Linha Editorial

Jornalismo com perspectiva de gênero

Catarinas é um portal de jornalismo especializado em gênero, feminismos e direitos humanos. Buscamos articular o engajamento feminista na construção de narrativas jornalísticas. Entendemos que unir o ativismo feminista à prática jornalística é uma estratégia potencializadora quando na busca de objetivos transformadores. Ao perceber as desigualdades de gênero existentes na sociedade, nos posicionamos no intuito de superá-las. Um jornalismo que se diz neutro ou imparcial acaba, consciente ou inconscientemente, servindo para a manutenção das relações de poder já existentes e, consequentemente, das violências ocasionadas por elas.

O contexto do Estado mais conservador do país nos motiva ainda mais a apostar no jornalismo feminista. Único estado em todo território nacional a carregar um nome baseado na figura de uma mulher, Santa Catarina ocupa posições de liderança em índices de violência contra as mulheres, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018. É o primeiro em violência doméstica e em tentativa de estupro, e o segundo em estupro.

O cenário nacional aponta para grandes retrocessos e coloca em risco direitos que duramente conquistamos ao longo de séculos de luta. A criminalização do ativismo é a tentativa de silenciar a resistência, mas responderemos aos ataques como a brilhante feminista negra e lésbica Audre Lorde, não deixando que o peso do silêncio venha nos afogar. Nos aliamos aos movimentos feministas atuais que resistem aos discursos reacionários e atuaremos para que nossas vozes sejam ouvidas.

Desta forma, a proposta do Portal compreende a perspectiva de gênero como um olhar analítico transversal, em que todos os assuntos podem ter experimentada essa chave de compreensão do mundo. A partir do entendimento de que a generificação das relações sociais se reflete em experiências diferentes na vida das mulheres, a cobertura jornalística demanda enquadramentos específicos às pautas tratadas.

Apostamos, assim, na valorização de vozes mulheres que comumente são invisibilizadas na mídia tradicional, e ao enfoque não estereotipado delas, buscando a multiplicidade das fontes. Compreendemos que o jornalismo produz uma forma de conhecimento e nos propomos a ampliar os saberes que o constitui, apostando na voz de diversas mulheres – indígenas, negras, brancas, lésbicas, periféricas, trans e cisgêneras, seja como fontes das reportagens ou como colunistas. Também nos empenhamos na tarefa de divulgar informações que sejam de relevância para a vida das mulheres e que são ocultadas por tabus morais e culturais históricos.

A linha editorial de Catarinas se encontra na intersecção entre o jornalismo como um direito e os direitos humanos como uma premissa básica para a produção do jornalismo.

Somos ativistas NO jornalismo, a partir do olhar político e ético para a necessidade da transformação social, e ativistas DO jornalismo enquanto profissionais que atuam pelo direito de exercerem sua profissão que é fundamental para uma sociedade democrática.

Nesta nova etapa do Portal, após dois anos da sua criação, consideramos o cenário de precarização da profissão que impacta diretamente na qualidade das informações que circulam na sociedade. O financiamento lançado para a manutenção da plataforma na Catarse objetiva manter o acesso gratuito aos conteúdos e qualificar a prática jornalística, entendida por nós não apenas como um fazer técnico, mas principalmente reflexivo e ético, demandando tempo e implicando em custos para as jornalistas que se dedicam à iniciativa.

Convergência de formatos, pluralidade de conteúdo

Catarinas é um canal de comunicação livre, que abrange o jornalismo especializado e de opinião, apresentado ao público nos mais diferentes formatos e/ou gêneros textuais, a partir das convergências possibilitadas pelo jornalismo na web. Nossas editorias também buscam as possíveis relações entre os termos gênero e feminismo com outras áreas como políticas, saúde, cultura, participação, direitos, entre outras.

Trabalhamos em três frentes relativas ao conteúdo:


Equipe Catarinas

O Portal conta atualmente com dez integrantes, associadas à Associação Portal Catarinas, entre elas uma antropóloga, duas administradoras, e sete jornalistas.

Conselho Editorial

O conselho editorial do Portal Catarinas é composto por mulheres de campos de atuação diversos para dar suporte teórico e pluralidade de ideias na construção do conteúdo especializado do qual temos como objetivo acompanhar, produzir e divulgar. Somam-se a este espaço

Cauane Maia

Cauane Maia

Cauane Maia é mestra em antropologia social pela UFSC, pesquisadora do protagonismo negro pela perspectiva do feminismo negro interseccional, integrante do Núcleo de Pesquisas em Fundamentos da Antropologia (A-funda). Bacharel em administração e graduanda em ciências econômicas. Integrante das Cores de Aidê, banda de mulheres que tocam samba-reggae em Florianópolis, com abordagem política sobre o combate ao racismo, violências de gênero e outras formas de opressão.

Emanuelle Goes

Emanuelle Goes

Emanuelle Goes é doutora em Saúde Pública com concentração em Epidemiologia (ISC/UFBA). Realizou Doutorado Sanduíche na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação (Universidade do Porto). Mestra em Enfermagem pela UFBA com concentração em Gênero, Cuidado e Administração em Saúde, na Linha de Pesquisa Mulher, Gênero e Saúde. Conselheira Nacional de Saúde pelo segmento de usuárias – Movimento Negro (2016). Idealizadora do blog População Negra e Saúde (2011) e fundadora do Odara – Instituto da Mulher Negra (2012).

Joanna Burigo

Joanna Burigo

Joanna Burigo é fundadora da Casa da Mãe Joanna, coordenadora pedagógica da Emancipa Mulher, mestre em Gênero Mídia e Cultura e escreve regularmente para Carta Capital. Também co-organizou dois livros, o Tem saída? Ensaios Críticos sobre o Brasil, e o Novas Contistas da Literatura Brasileira, lançados pela Editora Zouk.

Karina Janz Woitowicz

Karina Janz Woitowicz

Karina Janz Woitowicz é jornalista, mestre em Comunicação e doutora em Ciências Humanas, professora dos cursos de graduação e mestrado em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). É uma das coordenadoras do grupo de pesquisa Jornalismo e Gênero (UEPG).

Mariana Franco

Mariana Franco

Mariana Franco é graduanda de Serviço Social na Universidade Federal de Santa (UFSC), colunista Catarinas, presidente da União Nacional LGBT de Santa Catarina, coordenadora da União Brasileira de Mulheres (UBM), conselheira do Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres SC (CEDIM) e conselheira do Conselho Estadual dos Direitos da Juventude (Conjuve).

Monique Prada

Monique Prada

Monique Prada é trabalhadora sexual, escritora, feminista, ativista pelos direitos das prostitutas.

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Pietra Dolamita Kauwá Apurinã

Filha de Francisco e Mira, neta de Maricota e bisneta de Tomas e Lídia Apurinã. Mãe, não binária, Antropóloga, Arte Educadora. Caderneira, Argileireira e Escritora. Fundadora do Instituto Pupykari, Co-fundadora da ABIA – Articulação dos Indígenas Antropologes. Trabalha com mulheres Indígenas em contexto colonial. Estuda Antropologia da Violência. Atualmente faz Doutorado em Antropologia na UFF – Universidade Federal Fluminense. Integrante da Ruidosa Alma, grupo de Arte e Teatro. Integrante da Série Filhas da Terra: mulheres indígenas em luta contra a Covid-19 produzida pela Portal Catarinas.