”. 

Mariana Franco – mulher trans, presidenta União Nacional LGBT (UNA) de Santa Catarina e deputada suplente em SC. Candidata a vereadora pelo PCdoB, em Florianópolis, nas últimas eleições.

Mariana Possas – professora do Departamento de Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e uma das coordenadoras do LASSOS, Laboratório de estudos sobre crime e sociedade, da UFBA.

Marinês Apurinã – coordenadora da Organização Indígena Médio e Baixo Purus (OIMPB), da Terra Indígena Tauá-Mirim, Município de Tapauá, estado do Amazonas, Terra Indígena Apurinã. 

Marissol Mwaba – astrofísica, cantora e compositora, a artista integrou o álbum Amarelo, do Emicida. 

Marlene de Fáveri – professora aposentada do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da UDESC. Membro do Grupo de Trabalho de Gênero da Associação Nacional de História (ANPUH). Autora da série “Crônicas da Incontinência da Clausura” no Portal Catarinas. 

Maura Arapiun – é coordenadora do departamento de mulheres do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns, moradora da Aldeia Braço Grande, Povo Arapiun, Território Indígena Terra Preta, região de Santarém (PA), no Rio Tapajós. Maura nos contou que em seu território já houve exploração madeireira. No entanto, a pressão da organização dos grupos indígenas para a autodemarcação do território levou os exploradores a abandonarem o local. 

Mayara Suni Terena – graduada em ciências sociais pela UFSCar, integrante da Articulação Brasileira de Indígenas Antropóloges (ABIA), lançada em 2020.

Melania Amorim – médica, pesquisadora e professora de Ginecologia e Obstetrícia. Defende a educação sexual nas escolas como forma de prevenir gestações não planejadas e aborto. Em 2020 esteve à frente do grupo de médicas pesquisadoras que denunciaram  o aumento do índice de morte materna em decorrência da política negacionista do governo Bolsonaro. 

Meu Voto Será Feminista – cocriadoras e gestoras do projeto – Bia Paes, Carol Vergolino, Daiane Dultra e Juliana Romão – estão sediadas em Recife/PE e comandam de lá o movimento nacional, potencializando o Nordeste na luta por mais mulheres no poder.  Trata-se de um projeto autogestionado e suprapartidário, criado em 2018 no ecossistema da movimentação PartidA Feminista e que a partir de 2019 ganha vida própria. Manteve coluna em 2020 no Portal Catarinas. 

Miriam Guarani Nhandewa – Miriam Alessandra de Moraes Viegas é médica indígena do Povo Guarani Nhandewa. Ela trabalha no Vale do Ribeira, em Miracatu, São Paulo, e relata que o atendimento à saúde indígena ainda ocorre de forma precária, com pouca estrutura e muito improviso.

Mirtes Renata Santana de Souza – trabalhadora doméstica, não teve o direito de ficar em casa durante a quarentena e perdeu seu único filho, Miguel de cinco anos, que caiu do alto de um prédio, em Recife, por negligência da empregadora.  

Mônica Cunha – fundadora do Movimento Moquele e coordenadora da Comissão de Direitos Humanos da ALERJ, candidata à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro nas últimas eleições pelo PSOL. 

Monica Tereza Benício (PSOL) – viúva da vereadora Marielle Franco, recebeu 22.919 votos nas últimas eleições e se elegeu vereadora no Rio de Janeiro. 

Monique Prada – trabalhadora sexual, feminista, ativista pelos direitos das prostitutas. Co-editora do projeto MundoInvisivel.ORG, uma das fundadoras da CUTS – Central Única de Trabalhadoras e Trabalhadores Sexuais, faz parte do Grupo Assessor da Sociedade Civil da ONU Mulheres no Brasil. Autora do livro “Putafeminista” (Editora Veneta).

Nandjá Schirlei da Rocha Xokleng/Laklano – cursa odontologia na Universidade Regional de Blumenau (FURB) e Pedagogia pelo IFC. Foi candidata a vereadora em Blumenau. É responsável pela aldeia urbana, uma ocupação para acolher estudantes e artesãos indígenas.

