O manifesto Fure a Bolha reuniu 95 motivos por que mulheres não deveriam votar em Jair Bolsonaro. São ofensas, posicionamentos, projetos de lei e ações de governo que atacam mulheres como indivíduos e como coletivo. Os dados coletados foram listados com as devidas fontes. 

De acordo com o Datafolha, 19% das mulheres ainda estão indecisas e tendem a definir o voto na última hora. A pesquisa IPEC divulgada no último dia 26 aponta que Lula tem 51% dos votos válidos de mulheres no primeiro turno. Também votam em Lula as famílias que recebem até um salário mínimo (57% das intenções de voto), pretas e pardas (51%), em residências em que ao menos uma pessoa recebe auxílio do governo federal (55%) e quem avalia negativamente a gestão Bolsonaro (80%).

Por que mulher não vota em Bolsonaro? Confira:

1.     Em 2014, em entrevista ao portal Zero Hora, Bolsonaro disse que não estupraria a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) porque ela não merecia, já que era feia.  

2.     Em 2017, durante uma palestra feita na sede do Clube Hebraica no Rio de Janeiro, Bolsonaro disse: “Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, aí no quinto eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”.   

3.     “Prefere sacar a Lei Maria da Penha ou uma pistola?’, disse Bolsonaro em 2022, ao pontuar que “há um candidato que quer transformar clubes de tiro em bibliotecas”.

4.     Perguntado em 2011 por Preta Gil o que faria se um de seus filhos se envolvesse com uma mulher negra, Bolsonaro disse: “Eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco. Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o seu”.  

5.     Em 2019, Bolsonaro afirmou que o Brasil não poderia ser um país de turismo gay, mas que “quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher fique à vontade”.  

6.     Em 2022, durante a cerimônia de homenagem ao Dia Internacional da Mulher no Palácio do Planalto, Bolsonaro disse que as mulheres estão “praticamente integradas à sociedade”.  

7.     Em 2022, Bolsonaro disse, referindo-se a Michelle Bolsonaro: “Como ela falava muito alto comigo em casa, eu falei ‘tu vai aprender libras’. Aí ela aprendeu libras”.  

8.   Em 2022, em fala sobre segurança pública, Bolsonaro disse: “Notícia boa para mulher é beijinho, rosa, presente, né?”.  

9.    Em 2017, Bolsonaro se referiu ao feminicídio como “mimimi”.  

10.  Bolsonaro criticou o aborto em caso de estupro de uma menina de 11 anos em Santa Catarina.  

11.  Em 2022 Bolsonaro sugeriu que os pais rasgassem as páginas sobre educação sexual da Caderneta de Saúde da Adolescente. 

12.  Chamou Brilhante Ustra, torturador que colocava ratos vivos nas vaginas de mulheres e torturava grávidas, de herói nacional.  

13.  Em 2016, quando foi entrevistado por Eliot Page, que na época se identificava como mulher cis e lésbica, Bolsonaro disse: “Você beira, com todo respeito a você, à teoria do absurdo. Até porque você, com a sua companheira, não geram filhos”. Depois, disse que assobiaria se a visse na rua.  

14.  Questionado sobre a participação das mulheres em seu governo, quando ainda era pré-candidato, Bolsonaro disse: “Não é questão de gênero. Tem que botar quem dê conta do recado. Se eu botar mulheres foi te que indicar quantos afrodescendentes?”.  

15.  Em 2019, Bolsonaro comentou uma postagem de Facebook que zombava da aparência da primeira-dama da França, Brigitte Macron, dizendo: “Não humilha cara. Kkkkkkk”.  

16.  Em comunicação diplomática, a ex-mulher de Bolsonaro afirma ter sido ameaçada de morte por ele.  

17.  Em 2021, Bolsonaro disse que arranjar emprego poderia se tornar “quase impossível” para as mulheres, caso ele sancionasse um projeto de lei que amplia a multa contra empresas que praticam discriminação salarial contra trabalhadoras. 

18.  Em 2014, Bolsonaro disse achar justo uma mulher ganhar menos que um homem para fazer o mesmo trabalho, pois pode engravidar e tirar licença maternidade. 

19.  Em 2012, Bolsonaro afirmou já ter batido em mulher, quando “era garoto na Eldorado”.  

20.  “Pela primeira vez na vida o número de ministros e ministras está equilibrado em nosso Governo. Temos 22 ministérios, 20 homens e duas mulheres”, disse Bolsonaro no Dia da Mulher de 2019.  

