Serão 12 horas de atividades durante todo o dia 8 de março/Foto: Mídia Ninja

8Marielle, Greve Internacional de Mulheres – programação e marcha em Florianópolis

Postado em 06/03/2019, 18:37

Somando-se à Greve Internacional de Mulheres, Santa Catarina reunirá a força de mulheres feministas no dia 8 de março para homenagear Marielle Franco, ativista e vereadora assassinada no Rio de Janeiro e maior símbolo das lutas que mobilizam o 8M no mundo. Atuante na defesa dos direitos humanos, Marielle denunciou a violência das polícias e das milícias no Rio de Janeiro e se tornou a voz de milhares de pessoas. Por seu enfrentamento, foi executada em um crime que há quase um ano permanece sem que conheçamos os culpados. Por sua luta em vida, por sua memória que nos faz continuar lutando por essas bandeiras, em 2019, o 8 de março é #8Marielle!

Leia a convocatória.

O dia de mobilização também inclui em suas pautas a denúncia da morte de centenas de mulheres assassinadas todos os anos no Brasil, mortas pelo racismo, machismo, pelo sexismo, capitalismo, pela lesbofobia, pela transfobia, pela bifobia. Mulheres que morreram por seu compromisso com a luta por direitos, como Marielle, e por lutarem pela proteção de vítimas de violência sexual, denunciando esses crimes, como a ativista Sabrina Bittencourt, que sofreu perseguição e constantes ameaças de morte.

No Brasil ocorrem manifestações em todas as capitais e em várias cidades. O cartaz abaixo traz os horários da concentração para os atos e marchas.

O cenário preocupante de Santa Catarina, um dos estados brasileiros com mais registros de violência doméstica contra as mulheres e primeiro em denúncias de tentativa de estupro, segundo o anuário da violência de 2018, merece destaque neste dia. Pela vida das mulheres, diversas cidades do estado terão atividades ao longo de todo o dia 8.

Em Florianópolis, a partir das 8h da manhã serão realizadas rodas de conversa na tenda principal, assim como diálogos nas oito tendas temáticas Mãe Gracinha, mães e doulas, aborto, violências, mulheres encarceradas, anticapitalista, produção de materiais, direitos trabalhistas e previdenciários, além de panfletagem e atividades artísticas, em frente ao Terminal de Integração do Centro (Ticen). Já a concentração para marcha das mulheres começa às 18h.

Entre as atrações artísticas que iniciam às 14h30, estão as apresentações musicais de Juliana Passos, MC k47, MC Mooa, MC Clandestina, Samba das Yabás, Oficina de Grafitte + Canetão, Yasgbás, Baque Mulher e Bloco Cores de Aidê.

Desde janeiro, o 8M está sendo construído de forma horizontal em Santa Catarina com a realização de oito reuniões para tratar da segurança, comunicação, infraestrutura, ações, mobilização e parte cultural dos eventos programados para a data.

“Se a gente encarar o 8M como processo internacional e não como fim, fica mais claro. O 8M tem uma coisa em comum, ou várias, que não apagam as nossas diversidades. Um processo de construção muito bonito. Não é só o dia 8 de março, mas como processo interno e coletivo de cada uma de nós de entender em que mundo estamos e como caminhamos juntas sem ofensas, entendendo que a gente consegue chegar a tal revolução, não integralmente, mas nas ações do cotidiano. O 8M nunca está pronto”, explica a integrante da organização Adriane Canan.

Segundo Luciana Freitas, também integrante do 8M de Santa Catarina, além do feminismo, há outros movimentos como o “mulherismo”, o “negralismo”, a organização das mulheres negras, e por isso vale muito mobilizar todas a mulheres para pensarem a questão da violência. “É uma outra dinâmica do 8M neste ano, ou do 8 de março ou do movimento das mulheres. A gente está alcançando lugares e falas que talvez antes a gente não via”, considera.

Para Carola Tonet, a própria construção do 8M contribui também para um diálogo intergeracional. “Há mulheres que estão há anos nos movimentos em diversas frentes em suas pluralidades, e sempre tem gente nova chegando. Têm várias mulheres de vários espaços, até espaços que a gente nem imaginava, tá ali escancarada as diversas realidades. Por mais que a gente esteja para firmar a nossa realidade, a gente percebe na prática, na construção do movimento, que a luta é de todas e que é muito mais amplo”, ressalta.

Entre as pautas políticas do 8M estão o direito de viver livre de violências; defesa da vida das mulheres lésbicas, bissexuais, trans e travestis, e das mulheres negras, indígenas e quilombolas; direito ao aborto seguro, legal e gratuito; garantia da inclusão e dos direitos das mulheres com deficiência; defesa da democracia e soberania nacional e garantia dos direitos trabalhistas e previdenciários.

Sobre pautas do 8M 2019 leia também: Ato de mobilização para o 8M em Florianópolis relembra Marielle Franco

A pauta da legalização e descriminalização do aborto figura como uma das temáticas centrais do 8M. “Nós estamos juntas no 8M na luta pela vida e pela autonomia das mulheres. Para que a gente tenha o direito de escolher, se a gente quer ou não levar adiante uma gravidez, que se ela decidir interromper, que ela tenha acesso a um aborto legal, seguro e de graça, não só nos casos em que o aborto já é legalizado no Brasil. Queremos educação sexual para decidir, contraceptivos para não engravidar e aborto seguro e legal para não morrer. A gente é a favor da vida digna, livre e feminista e, por isso, pela vida das mulheres, é que vamos para as ruas e convidamos todas as mulheres para que venham conosco”, afirma Carola Tonet, da Frente Catarinense pela legalização e descriminalização do aborto, em entrevista à Associação Catarinense de Rádios Comunitárias.