Natália Bonavides – deputada federal do Rio Grande do Norte pelo Partidos dos Trabalhadores (PT). 

Nina da Hora – é estudante universitária de ciência da computação, programadora, pesquisadora, dá aulas e palestras e, em tempos de pandemia, participa de eventos online. Nina, como gosta de ser chamada, vive pensando em jeitos de usar o conhecimento para hackear o racismo.

Osana Gonçalves – assistente social Kaingang do Pólo Base de Ipuaçu. Trabalha na saúde indígena há mais de 25 anos, muitos deles como técnica de enfermagem. 

Patrícia Campos Mello – jornalista da Folha de São Paulo que, em fevereiro de 2020, foi agredida verbalmente pelo presidente Jair Bolsonaro após reportagem sobre esquema de fake news. 

Patrícia Oliveira – representante da Rede Nacional de Mães e Familiares de Vítimas do Terrorismo de Estado. Irmã do único sobrevivente da Chacina da Candelária. Atou na construção da mostra inédita “Em Luta: vítimas, familiares, terrorismo de Estado”.  

Paula Viana – enfermeira-obstetra, coordenadora do Grupo Curumim – Gestação e Parto e ativista feminista, Paula foi peça fundamental para a garantia do acesso ao aborto previsto em lei no caso da menina de dez anos do Espírito Santo, ao atuar na articulação com o Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros – CISAM, em Recife-PE.

Pietra Dolamita Kauwá Apurinã – Kuawa Kapukaya Apurinã, indígena ativista e Guerreira da etnia Apurinã. Bacharela em Direito, Licenciada em Artes Visuais, mestra em Educação, mestra em Antropologia, doutoranda em Antropologia. Participa da Articulação Brasileira de Indígenas Antropóloges (ABIA). Integrante da Série do Portal Catarinas “Filhas da Terra: mulheres indígenas em luta contra a Covid-19” e é conselheira Editorial do Portal Catarinas.

Priscilla Placha Sá – coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID/PR), do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná.

Raquel Leite Arruda – mãe dos irmãos Marlon, 15 anos, e Leonardo, 18, mortos pela polícia militar de SC, no domingo de páscoa de 2020. Ela tem atuado para denunciar execuções policiais. 

Rejane Silva Sánchez – advogada e presidente da Comissão Estadual da Mulher da OAB/SC.

Rochelle  Alves – presidente da Associação de Microcefalia e outras Malformações por Zika Vírus em Goiás, é uma das mulheres que foi infectada pelo vírus zika em 2016, quando estava grávida. Moradora de Goiás e casada há 12 anos, Rochelle trabalhava e tinha o sonho de terminar a faculdade de publicidade e propaganda, porém, após o nascimento de Hickelly Mariáh, diagnosticada com microcefalia no sétimo mês de gestação, Rochelle precisou deixar o emprego para se dedicar exclusivamente aos cuidados da filha.

Rosângela da Silva Xetá – 35 anos, foi agredida e teve a casa incendiada na Terra Indígena de São Jerônimo, município de São Jerônimo, Paraná.

Rosangela Talib – coordenadora das Católicas pelo Direito de Decidir

Ruth Bader Ginsburg – ícone progressista da Suprema Corte dos EUA, a juíza foi responsável por votos importantes em decisões que expandiram direitos para mulheres e pessoas LGBT no país. A magistrada perdeu a batalha para o câncer e morreu, aos 87 anos, em setembro deste ano. 

Ryane Leão – preta e lésbica, professora e poeta best-seller. Entre suas obras estão: “Jamais peço desculpas por me derramar” e “Tudo nela brilha e queima”. Faz oficinas de lambe para mulheres, incentivando-as a colocarem suas palavras no mundo.

Sabrina Aquino – brasileira vivendo no Chile, Diretora da Fundação País Digno e militante feminista da Convergência Social. Ela foi uma das mulheres que esteve na linha de frente do conjunto de revoltas populares que conduziram a derrubada da Constituição chilena do ditador Pinochet. 