21.  Em 2016, após ter sido chamado de homofóbico, Bolsonaro acionou a polícia da Câmara para duas mulheres.  

22.  Em 2022, uma mulher disse ter sido empurrada no rosto por Bolsonaro em Juiz de Fora.  

23.  Em vídeo de 2022, Bolsonaro empurra a vice-governadora de Santa Catarina para trás de si.  

24.  Após tantas falas misóginas, o governo Bolsonaro foi condenado a pagar R$5 milhões por ofensas a mulheres.  

25.  Agressões e ameaças às mulheres da imprensa.

26.  Em fevereiro de 2020, Hans, ex-funcionário da empresa Yacows, afirmou que a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, teria oferecido relações sexuais em troca de informações. Fazendo menção ao caso, Bolsonaro disse: “Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim”.  

27.  Por sua fala contra Patrícia Campos Mello, Bolsonaro foi condenado a pagar uma indenização de R$35 mil por insinuação sexual. 

28.  Em 2021, a repórter da CNN Carla Bridi disse que um segurança de Bolsonaro sacou a arma e a ameaçou no Alvorada.  

29.  Em 2021, quando perguntado sobre a Covaxin, Bolsonaro gritou de forma ameaçadora com a jornalista Adriana de Luca e chamou sua pergunta de “idiota”. 

30.  Em 2019 acusou a jornalista Miriam Leitão de mentir ao dizer que foi torturada durante a ditadura militar.  

31.  Em 2020, Bolsonaro foi xenofóbico e se referiu à jornalista Thaís Oyama como a “aquela japonesa”, dizendo que “não sabe o que ela faz aqui no Brasil”.  

32.  Em 2019, Bolsonaro reproduziu uma acusação falsa contra a jornalista Constança Rezende, gerando uma onda de ataques de ódio à profissional.  

33.  Em 2022, em vez de responder a uma pergunta de Amanda Klein, Bolsonaro mencionou detalhes da vida da jornalista e a acusou de ser “leviana”. 

34.  Em 2019, Bolsonaro referiu-se à repórter Marina Dias como “qualquer uma”.  

35.  Em 2019, Bolsonaro constrangeu a repórter Sylvia Colombo, da Folha de S. Paulo, durante uma entrevista, dizendo que estava apaixonado por ela.  

36.   2019, Bolsonaro disse à repórter Isadora Peron: “Se eu te chamar de feia agora, acabou o mundo. Todas as mulheres vão estar contra mim”.   

37.  Em 2021, Bolsonaro chamou a repórter Driele Veiga de “idiota”.  

38.  Em 2021, Bolsonaro atacou a jornalista e apresentadora da CNN Brasil, Daniela Lima, chamando-a de “quadrúpede”.  

39.  Em 2014, Bolsonaro chamou uma repórter da Rede TV de “idiota”, “analfabeta” e “ignorante”.  

40.  Em 2022, Bolsonaro mandou uma repórter da Folha de S.Paulo calar a boca.  

41.  Em 2021, Bolsonaro mandou outra repórter, desta vez da TV Vanguarda, calar a boca.  

42.  Em 2022, no meio de um debate presidencial, Bolsonaro disse que a jornalista Vera Magalhães dorme pensando nele e que ela é uma “vergonha para o jornalismo brasileiro”.  

43.  Perguntado sobre ataques a mulheres, durante o debate presidencial de 2022, Bolsonaro falou em ‘joguinho de mimimi’, mais uma vez atacando Simone Tebet.  

44.  Em 2021, o advogado de Bolsonaro ameaçou a repórter Juliana Dal Piva: “Lá na China você desapareceria e não iriam nem encontrar o seu corpo”.  

45.  Em junho de 2021, ao ser perguntado sobre as vacinas contra a Covid-19, Bolsonaro disse para a repórter da Rádio CBN, Victoria Abel, “voltar para a faculdade, para o ensino médio, depois para o jardim de infância e aí nascer de novo”.

46.  Em 2021, atores políticos instigaram um terço dos ataques on-line de gênero contra jornalistas. Bolsonaro e seus aliados estão no topo da lista de agressores.  

47.  Em 2022, quando questionado por Renata Vasconcellos sobre declarações anteriores em que minimizou a importância da desigualdade salarial entre homens e mulheres, Bolsonaro tentou constranger a jornalista insinuando que ela receberia menos que William Bonner, apesar de exercerem a mesma função.  

48.  Em 2022, Bolsonaro foi condenado a pagar R$ 100 mil por danos morais a jornalistas.  

49.  Dados mostram que mulheres jornalistas recebem mais que o dobro de ofensas que colegas homens no Twitter – e Bolsonaro tem papel central nessa estatística.  

