Catarinas esteve presente na última edição do encontro em Montevidéu/Foto: Chris Mayer

15º Encontro Feminista da América Latina e Caribe em fase de pré-inscrições

Postado em 11/02/2020, 8:47

O 15º Encontro Feminista Latino-Americano e Caribe (EFLAC) será realizado em El Salvador, América Central, entre os dias 22 e 25 de novembro deste ano. As pré-inscrições estão abertas desde 4 de fevereiro neste site. Os encontros feministas da América Latina e do Caribe nasceram em Bogotá, há 36 anos, como a forma mais inovadora, diversificada e poderosa de “encontro” entre feministas da Região. A última edição do EFLAC ocorreu em novembro de 2017, em Montevidéu (Uruguai).  O Catarinas esteve presente na cobertura com cinco integrantes.

A comissão organizadora se prepara para receber mais de duas mil feministas da região. Nesta fase pode ser escolhida a categoria de inscrição com valores que vão de 50 a 300 dólares. Os valores mínimos dão acesso aos materiais do encontro e alimentação. Após a pré-inscrição, as organizadoras entrarão em contato para que o pagamento seja efetuado e garantida a participação.

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O EFLAC é um espaço de reflexão teórica e posicionamento político, e também tem sido uma plataforma de debate para o feminismo na região. Além disso, os encontros têm sido uma fonte de inspiração e compromisso com milhares de mulheres na América Latina e no Caribe, para se abastecer de ideias, emoções, aprendizado, perguntas, pistas e energia para continuar a árdua tarefa de defender os direitos das mulheres em cada um dos bairros, cidades e países de onde eles vêm.

“Realizar o 15º Encontro Feminista Latino-Americano e Caribe em El Salvador é um grande desafio e uma bela oportunidade para enriquecer o movimento feminista salvadorenho e centro-americano”, afirma a comissão organizadora.

“Deve-se notar que El Salvador foi a sede da 6ª EFLAC em 1993, mas em um contexto muito diferente. Naquela época, o país estava saindo de uma guerra e o movimento feminista estava começando a florescer, mas o desafio de se organizar de forma comprometida foi assumido apesar do contexto violento e fundamentalista da região”, destacam as organizadoras.

“Do comitê gestor consideramos que o 15º EFLAC é uma oportunidade de tornar visível o que vivemos na região centro-americana, para colocar problemas centrais como: deslocamento forçado, violência contra defensores dos direitos humanos,  social, violência sexual e feminicídio; gravidezes tributadas, a criminalização absoluta do aborto que servem para entender a realidade de todas as feministas da América Latina. Também para dar visibilidade toda a violência que enfrentamos por grupos anti-direitos; temos muito a contribuir para que juntos pensemos em como seguir em frente a perspectiva da irmandade feminista e da solidariedade, é isso que queremos transmitir nesta reunião.”

Sobre os temas que serão abordados na reunião, a comissão de conteúdo realiza uma metodologia de discussões onde retoma o processo que foi construído no Uruguai na décima quarta reunião. “Estamos ocupando diferentes temas que passam pelo nosso corpo, nossa história, mas acima de tudo queremos colocar a realidade centro-americana, ter debates sobre racismo, direito à cidade e uma vida livre de violência. Além disso, tentamos garantir que todos os temas discutidos tenham uma perspectiva da salvadorenha, mas que possam então ser ampliados para que os acompanhantes de toda a região forneçam seus suprimentos e façam a construção coletiva, que tem sido fundamental nas reuniões”, afirmam as integrantes da comissão de conteúdo.

Sobre o país
El Salvador é um dos cinco países do mundo que proíbe absolutamente o aborto. A pena teve sérias consequências, muitas mulheres foram condenadas a penas de prisão de até 40 anos, após enfrentarem emergências obstétricas e/ou partos fora do hospital. Eles são inicialmente processados por “aborto” e depois mudaram a criminalidade para homicídios agravados, como aconteceu com Teodora Vasquez, Evelyn Hernandez e 17 e muito mais.

Por essa razão, o movimento feminista salvadorenho apresentou em 2016 uma proposta de reforma do Código Penal, que buscava descriminalizar o aborto quatro causas causais. No entanto, não foi alcançado.

 

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