Iza Lourença (PSOL/MG), Ana Freire (PSOL/PE), e Luciana Boiteux (PSOL/RJ) são pré-candidatas a vereadora respectivamente de Belo Horizonte, Recife e Rio de Janeiro/Imagem: Portal Catarinas

Meu Voto Será Feminista lança mosaico de pré-candidatas progressistas

Postado em 13/08/2020, 10:17

 

O projeto-ação Meu Voto Será Feminista lança, nesta quinta-feira (13), a primeira versão do Mosaico Feminista, uma ‘lista’ de pré-candidatas do campo progressista que estão se colocando para as disputas a vereadoras e prefeitas em diversas cidades do país este ano. A partir do lançamento, o mosaico será atualizado semanalmente, para inclusão de pré-candidatas que se somarão às demais mulheres cis e trans. A expectativa é ultrapassar 500 candidaturas até o dia das eleições, em 15 de novembro.

Leia a Manifesta e entre para o Mosaico. 

Como argumentam as idealizadoras da iniciativa no documento “Manifesta 2020”, a pandemia do novo Coronavírus dá às eleições deste ano um contexto único na história. “Concomitante à crise da Covid-19 vemos agravar o cenário de violência social e se acirrarem os ataques à democracia e ao Estado de Direito. Esse quadro nos impõe uma urgência que alerta os sentidos e exige uma reação paradoxalmente sem pressa, mas focada na soma, na organização estratégica e na inspiração por um projeto político pautado na justiça social e no bem-viver para todas as pessoas”, afirmam.

Para as organizadoras não basta ser mulher, é preciso estar comprometida com a agenda política feminista. Por isso, o chamado é voltado às candidaturas progressistas e não simplesmente às candidaturas femininas, demarcando o feminismo como um lugar político à esquerda.

“Infelizmente nem todas as mulheres levam essas pautas feministas adiante. Apesar de pensarmos que todas as mulheres serão feministas e isso é só uma questão de tempo, muitas ainda estão num caminho contrário a projetos que valorizam a libertação feminina, os direitos sexuais e reprodutivos, como o aborto legal, seguro e gratuito. A gente fez uma carta compromisso para que todas as pré-candidatas se comprometam com os valores feministas. Restringimos um pouco, são candidaturas femininas sim, mas principalmente feministas por conta da agenda de justiça social real, para além apenas de um debate sobre paridade salarial que é mais liberal, que é importante, mas não pode ficar somente nisso”, explica Juliana Romão, co-criadora do projeto Meu Voto Será Feminista.

Cada pré-candidata que integra o mosaico assina a Carta-compromisso que resume os valores feministas, como lutar pela paridade de raça e gênero na política, criar uma agenda antirracista, montar uma gestão plural e inclusiva, lutar pelos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, pelo aborto legal, seguro e gratuito, entre vários outros temas.

“O MVSF é uma coletiva suprapartidária orientada à esquerda – explicitamente demarcada como feminista, pressuposto para qualquer construção de projeto de poder no executivo, legislativo ou judiciário. Para nós, a transformação só faz sentido social, político e histórico se conectada à agenda de enfrentamento ao racismo, ao machismo estrutural, às desigualdades e se estiver em constante luta pelas pautas históricas dos movimentos feministas progressistas”, diz trecho da carta.


Mosaico Feminista

O objetivo do mosaico é visibilizar as pré-candidaturas de mulheres. É uma maneira de fortalecer as campanhas e disseminar os projetos políticos que essas mulheres encampam com a finalidade de reverter o quadro de subrepresentação, ampliar a diversidade de mulheres no poder e favorecer a chegada mais qualificada e manutenção nestes espaços.

O Projeto MVSF nasceu em 2018 para potencializar lideranças feministas a atuarem nos espaços de poder, de modo cada vez mais qualificado, coletivo, solidário e conectado às demandas sociais das mulheres – especialmente das que sofrem violências ainda mais radicais, como as negras, pobres, periféricas, indígenas, LBTs – mas também de todas as pessoas que sofrem opressão.