Ações como deputado 

50.  Em 1998, já como deputado federal e em campanha para reeleição, Jair Bolsonaro agrediu fisicamente Conceição Aparecida Aguiar, na época gerente da Planajur, empresa de consultoria jurídica e que atendia ao Exército.  

51.  Bolsonaro é um dos 13 autores do Projeto de Lei 6055/2013, que tinha como objetivo proibir o atendimento médico para vítimas de abuso sexual pelo SUS.  

52.  Em um programa de TV exibido em 2015, Bolsonaro se gabou: “Fui o único deputado, nos dois turnos, que votou contra todos os direitos trabalhistas das empregadas domésticas”.  

53.  Quando deputado, Bolsonaro assinou o pedido de revogação da lei que garante que vítimas de estupro tenham acesso gratuito à pílula do dia seguinte no SUS.  

54.  Em abril de 1999, a Câmara dos Deputados decidiu cassar o mandato de Talvane Albuquerque, que era suplente, por assassinar Ceci Cunha, titular da vaga de deputada. 29 deputados votaram contra, entre eles, Bolsonaro.  

Governo Bolsonaro 

55.  Em outubro de 2019, Bolsonaro vetou integralmente uma proposta que obrigava os profissionais de saúde a registrar no prontuário médico da paciente e comunicar à polícia indícios de violência contra a mulher.  

56.  Em outubro de 2021, Bolsonaro vetou a distribuição gratuita de absorventes menstruais para estudantes de baixa renda e pessoas em situação de rua.  

57.  No Dia da Mulher do ano seguinte, 2022, ele aprovou a distribuição como se fosse um presente, mas excluiu 2 milhões de mulheres.  

58.  Em novembro de 2021, ele ironizou o caso. “Mulher começou a menstruar no meu governo. (…) “Se o PT voltar, as mulheres vão deixar de menstruar e está tudo resolvido”.  

59.  Em julho de 2020, Bolsonaro vetou integralmente o projeto da Câmara dos Deputados (PL 2508/20) que dava prioridade para o pagamento do auxílio emergencial em cota dupla (R$ 1.200) para a mulher chefe de família (uniparental) quando o pai também informasse ser responsável pelos dependentes.  

60.  Em julho de 2021, Bolsonaro enviou ao Congresso Nacional o PL que cria o Dia Nacional do Nascituro e de Conscientização sobre os Riscos do Aborto, data inconstitucional que se espalhou pelos quatro cantos do Brasil.  

61.  Bolsonaro cortou 90% da verba disponível para ações de enfrentamento à violência contra mulher durante seu mandato.  

62.  Em 2019, uma orientação do Ministério da Saúde de Bolsonaro pediu para que seja evitado e, possivelmente, abolido o termo “violência obstétrica” em documentos de políticas públicas.  

63.  Bolsonaro não usou um terço dos recursos aprovados para políticas para mulheres desde 2019.  

64.  Uma cartilha do Ministério da Saúde lançada em 2022 afirma que “todo aborto é crime no Brasil” e que não existe aborto legal no país, produzindo desinformação, pois existe aborto legal no país.  

65.  O governo Bolsonaro tirou dinheiro das creches e o gasto federal com obras caiu 80% em 2021.  

66.  Governo Bolsonaro acentuou desmonte de políticas para mulheres, diz estudo do Ipea.  

67.  Até agosto de 2022, a Casa da Mulher Brasileira não havia recebido nenhum pagamento referente ao ano.  

68.  Damares, ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos do governo Bolsonaro, tentou impedir o aborto de uma menina de 10 anos que engravidou após ser estuprada no Espírito Santo.  

69.  Projetos de lei que tratam de aborto cresceram 77% entre 2019 e 2020, a maioria é desfavorável ao direito de escolha. Projetos de lei que tratam de violência sexual cresceu 56% no mesmo período. A maioria, também, é desfavorável à vítima.  

70.  A omissão do governo Bolsonaro à reserva indígena possibilitou a invasão do território por cerca de 20 mil garimpeiros. As violações de mulheres Yanomami aumentaram.  

71.  O governo Bolsonaro mudou regras para obrigar médicos a avisar a polícia sobre pedidos de aborto por estupro.  

72.  O projeto de ensino domiciliar do governo Bolsonaro aprovado na Câmara empurra mães brasileiras para a exaustão física e emocional.  

73.  Negou-se a assinar Declaração da ONU pelo direito e saúde das mulheres. 

74.  No Brasil, as mulheres negras tiveram a maior mortalidade por Covid que qualquer grupo na base do mercado de trabalho, situação que poderia ter sido diferente se o governo federal tivesse atuado para salvar vidas.  