A reivindicação pelo direito à cidade, reconhecendo que o espaço urbano não foi projetado para atender à demanda das mulheres, também estará entre as pautas de mobilização. “Nós mulheres somos maioria no País, mas vivemos em um espaço urbano desenhado e construído majoritariamente por homens, em uma lógica masculina e machista, onde as mulheres têm muito pouco poder de decisão. Sofremos com problemas de segurança pública na cidade, como por exemplo ruas mal iluminadas e estreitas, sofremos com o transporte público precário, que dificulta a tarefa de levar a filha e o filho na escola, ir ao trabalho e depois chegar em casa para fazer a janta. Queremos mais do que igualdade, queremos equidade e o reconhecimento da importância da contribuição feminina nos espaços de decisão, na construção de uma cidade com justiça social”, explica a arquiteta e urbanista Elisa Jorge.

Além de Florianópolis, atos estão agendados em outras cidades do Estado, como Porto Belo, Blumenau, Chapecó, Lages, Itapema, Balneário Camboriú, Araranguá, Criciúma e Mafra.

Envie os atos e manifestações não listados para [email protected] .

Integrantes do 8M conversaram com o Portal Catarinas durante entrevista coletiva com as mídias independentes/Foto: divulgação 8M

 

As mobilizações continuaram durante todo o carnaval com a entrega de leques personalizados/Foto: divulgação 8M

 

Acorda Maria! Ações em escolas mobilizam estudantes e professoras/es

Desde janeiro ações de mobilização para a Greve Internacional de Mulheres vem ocorrendo em vários espaços, incluindo neste mês os blocos carnavalescos, quando foram entregues milhares de leques personalizados sobre o evento. Escolas de Florianópolis também receberam nas últimas semanas diversas atividades com o intuito de discutir com estudantes, professores e funcionários das escolas a desigualdade de gênero a partir de rodas de conversa, confecção de cartazes e performances artísticas.

Apesar de ser um período muito conservador, também percebemos que existe espaço para resistência nas escolas, sobretudo entre mulheres jovens, a vontade de se engajar na luta como sujeitas. Seria bem pertinente que depois do 8m, esse trabalho continuasse”, ressalta a integrante do 8M, Rebeca Neto.  

No Colégio Aplicação foi realizada uma roda de conversa, com a presença de cerca de 150 alunos secundaristas. A organizadora do 8M, professora, feminista e sindicalista Elenira Vilella, falou com os alunos sobre a Greve Internacional de Mulheres e as transformações do movimento desde 2017. “Elenira tratou sobre a importância da luta das mulheres, sobre machismo cotidiano e como a própria possibilidade de violência já impõe restrições às liberdades das mulheres”, relatou a estudante de Pedagogia Ana Bezerra, que atua na construção do 8M e participou da atividade.

Mesa redonda reuniu várias feministas em escola no projeto Acorda Maria!/Foto: divulgação 8M

A identificação com o tema, principalmente por parte das estudantes foi perceptível. “Teve uma hora que a Elenira perguntou ‘se vocês estiverem em uma rua escura a noite do que vocês têm medo?’ Os meninos começaram  a responder ‘de levarem as minhas coisas, meu celular, de perder a minha vida’ e as meninas foram unânimes em dizer ‘de ser estuprada, de ser violentada’. Os meninos não têm ideia do que é sentir esse medo”. De forma didática, a conversa perpassou essas situações cotidianas que afetam a vida das mulheres.

Após a roda, foi realizada ainda uma oficina de poesia ministrada por Karenn Ramisia da Rosa, chamada Poesia Resistente, a partir da seleção de autores e de poesias que falam sobre trabalho, ecologia, juventude e resistência. Para finalizar, o coletivo de danças urbanas South Flavor, fez uma apresentação. “Surgiu o interesse dos alunos em fazer camisetas e deixamos lá o spray, o stencil, e vai ser feita uma oficina para a confecção das camisetas”.

Outra iniciativa realizada na semana passada foi a participação de mulheres que atuam na construção do 8M na Escola Jovem, no Sul da Ilha, de Ensino Médio.  “A gente teve atividade a semana inteira, manhã, tarde e noite e a ideia partiu de uma professora da escola. A proposta é que essa mobilização na semana que antecede o 8M seja realizada anualmente, como parte do Projeto Político-Pedagógico da escola, colocando os alunos para refletirem sobre esse contexto cultural e social”, contou Ana Bezerra.

No Instituto Estadual de Educação (IEE) aconteceu a Primeira Jornada Acorda Maria, com atividades ao longo de toda a semana, com o objetivo de promover o debate sobre questões de gênero e repensar sobre o papel da mulher na sociedade contemporânea. O projeto envolveu estudantes, o corpo docente e funcionários da escola que que estão diretamente ligados aos alunos de 2 e 3 anos do Ensino Médio e 3 e 4 anos do Magistério.

Em palestras e debates, as atividades perpassaram as seguintes temáticas, que devem continuar sendo abordadas ao longo do ano nas diversas disciplinas: História da luta da participação feminina para a conquista de voto e de direitos trabalhistas; Direitos Humanos de proteção à mulher; Violência e feminicídio; História do surgimento da data referente ao Dia Internacional da Mulher; A lacuna da representação das mulheres na política; e O espaço da mulher na sociedade brasileira contemporânea.

Confira o vídeo especial que fizemos sobre o 8Marielle:

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