Para o impulsionamento de feministas, o projeto dá visibilidade às candidatas com o Mosaico e convoca aliadas às campanhas, investindo de maneira permanente na cultura do voto feminista, para que efetive um projeto de democracia socialmente justo, dialógico e contrário a todas as formas de desigualdade e opressão.

“Nós mulheres, que vivemos exaustivamente a cidade, conhecemos bem o quanto elas são segregadoras, punitivistas, machistas, opressoras e tomadas pelo poder do capital. Sabemos que a lógica capitalista e o desenho urbano elitizado e masculino não nos contemplam […] Precisamos, então, apoiar lideranças feministas, mobilizar eleitoras, contribuir com campanhas de mulheres para fazê-las competitivas, e chegar ao poder com um projeto político consistente de mudança, para que sejamos muitas e em multiplicação”, diz a Manifesta 2020.

Meu Voto Será Feminista    

O Meu Voto Será Feminista é um projeto autogestionado e suprapartidário, criado em 2018 no ecossistema da movimentação PartidA Feminista e que a partir de 2019 ganha vida própria. As co-criadoras e gestoras do projeto – Bia Paes, Carol Vergolino, Daiane Dultra e Juliana Romão – estão sediadas em Recife/PE e comandam de lá o movimento nacional, potencializando o Nordeste na luta por mais mulheres no poder.

Co-criadoras e gestoras do projeto autogestionado e suprapartidário/Foto: MVSF

 

Nas eleições de 2018, o mosaico feminista foi formado por 96 candidatas, de seis partidos (Psol, PT, PCdoB, PCB, PSB, REDE), em 16 estados. Do total, 14 candidaturas foram eleitas, sendo 24 mulheres no poder, pois duas das candidaturas foram coletivas (Juntas/PE e Bancada Ativista/SP).

Somando todos os votos nas mulheres da plataforma, foram mais de 10 milhões. Em percentual, 15% da plataforma foi eleita, um número parecido com o que aconteceu no parlamento de maneira geral. Mais de 400 mulheres participaram das campanhas como aliadas, ampliando as condições de disputa, a atuação coletiva e a qualificação dos projetos políticos.

Enquanto projeto circular, que atua de maneira permanente na transformação da lógica de estruturação do poder no Brasil, historicamente concentrada nas mãos de poucos e homogêneos, o MVSF envolve:

Incidência política – atuação focada no parlamento, entre os Tribunais Regionais e Partidos. O foco principal a disseminação do debate sobre a violência política contra as mulheres. Em março de 2020 o projeto integrou a primeira Audiência Pública sobre Violência Política no Senado Federal.

Pesquisa – sistematização de experiência das parlamentares eleitas, acompanhamento das gestões executivas e legislativas.

Apoio e fortalecimento das eleitas – Fomento ao debate sobre a participação política feminina e engajamento nas gestões

Impulsionamento de campanhas (candidatas e aliadas) – por meio do mosaico feminista, aplicativo e convocação de aliadas às campanhas.

Compromissos feministas

Entre os compromissos listados na carta estão:

– Defender a paridade (qualificada) de mulheres na política;

– Lutar pela descriminalização e legalização do aborto;

– Defender legislações que lutem pelo fim da violência contra a mulher, bem como a implementação de políticas públicas de proteção, apoio e atenção às mulheres por meio da integralidade e humanização do atendimento em situação de violência;

– Lutar contra a violência obstétrica e pela humanização do SUS;

– Criar e impulsionar uma agenda antirracista que promova a reparação histórica às pessoas negras, a consciência social quanto a natureza estrutural do racismo e a criação de políticas públicas concretas de enfrentamento desta violência;

– Lutar pela garantia dos direitos à identidade, de ir e vir, acesso à educação, saúde integral, empregabilidade e representatividade das pessoas LGBTs;

– Defender a legalização das drogas, uma vez que a política de drogas proibicionista é a causa do alto crescimento do número de mulheres presas, a maioria delas por tráfico de drogas, bem como é o discurso da guerra às drogas que serve de pano de fundo ao genocídio da população jovem, negra, trans, favelada e periférica.

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