75.  Bolsonaro disse que, durante seu governo, pacificou o MST e as mulheres foram as maiores beneficiadas. Segundo elas, ações do governo como o sucateamento do Incra aumentaram as ameaças à segurança alimentar e física dessa população.  

76.  De 2019 a 2021, a insegurança alimentar entre as mulheres brasileiras subiu 14 pontos percentuais, de 33% para 47%.  

77.  Entre 2020 e 2021, anos da pandemia, houve piora nos índices de diversos crimes de gênero: ameaças (aumento de 3,3%), lesões corporais (aumento de 0,6%), assédio sexual (aumento de 6,6%) e importunação sexual (aumento de 17,8%).  

78.  Sob Bolsonaro, o governo federal tem uma denúncia de assédio sexual por dia.  

79.  As mulheres ocupam apenas 12% dos cargos federais de 1º escalão no governo Bolsonaro.  

80.  A reforma da Previdência de Bolsonaro prejudicou mais as mulheres.  

81.  As armas de fogo, ostensivamente liberadas pelo governo Bolsonaro, são o principal instrumento utilizado para tirar a vida de mulheres no Brasil.  

82.  São as mulheres negras nordestinas as principais vítimas de crimes por arma de fogo no Brasil.  

83.  Em 2021, apenas 0,01% do valor global do fundo de segurança foi destinado ao combate à violência contra a mulher. Havia mais dinheiro previsto, mas o montante foi utilizado para bancar moradia policial.  

84.  Houve aumento de 35% de mulheres em situação de rua durante a pandemia.  

85.  Procedimentos de laqueadura tiveram redução de quase 50% entre 2019 e 2021 e encontraram obstáculos nas redes pública e privada de saúde.  

86.  Em 2020, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos defendeu a abstinência sexual como único método 100% eficaz para prevenir a gravidez precoce, produzindo mais desinformação.  

87.  O governo Bolsonaro deixou sem vale-gás mães pobres que têm filhos com deficiência.  

88.  A crise econômica dos últimos dois anos deixou as mulheres mais vulneráveis ao desemprego, à fome e à violência doméstica.  

89.  A taxa de exclusão escolar no Brasil aumentou de forma drástica desde o início da pandemia de Covid-19, afetando mais as meninas.  

90.  O governo Bolsonaro omitiu dados do Disque 100, um importante serviço de combate à violação dos Direitos Humanos. 

91.  Em 2021, o Governo Federal cortou 98% dos recursos para a produção de moradia para a população de baixa renda, prejudicando majoritariamente as mulheres – elas ocupam 60% das moradias precárias no Brasil.  

92.  Eduardo Bolsonaro e o líder do governo do Senado, Ricardo Barros, votaram contra a PEC do piso da enfermagem, profissão com 85% de mulheres no Brasil.  

93.  O governo Bolsonaro falhou em ampliar o programa que acolhe mulheres vítimas de violência, a Casa da Mulher Brasileira.  

94.  Para 2022, o governo federal reservou R$137 milhões no orçamento para custear o Auxílio Criança Cidadã. Entretanto, nenhum centavo foi empenhado. A consequência: as crianças que seriam atendidas pelo programa continuam sem creche.  

95.  As 686 mil mortes por Covid-19 afetam democraticamente a todos que ainda têm senso de humanidade. Mas há muitos sinais de que as mulheres ficaram bem mais vulneráveis aos efeitos da pandemia. Cultural, histórica e emocionalmente ocupando o papel de cuidadoras na sociedade, 50% das mulheres passaram a ser responsáveis pelos cuidados de alguém nesse período. Elas responderam por 72% das vagas assalariadas fechadas no primeiro ano da crise sanitária. Hoje, a taxa de desemprego entre mulheres é 54% maior que a de homens. Imagine aí que há uma estimativa de que são 11 milhões as mães solo que chefiam famílias e que, dessas, quase 60% estão abaixo da linha da pobreza. Agora, visualize aquela imagem de meninas e meninos tendo de dividir um ovo na merenda da escola. E lembre de Bolsonaro dizendo que a Covid-19 matou um “número insignificante” de crianças. Considere, ainda, que a política armamentista do atual governo levou a 1 milhão de armas nas ruas — armas que matam os filhos dessas mulheres, seja nas mãos de bandidos, seja na das polícias em larga medida bolsonaristas. Mesmo as mais conservadoras, que colocam a família como centro das preocupações, podem estar infelizes. Essa é a concretude de uma política misógina. Fonte: Canal Meio.

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