A Argentina é referência na América Latina por movimentos sociais que, ao longo de décadas, enfrentaram violências, conquistaram direitos e fizeram suas reivindicações atravessarem as fronteiras do país.

Das lutas por memória, verdade e justiça diante dos crimes da ditadura militar às mobilizações feministas contra o feminicídio e pelo direito ao aborto legal, diferentes gerações ocuparam as ruas e transformaram demandas sociais em debates públicos.

Mulheres e jovens tiveram papel central nessa trajetória. Os lenços brancos das Mães e Avós da Praça de Maio e os lenços verdes da luta pela legalização do aborto, por exemplo, tornaram-se símbolos de mobilizações que alcançaram outros países latino-americanos, inclusive o Brasil.

Conheça alguns dos movimentos sociais argentinos que marcaram a história:

Mães da Praça de Maio transformaram o luto em luta

Em plena ditadura militar, mulheres começaram a ocupar semanalmente a Praça de Maio para exigir respostas sobre os filhos e filhas desaparecidos pelo terrorismo de Estado.

Com lenços brancos na cabeça, as Mães da Praça de Maio transformaram o luto em luta e se tornaram um dos maiores símbolos mundiais da defesa da memória, da verdade e da justiça.

A ocupação do espaço público pelas mães tornou visíveis os desaparecimentos e manteve a reivindicação por respostas sobre as vítimas.

Crédito: Cena do documentário “MADRES” (1996).

Avós da Praça de Maio e a luta pelo direito à identidade

Além da denúncia dos desaparecimentos, outra mobilização passou a buscar crianças sequestradas pela ditadura e entregues ilegalmente a outras famílias.

As Avós da Praça de Maio fizeram dessa busca uma luta pelo direito à identidade. Graças à mobilização da organização, mais de 140 pessoas recuperaram sua identidade.

A atuação das Avós tornou-se referência internacional na defesa desse direito.

Crédito: Wikimedia Commons / Niamfrifruli

Ni Una Menos levou o enfrentamento ao feminicídio às ruas

Em 2015, milhares de mulheres ocuparam as ruas argentinas após o assassinato de Chiara Páez. A mobilização deu origem ao Ni Una Menos, que colocou o feminicídio e a violência machista no centro do debate público.

O grito “Ni Una Menos” atravessou as fronteiras argentinas e inspirou mobilizações em diferentes países da América Latina.

A articulação mostrou a capacidade do movimento de transformar a violência contra as mulheres em uma questão coletiva e ocupar as ruas para exigir mudanças.

Crédito: FBA/Reprodução

Maré Verde e a luta pela legalização do aborto

O lenço verde se tornou outro símbolo das mobilizações feministas argentinas. Depois de décadas de organização, a Argentina aprovou, em 2020, a legalização do aborto até a 14ª semana.

Conhecida como Maré Verde, a mobilização reuniu milhares de feministas, profissionais da saúde, pesquisadoras, estudantes e organizações sociais.

A conquista argentina transformou o lenço verde em um símbolo que ultrapassou as fronteiras do país.

“Pibas” protagonizaram uma nova geração feminista

Adolescentes e jovens tiveram papel de destaque na Maré Verde. Conhecidas como pibas, elas se organizaram em escolas, universidades e redes sociais.

A participação das jovens ajudou a transformar o feminismo em um movimento de massa entre as novas gerações e mostrou que a política também é construída nas salas de aula, nas ruas e nos espaços digitais.

Crédito: Agência EFE

Feministas relacionam dívida externa e desigualdade

O movimento feminista argentino também levou suas reivindicações para o debate sobre economia. Feministas denunciaram como a dívida externa e as políticas de austeridade neoliberais aprofundam desigualdades e recaem principalmente sobre as mulheres.

O lema La deuda es con nosotras conecta economia, democracia e justiça social e reforça que as decisões sobre orçamento também são decisões sobre direitos.

Crédito: Gala Abramovich y Dan Damelio

Nos bairros populares, mulheres organizadas construíram outras formas de resistência. Piqueteras e trabalhadoras da economia popular criaram redes de cozinhas comunitárias, cooperativas, creches e espaços de cuidado.

As iniciativas mostram como o trabalho coletivo e a solidariedade cotidiana também fazem parte da organização política e social.

Crédito: Carla Thompson

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