Sabrina Fernandes – bacharel em Economia, doutora em Sociologia (com especialização em Economia Política) e divulgadora científica no canal Tese Onze. É também militante ecossocialista, feminista e vegana. Em 2020, Sabrina lançou seu segundo livro, “Se quiser mudar o mundo”, e foi uma das vozes no campo da esquerda a promover o debate sobre ecossocialismo, feminismo, liberalismo, entre outros. Sendo resistência ao governo Bolsonaro, seu nome apareceu na lista dos intelectuais influenciadores brasileiros vigiados pelo Estado. 

Samara Oliveira – liderança da ocupação Marielle Franco, em Florianópolis.

Sandra Lia Leda Bazzo Barwinski – advogada, mestra em Direito pela UNINTER, coordenadora do Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM/Brasil), vice-presidenta da Comissão de Estudos sobre Violência de Gênero (CEVIGE-OAB/PR); autora do livro “Poder, dominação e resistência: Lei Maria da Penha e a Justiça de gênero” (Lumen Juris, 2019).

Sandra Pankararu – Sandra Monteiro de Souza, do Povo Pankararu, é estudante de Medicina pela Universidade de Brasília (UNB) e trabalha com saúde da família. Em seu fazer, destaca a necessidade da compreensão sobre a cosmovisão de cada povo para que a relação saúde-doença possa ser considerada no processo de cura.

Sarah Santos – jornalista e ativista pelos direitos das mulheres com deficiência.

Schirlei Alves – repórter responsável pela cobertura sobre o caso Mariana Ferrer.

Senira Coito – indígena do Povo Kaingang, agente Indígena da Saúde, uma das vítimas da Covid-19 aos 44 anos (in memoriam).

Silvia Federici – escritora e teórica ítalo-estadounidense, ativista e autora de livros importantes sobre o feminismo, entre os mais recentes “Além da periferia da pele: repensando, refazendo e recuperando o corpo no capitalismo contemporâneo”, “O Ponto Zero da Revolução: Trabalho Doméstico, Reprodução e Luta Feminista” e “Calibã e a bruxa: mulheres, corpos e acumulação primitiva”. 

Simone Lolatto – assistente social, pesquisadora e doutora em Ciências Humanas. Durante as eleições de 2020, sua pesquisa de doutorado sobre mulheres na política foi fonte de estudo para compreender o cenário de desafios aos quais as mulheres (principalmente feministas, anticapitalistas e antirracistas) enfrentam para ocupar os espaços políticos no Brasil.

Simony dos Anjos – mulher preta; evangélica; ativista no grupo Evangélicas pela Igualdade de Gênero e da Rede de Mulheres Negras Evangélicas; ativista pelos direitos sexuais e reprodutivos; foi candidata à prefeitura de Osasco em 2020.

Sônia Correa – ativista feminista e pesquisadora brasileira, é codiretora do Observatório de Sexualidade e Política (SPW na sigla em inglês). Coordenadora do Programa de Saúde e Direitos do Development Alternatives with Women for a New Era (DAWN) e pesquisadora associada à Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA). Cofundadora da SOS-Corpo.

Sueli Carneiro – filósofa, escritora e ativista antirracista do movimento social negro brasileiro. Sueli Carneiro é fundadora e atual diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra e considerada uma das principais autoras do feminismo negro no Brasil.

Suliete Baré – Suliete Gervásio Monteiro, do Povo Baré do Rio Negro, Comunidade Indígena Tapereira, que pertence ao munícipio de Santa Isabel do Rio, Noroeste do Amazonas, é integrante do movimento indígena e da luta pelos direitos das mulheres indígenas. Cursa Mestrado em Direitos Humanos e Cidadania na UnB, onde já foi Presidenta da Associação dos Acadêmicos Indígenas UnB/AAIUnB, e é parte do Coletivo de Mulheres.

Symmy Larrat – presidenta da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT). 

Tainá de Paula – mulher preta e arquiteta. Foi a mulher de esquerda mais votada no Rio de Janeiro nas últimas eleições, com quase 25 mil votos, eleita nas pelo PT para a Câmara Municipal.

