Marcha do Movimento de Mulheres Camponesas pelo fim da violência contra a mulher, em Brasília. (Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil)

Luta do Movimento de Mulheres Camponesas é tema de livro feminista

Postado em 11/02/2021, 13:03

A obra “Feminismo Camponês Popular: reflexões a partir de experiências do Movimento de Mulheres Camponesas” tem como autoras trabalhadoras rurais do país.

A rotina da camponesa Lucivanda da Silva, de 45 anos, começa às 5h da manhã nas plantações da zona rural de Governador Valadares (MG). Antes da pandemia, o sustento vinha da distribuição dos alimentos produzidos nas merendas escolares da região, mas agora precisa ir para cidade bater de porta em porta para conseguir vender seus produtos.

“Mesmo com dificuldades nós estamos caminhando, mas sabemos que tem muitas camponesas que não estão conseguindo escoar seus alimentos, pela distância, pelas dificuldades e por isso nós lutamos, através do feminismo camponês e popular, pelo direito de igualdade e oportunidade”, afirma Lucivanda.

Lucivanda é integrante do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) e uma das autoras do livro “Feminismo Camponês Popular: reflexões a partir de experiências do Movimento de Mulheres Camponesas”, lançado recentemente pelo Selo Outras Expressões, da Editora e Livraria Expressão Popular.

Capa do livro “Feminismo Camponês Popular: reflexões a partir de experiências do Movimento de Mulheres Camponesas”. (Foto: divulgação)

Nos 13 capítulos as camponesas trazem elementos e concepções construídos a partir da organização, formação e lutas do Movimento, desde seu surgimento, nos anos 1980. A publicação traz a história de luta de mulheres de diversas realidades do Brasil contra o sistema capitalista, patriarcal e racista.

“O feminismo camponês popular se junta à luta das ribeirinhas, meeiras, rendatárias, quilombolas, indígenas e também as que vivem na cidade”, explica Lucivanda.

Para as autoras, a obra trata-se de uma conquista que começou com o primeiro passo: lutar para sair de casa e do anonimato e se organizar coletivamente. Uma trajetória que passa pela luta intensa pelo reconhecimento das agricultoras como sujeitas de direitos, como a aposentadoria, o salário-maternidade e a documentação pessoal, até a afirmação da agroecologia feminista camponesa popular como modo de vida e projeto de sociedade.

O MMC hoje está organizado em 16 estados brasileiros, faz parte da Coordenadoria Latino-Americana das Organizações do Campo (CLOC) e da Via Campesina Internacional, sendo um dos movimentos autônomos de mulheres dentro das lutas do campo.

O livro pode ser adquirido pelo site da Livraria Expressão Popular.

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