Caravana Lula pelo Brasil visita quatro cidades catarinenses

Postado em 27/03/2018, 10:00

A Caravana do Lula pelo Brasil passou por Santa Catarina no último fim de semana. Em Florianópolis, Lula cumpriu agenda com deputados e reitores do Instituto Federal de Educação (IFSC) e foi recebido no Largo da Catedral por milhares de pessoas. 

SC – O termômetro batia 33 graus quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao palco, no Largo da Catedral, em Florianópolis, do início da tarde do sábado (24). As duas horas de atraso não abateram o público, apesar de alguns terem passado mal devido ao forte calor. Cerca de dez mil pessoas lotaram o Largo da Catedral e o seu entorno na expectativa de ver Lula em sua primeira visita a Santa Catarina depois que deixou à Presidência da República. Na véspera, a passagem do ex-presidente pelo Rio Grande do Sul foi marcada por conflitos entre manifestantes pró-Lula e aqueles favoráveis à sua condenação.

Na capital Lula fez uma passagem rápida e se dividiu em duas agendas. A reunião com os reitores na Alesc e o ato político no Largo da Catedral | Foto: Sílvia Medeiros / Portal Catarinas

Em agenda intensa, Lula visitou quatro cidades catarinenses entre o sábado e o domingo, a começar pela capital. Em Florianópolis, se reuniu pela manhã com professores e reitores do IFSC no Plenarinho da Assembleia Legislativa. A casa legislativa que lhe concedeu título de cidadão catarinense, em 2008. Depois, foi recebido pelo público no Largo da Catedral.

Com a voz rouca, Lula falou sobre o período em que foi presidente, sobre as acusações que o condenaram em janeiro no TRF4 de Porto Alegre e sobre as eleições do próximo outubro. Ao final, desceu do palco, abraçou as pessoas e distribuiu autógrafos. O ato durou cerca de uma hora e a caravana seguiu para Chapecó.

A professora Cintia Priscila Cristofolini veio de Blumenau para ver Lula, a quem considera como expoente da luta dos trabalhadores. “Considero Lula um líder que representa o nosso povo. Em respeito a tudo que ele fez, vim a Florianópolis para agradecê-lo”, conta. Cintia esteve em Curitiba quando ocorreu o depoimento de Lula à Justiça Federal no ano passado e em Porto Alegre em 23 de janeiro, dia do julgamento pelo TRF4. “Nesses dias de encontro com o Lula gosto de observar a emoção das pessoas ao redor. Vejo gente de todos os tipos, idades e até classes sociais se emocionando com a presença dele”.

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Se por um lado há comoção, por outro há manifestações contrárias ao ex-presidente. Cerca de 200 manifestantes foram isolados pela Polícia Militar nos arredores da Praça XV de novembro, para evitar que se aproximassem do ato pró-Lula. Um boletim de ocorrência chegou a ser registrado por um casal que saía do ato e foi agredido por um grupo de manifestantes contrários ao ex-presidente.

A caravana enfrenta violência no Oeste do estado

O aguardo da chegada de Lula em Chapecó foi marcada pelo enfrentamento dos manifestantes pró-Lula que enfrentaram protestos e agressões de manifestantes contrários ao ex-presidente | Foto: Angélica Lüersen

Da capital, Lula seguiu direto para a região oeste do estado onde visitaria outras três cidades. A primeira delas foi Chapecó. Novamente, manifestantes contrários ao ex-presidente tentaram impedir sua chegada na região. A rua que dá acesso ao aeroporto foi bloqueada por um grupo, mas a caravana seguiu por um caminho alternativo. O ex-presidente chegou ao centro da cidade debaixo de forte chuva e foi recebido por cerca de oito mil pessoas na Praça Coronel Bertaso. No fim do ato em Chapecó, o ex-presidente seguiu a pé, da praça até o hotel, e foi cercado por um cordão humano que entoava o seu nome.

Uma delas era a agricultora familiar Dalvana Cordazzo, que veio do interior de Coronel Freitas, distante 22 quilômetros de Chapecó, para acompanhar o ato. Ela, que era criança quando Lula foi presidente, deposita esperança no ex-operário. “Foi Lula quem criou oportunidades para o povo que era invisível. Ele representa os nossos maiores anseios de mudança e nosso projeto de sociedade”, afirma.

Entre os eventos, Lula visitou uma Cooperativa de agricultores em São Miguel do Oeste | Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula

No domingo pela manhã, Lula foi visitar uma propriedade de Agricultura Familiar em Nova Erechim. Recebido por cerca de 300 agricultores e agricultoras da região, conversou sobre os desafios para a agricultura familiar e foi informado da série de leis criada no seu governo e que não foram aplicadas pelo Ministério da Agricultura. À tarde, Lula chegou a São Miguel do Oeste, seu último destino no Estado, onde cerca de seis mil pessoas o aguardavam. A chegada de Lula no extremo-oeste catarinense foi marcada por atos violentos e agressões à caravana. Em uma das ruas, alguns ônibus foram alvejados por pedras, pedaços de pau e ovos. O vidro dianteiro de um dos ônibus foi quebrado e um dos seguranças que estava com Lula sofreu um corte na orelha direita após ser atingido por uma pedra.

São Miguel do Oeste foi a última cidade catarinense que recebeu a visita do ex-presidente Lula | Foto: Cesar De La Plata

O ato reuniu lideranças de várias regiões do país. Enquanto Gleici Hoffman, presidente nacional do PT fazia seu pronunciamento, do alto de um prédio, uma pessoa jogou ovos contra participantes do ato pró-Lula, no palco. Gleici pediu apoio à Polícia Militar e chegou a dizer que se algo acontecesse, a responsabilidade era do Governo do Estado, tendo em vista que Lula é ex-presidente do Brasil. Na sua última fala em Santa Catarina, Lula declarou guerra ao ódio. Falou sobre a reação agressiva dos manifestantes e lembrou que aceitou a escolha do povo quando perdeu as eleições, em 1989, 1994 e 1998.

Apesar das mobilizações contrárias terem sido protagonizadas por grupos reduzidos em comparação com os apoiadores, a violência desmedida foi uma marca dos que se opuseram a presença da caravana em Santa Catarina. Em resposta o Partido dos Trabalhadores está denunciando e abrindo processo contra os organizadores dos protestos violentos que atacaram a caravana do Lula em Santa Catarina. Depois do estado, o ex-presidente segue com atos pelo Paraná com visitas a mais cinco cidades, encerrando a Caravana no Sul, na quarta-feira (28) em Curitiba.