Tânia Ramos – candidata nas últimas eleições ao cargo de vereadora em Florianópolis/SC pelo PSOL. Na comunidade do samba, articulou a abertura de espaços de participação e de discussão sobre a igualdade de gênero. Participou do Conselho Municipal de Habitação de Florianópolis e atualmente é presidenta da Associação Cultural Creche A Casa do Povo, na comunidade da Coloninha, membra do Conselho Municipal de Saúde de Florianópolis, além de diretora da União Florianopolitana de Entidades Comunitárias (UFECO). 

Tatiana Cruz – cofundadora do Sarau Nosotras, um evento feito só por mulheres e para mulheres, em Porto Alegre (RS). Ficou tão fascinada com esse movimento que decidiu criar uma plataforma global no Instagram só para reunir essas vozes, o @1MinuteSlam.

Télia Negrão – jornalista, cientista política, militante na Rede Feminista de Saúde na Frente Parlamentar Feminista e Antirracista do Congresso. Nacionalmente, atuou na defesa dos direitos humanos das mulheres através de ações como o combate a violência doméstica durante a pandemia de Covid-19 e a violência política de gênero. 

Telma Taurepang – professora e coordenadora geral da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB), que atua em nove estados da região amazônica. Reside na Terra Indígena Araça, Mangueira, na região do Rio Amajarí, em um território do Povo Taurepang, que se estende entre Roraima e a fronteira com a Venezuela e a Guiana Inglesa.

Teresa Kleba – professora de Serviço Social e do Programa de Pós Graduação em Ciências Humanas da UFSC. Coordenadora do Instituto de Gênero da UFSC e integrante do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Saúde, Sexualidade e Relações de Gênero (NUSSERGE/UFSC). Foi convidada pela bancada feminina da ALESC a integrar o grupo de trabalho do “Observatório Social da Violência Contra a Mulher”, lei aprovada em 2015 e que finalmente começou a sair do papel em 2020. 

Thais Alemany, Festival Expancine – edição Mulheres Catarinenses, uma mostra inclusiva e voltada ao mapeamento e visibilidade do trabalho das mulheres nas artes visuais.

Valdelice Veron – integrante do povo Guarani-Kaiowá, é ativista e líder do grande conselho de articulação Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul. Ela não possui mais endereço fixo em razão das constantes ameaças sofridas.

Valéria Scarance – promotora de Justiça do estado de São Paulo, idealizou a cartilha #NamoroLegal, com dicas para reconhecer estágios da relação abusiva. 

Vanda Piñedo – integrante do Movimento Negro Unificado (MNU).

Vanuza Kaimbé – indígena do Povo Kaimbé da Bahia, estudante do curso de Serviço Social na Pontifícia Universidade Católica (PUC). Ela foi uma das cinco pessoas diagnosticadas com a Covid-19 logo depois de reivindicar alimentação, internet e computadores para a universidade, como uma forma de apoio para a continuidade dos estudos.

Verónica Gago – integrante do Ni Una Menos da Argentina e da coordenação internacional da Greve das Mulheres. 

Walderes Priprá, do Povo Xokleng/Laklano – trabalhou 12 anos como professora em uma escola na comunidade, cursa mestrado em História na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dentro da linha de pesquisa etnohistória, história Indígena e arqueologia, ela faz um levantamento sobre os locais de memória do Povo Laklãnõ, por onde os antepassados viveram para construir mapas dos locais que contam a história de seu povo. 

Winnie Bueno – escritora e pesquisadora, coorganizadora do livro “Tem Saída? – Perspectivas LGBTI+ sobre o Brasil” e idealizadora da iniciativa conhecida como “Tinder dos livros” que conecta pessoas através de obras. 

Yanderi Josefina Fernandez Pausayu, do Povo Wayuu da Colômbia – está no segundo ano do curso de Relações Internacionais e Integração na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). É a única estudante indígena de sua turma. Ficou no Brasil, longe de sua família, desde o início da pandemia.

Yara Karipuna – Yara Ayllyn dos Santos, do Povo Karipuna, trabalha como médica no Hospital Estadual de Oiapoque, no estado do Amapá. Na região, grande parte dos moradores são indígenas e um terço de todo atendimento do hospital são de pacientes indígenas vindos de aldeias ou de áreas urbanas de Oiapoque.

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