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Imagem: Reprodução filme Estilhaços.

Florianópolis recebe festival de cinema inédito com produções realizadas por mulheres

Postado em 11/02/2022, 17:09

1º Festival Lanterna Mágica de Cinema Catarinense – Mulheres da Ilha começa neste sábado (12) e segue nos dias , 13, 19 e 20 de fevereiro no Ribeirão da Ilha

A história da centenária Banda da Lapa, de Florianópolis, em atividade desde 1896 (Memórias e Harmonias da Banda da Lapa). Uma mulher idosa, que foi diagnosticada em sua juventude com transtorno de personalidade limítrofe e acredita que não é capaz de morrer (Estilhaço). A luta das mulheres camponesas de Santa Catarina para que as sementes crioulas sejam preservadas (Mulheres da Terra). O amadurecimento passado por uma menina de 10 anos em único dia (Baile). Todas essas são histórias que estarão presentes no 1º Festival Lanterna Mágica de Cinema Catarinense – Mulheres da Ilha.

O evento será realizado em dois finais de semana, com atividades gratuitas nos dias 12, 13, 19 e 20. O local é o tradicional bairro do Sul da Ilha, conhecido pela gastronomia e arquitetura açorianas, o Ribeirão. Nesta primeira edição, moradores e turistas poderão conferir produções do cinema catarinense realizadas por mulheres e rodas de conversas depois de cada sessão. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados pelo Sympla. O evento cumprirá todos os protocolos de segurança em relação à pandemia e vacinação contra Covid-19. 

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Imagem: reprodução.

O Festival ainda vai promover um encontro de vários tipos de arte, como música, intervenções, exposição de artesãs do bairro e fotografia. Todas as atividades ocorrerão na Velha Guarda Choperia Artesanal, na Freguesia do Ribeirão, com opções de comida e bebida no local. “Estamos muito felizes em ter construído pontes através do Festival que possibilitam o reaquecimento da economia criativa, através das parcerias com bares, restaurantes, artistas, entre outros setores que serão atendidos pelo evento, como transporte”, aponta Emanuele Mattiello, uma das curadoras do evento.

O nome escolhido para o Festival, Lanterna Mágica, remete à primeira sessão de projeção de imagens em movimento na Desterro de 1785, quando foi o único povoado do Brasil a receber uma projeção por meio da “lanterna mágica”, um equipamento trazido pelo navegador La Pérouse. 

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Imagem: reprodução filme Memórias e Harmonias da Banda da Lapa | Crédito: Daniel Choma.

“Nosso objetivo é conectar o bairro, um dos mais tradicionais e queridos da Ilha, à produção audiovisual catarinense de mulheres. É um projeto que visa ainda contribuir para a formação de plateia”, fala a historiadora e produtora audiovisual Fernanda Ozório, da Volo Filmes & Fotografia, idealizadora do projeto e membra do Coletivo Lanterna Mágica. 

O foco do Festival em produtoras mulheres é pelo entendimento da organização do evento da importância de cada vez mais abrir e garantir espaços para a produção de mulheres no cinema brasileiro.

“Trazemos um recorte de filmes mais recentes e outros mais antigos, entre ficção e documentário, mostrando a força da produção feminina e feminista catarinense”, fala Vívian Badofszky, uma das curadoras do Coletivo Lanterna Mágica.

Fernanda Ozório conta que a primeira edição do festival já superou as expectativas: “As entradas gratuitas esgotaram e estamos organizando uma sessão extra, que em breve será anunciada no nosso Instagram, para ninguém ficar de fora. Estamos muito felizes com o interesse do público e a enorme procura”.

Espaço continuado de cinema no Ribeirão

Apesar de receber eventos culturais diversos, ainda que esporádicos, o Ribeirão da Ilha ainda não tinha nenhum espaço continuado de cinema. O Festival é apenas a primeira iniciativa do Coletivo Lanterna Mágica, composto por um grupo de artistas e profissionais de Florianópolis e criado para fomentar a pluralidade das artes e sensibilizar sobre temas sociais urgentes. Em 2022, também está prevista a inauguração do Cineclube Lanterna Mágica, que vai promover exibições de filmes e outras ações no bairro. 

O produtor Guilherme Luiz Porte destaca que o cinema catarinense é reconhecido nacionalmente e internacionalmente, mas que as produções raramente chegam até o público do estado. “Por isso o foco do Coletivo Lanterna Mágica é possibilitar um espaço de exibição contínuo para a população local e turística no Ribeirão da Ilha, através do festival e do cine clube. Fazer isso nesse bairro tão querido e que muitas vezes fica longe das salas de cinema é mais especial ainda”, relata.

Além de formação de plateia, um dos objetivos do Coletivo é aproximar a comunidade da cultura audiovisual e de outras manifestações artísticas, e ainda dar voz e espaço a temas importantes.

“Ações como essa, que destacam e valorizam as mulheres no setor audiovisual, por mais singelas que possam parecer, têm um poder de transformação e resistência enorme. Por meio da arte, podemos tocar em assuntos urgentes para a comunidade”, diz a curadora Emanuele Weber Mattiello.

O 1º Festival Lanterna Mágica de Cinema Catarinense – Mulheres Da Ilha foi criado pelo Coletivo Lanterna Mágica, formado por Fernanda Ozório, da Volo Filmes & Fotografia (idealizadora e produção geral), Emanuele Weber Mattiello e Vivian Badofszky (curadoras), Guilherme Luiz Porte (produtor) e Juliano Pfutzenreuter Nunes (direção de produção). O projeto foi selecionado pelo Edital Aldir Blanc 2021 e executado com recursos do Governo Federal e Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural, por meio da Fundação Catarinense da Cultura.

Serviço

O que: 1º Festival Lanterna Mágica de Cinema Catarinense – Mulheres da Ilha

Onde: Velha Guarda Choperia Artesanal – Rod. Baldicero Filomeno, 7260 – Ribeirão da Ilha, Florianópolis

Quanto: gratuito – confirme a presença pelo Sympla.

Mais informações: @coletivolanternamagica

Programação

12 de fevereiro

20h – Exibição e roda de conversa – Documentário “Memórias e Harmonias da Banda da Lapa”. Direção: Tati Costa e Daniel Choma (Câmara Clara). Classificação: Livre

21h30 – Pocket Show da Banda da Lapa. Classificação: Livre

13 de fevereiro

20h – Exibição e roda de conversa – Curta “Estilhaços”. Direção: Julie de Oliveira. Classificação: 16 anos

20h20 – Pré-exibição e roda de conversa – Curta “Nos habíamos amado tanto y detestado sin pudor”. Direção: Solana Llanes.  Classificação: 12 anos

20h às 22h – Fotografia lambe-lambe com Bárbara Nunes. Classificação: Livre 

19 de fevereiro

20h – Exibição e roda de conversa – Documentário “Mulheres da Terra”. Direção: Marcia Paraiso (Plural Filmes).  Classificação: Livre

21h – Roda de Choro. Classificação: Livre

20 de fevereiro

20h – Exibição e roda de conversa – Curta “Baile”. Direção: Cíntia Domit Bittar (Novelo Filmes). Classificação: Livre

21h – Esquete Contas do Mar. Classificação: Livre

20h às 22h – Exposição com artesãs do Ribeirão da Ilha. Classificação: Livre

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Estagiária sob supervisão da jornalista Paula Guimarães. Graduanda no curso de jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
Veja a coluna da Daniela Valenga