Os feminismos de todas nós

Postado em 02/08/2016, 10:11

28 de julho de 2016, dia do lançamento do Portal Catarinas na Fundação Cultural Badesc, no centro de Florianópolis. Fui convidada para fazer uma enquete com as mulheres presentes no evento. Enquanto mirabolava o que perguntaria, me peguei pensando o que eu mesma responderia ao questionamento que estava ansiosa para fazer: “o que o feminismo representa na sua vida, mana?”. Difícil, muito difícil. Como resumir em apenas uma frase algo em que me apoio diariamente para superar meus desafios?

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Concordo com a Migue Silva, secretária executiva de 51 anos, “eu estaria sendo leviana se conceituasse o feminismo de uma forma simples, é amplo demais. O que posso dizer é que o feminismo me protege”. A Jéssica Camargo, de 29 anos, também concorda: “como mulher, em todos os momentos da vida, somos cerceadas. Na escola, no trabalho, na rua e em casa, e o feminismo existe para nos libertarmos disso”.

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De acordo com um mapa da violência de 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais, o número de mulheres negras mortas cresceu 54% em 10 anos, entre 2003 e 2013, enquanto o número de mulheres brancas assassinadas caiu 10% no mesmo período.

“Existem dados evidenciando que a mulher negra é a que mais sofre com o machismo pois, além dele, ainda sofremos com o racismo. É um preconceito duplo. E, apesar disso, se é uma mulher branca que sofre determinada agressão, a mídia dá um destaque muito maior. Por isso acho que o feminismo na vida da mulher negra precisa ser ainda mais forte”, lamentou a enfermeira Cláudia Prado da Rosa, de 48 anos.

A Nega, cantora de 28 anos, acredita que o feminismo na vida da mulher negra representa o enfrentamento frente às estatísticas: “O feminismo pra mim é luta, a luta por ser reconhecida como uma pessoa. Pra mulher negra, o feminismo é a luta por nos livrarmos das amarras na coluna vertical”.  A fotógrafa Nira Pomar, de 35 anos, lembrou de uma violência ainda mais comum, aquela camuflada: “Já deixei de fazer coisas por ser mulher e mãe. Já deixei de ir atrás dos meus sonhos. A violência acontece muitas vezes dentro de casa, com a própria família. O feminismo abriu meus olhos, me fez refletir e me perguntar o porquê de não lutar pelo que eu queria”.

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Depois de tantas conversas, sorrisos e risos, encontrei a minha resposta: feminismo é isso, sororidade entre irmãs. Em um ambiente alegre, regado a vinho e boa música, me senti entre irmãs, mesmo que não conhecesse nem metade das mulheres que ali estavam. Para cada canto que olhava, reconhecia nos olhares o sentimento que eu mesma tinha, o de fazer a diferença.

O lançamento do Portal Catarinas foi, nada mais, nada menos, que uma reunião de mulheres com o mesmo objetivo: revolucionar. E é tudo isso que o feminismo representa, a união entre mulheres. Afinal de contas, o feminismo é feito por mulheres e para mulheres. Somos muitas, somos todas. Somos, simplesmente, mulheres!

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Mel Passarinho e a DJ Alexandra Peixoto no lançamento.

Carolina Lopes é jornalista e colaboradora de Catarinas.