“Autonomia e Interdependência”: episódio debate acesso à educação, saúde, trabalho e lazer

Arte: Maria Augusta Scopel Bohner. Descrição da imagem: Fotomontagem com fundo na cor azul e sistema de escrita braille. Os rostos de quatro mulheres com deficiência estão dispostos em uma composição, sendo uma mulher negra e três mulheres brancas. Ao redor do rosto delas há um coração feito de quebra-cabeça; o desenho de uma lâmpada acesa; asteriscos; duas engrenagens; o símbolo internacional de acessibilidade e dois losangos distribuídos pela imagem. Na parte de baixo está escrito: Autonomia e interdependência. Cuidar do Futuro. Episódio 3.
Postado em 19/04/2022, 13:10

O terceiro episódio da temporada “Cuidar do Futuro” debate os direitos sexuais e reprodutivos e a invisibilidade das mulheres com deficiência nas políticas de saúde das mulheres 

Está no ar o terceiro episódio do “Cuidar do Futuro”, nova temporada do podcast “Narrando Utopias”. Em “Autonomia e Interdependência”, Fernanda Vicari, Laureane Lima Costa, Mariana Rosa e Vitória Bernardes falam sobre sobre autonomia e como ela está relacionada às possibilidades de escolha (individuais ou coletivas); acesso aos direitos (como educação, saúde, lazer, trabalho) e interferência do capacitismo nesses processos. 

“Quando a gente pensa nas pessoas com deficiência, vemos uma relação de dependência, né? Alguém que faz tudo e alguém que recebe tudo. E a gente não valoriza o que essa pessoa também está fazendo. Tem um artigo de uma companheira, a Helena daqui da UFRGS, sobre uma mãe que é super envolvida com uma associação de moradores. A filha tinha deficiência intelectual e era vista neste lugar de incapacidade, mas era ela que abria a associação, ela que fazia o café, ela que varria, mas as pessoas não conseguiam perceber isso. Porque nessa ideia, nessa narrativa capacitista, ela é a dependente”, lembra Vitória.

Vitória também fala da invisibilidade das mulheres com deficiência nas principais políticas públicas de saúde voltadas para as mulheres, inclusive na Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), considerada uma conquista do movimento feminista. 

“A política não menciona as mulheres com deficiência, não tem um capítulo dizendo como,  o que é. E isso é muito simbólico. É muito interessante essas nuances porque nós não deixamos de ser estupradas. A questão é muito mais o nosso protagonismo”, afirma.

Tem pesquisa, levantada pelo Fundo de Populações da ONU, que de 40% a 68% das mulheres com deficiência serão estupradas antes dos dezoito anos. Esse dado é chocante e demonstra o quanto essa intersecção entre gênero e deficiência precisa ser analisada, avalia Vitória Bernardes. 

Assim como no segundo episódio, o marcador da maternidade também aparece através das experiências de Mariana, que relata a dificuldade que enfrentou ao tentar matricular na escola filha de 8 anos, também com deficiência. Na rede particular, a criança chegou a ter a matrícula recusada seis vezes. 

“Eu também fui aprendendo aos poucos que a inclusão na escola pública hoje é melhor, mais avançada do que na escola privada, justamente por isso. Porque com uma política pública, ela se impõe com todos os erros e acertos desse processo”, conta Mariana.

O podcast “Cuidar do Futuro” faz parte de Narremos a Utopia, uma iniciativa do Inspiratorio.org para imaginar futuros feministas, interseccionais e inspiradores. A realização é do Portal Catarinas em parceria com o Prosa, grupo de pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina  UFSC, com consultoria do Coletivo Feminista Helen Keller. 

No quarto episódio, Fernanda, Laureane, Mariana e Vitória vão falar sobre possibilidades para garantia de direitos sociais básicos para pessoas com deficiência através da criação de uma política pública do cuidado. 

Confira a audiodescrição do episódio

 

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