Meu Voto Será Feminista lança Mosaico 2022 de pré-candidaturas

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Imagem: Reprodução.
Postado em 11/08/2022, 14:02

Plataforma busca visibilizar feministas em na disputa eleitoral, fortalecer suas campanhas e disseminar os projetos políticos

O projeto-ação Meu Voto Será Feminista lança nesta quinta-feira (11), o Mosaico Feminista 2022. A plataforma reúne uma lista de pré-candidatas do campo progressista de todas as regiões do Brasil que estão na disputa para vagas como deputadas estaduais e federais, senadoras e governadoras nestas eleições.

Esta é a terceira edição do Mosaico, construído também para as eleições de 2018 e 2020. A expectativa para este ano é ultrapassar 400 candidatas em todo o país. A partir do lançamento, a lista será diariamente atualizada para inclusão de novas candidaturas, com inscrições abertas no site do Mosaico Feminista (clique aqui).

Atualmente, o Congresso Nacional é composto somente por 15% de mulheres. Apenas 11% são governadoras. É a menor taxa de ocupação da América Latina e do Mundo. Outro indicativo de como a taxa é baixa se dá pelo fato dela ser incompatível com a realidade das mulheres como maioria da população (52%) e maioria das eleitoras (53%).

“E se as mulheres são maioria da população, falar delas não é um nicho ou uma identidade, é tratar da população inteira”, ressalta Juliana Romão, co-criadora e co-gestora do projeto Meu Voto Será Feminista. 

O mosaico busca visibilizar as mulheres que se colocam na disputa eleitoral, fortalecendo suas campanhas e disseminando seus projetos políticos. A proposta é apoiar a presença pública delas, nas redes e ruas, para alterar o quadro de sub-representação, ampliar a diversidade de mulheres no poder e favorecer tanto a chegada mais qualificada como a manutenção robusta nestes espaços. 

No lançamento do mosaico, que está em site novo produzido especialmente para as eleições, também será apresentada a Manifesta 2022, um resumo dos anseios do projeto.  

“Votar numa candidata feminista e eleger uma feminista são parte de uma busca por transformação social”, destaca Bia Paes, também co-criadora e co-gestora do Meu Voto Será Feminista.

A organização aponta que os registros de candidaturas de mulheres plurais, negras, indígenas, brancas, periféricas, LBTs, com deficiência, dos campos, das águas, das cidades, representam plataformas políticas feministas compromissadas com uma agenda de direitos. “Estamos falando de corpo, de perfil, de diversidade, mas também de uma agenda programática, com condições de inserir as mulheres plurais no debate público, no orçamento e na construção de políticas públicas”, aponta Romão.

Carta-Compromisso

Pelo entendimento da necessidade de candidaturas alinhadas às causas feministas, cada candidata que integra o mosaico assina, no ato de inscrição, uma carta-compromisso do projeto. A carta sintetiza os valores feministas inegociáveis, como lutar pela paridade de raça e gênero na política, criar uma agenda antirracista, montar uma gestão plural e inclusiva, lutar pelos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, pela revogação das reformas trabalhista e o teto de gasto, entre vários outros temas. 

“A desigualdade não é genérica, ela tem marcadores muito específicos que fazem das diferenças caminhos de desigualdades sociais, econômicas, políticas, acadêmicas. Quando as feministas, necessariamente antirracistas, anticapitalistas, anticapacitistas, antiLGBTIfóbicas,  chegam ao poder elas politizam a realidade das mulheres, permitindo que sejam visíveis e integrem os planos de governo de maneira geral e também específica”, recorda Paes.

Por isso, as co-criadoras do projeto destacam que as ações das feministas em espaços políticos incidem em áreas plurais, como administração pública, ciência, transporte, economia, indústria, entre outras. “Todos os temas as envolvem, tanto no sentido da capacidade de buscar soluções, como no sentido de direcionamento”, fala Juliana.

Eleições 2022

As eleições de 2022 são decisivas para as mulheres. Para além de uma polarização política, ela ocorre sob um contexto de escalada de violência e de perda de direitos. Também, são as primeiras eleições que a Lei 14.192, contra a violência política de gênero, está em vigor. A legislação estabelece medidas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher nos espaços e atividades relacionados ao exercício de seus direitos políticos e funções públicas.

“É um ponto de partida que representa conquistas muito importantes, fruto de um longo processo e de uma ação orquestrada que envolve a sociedade civil, academia, poderes  judiciário e legislativo”, diz Juliana Romão. Porém, as co-criadoras ressaltam que a nova lei tem muitas questões que precisam de reformulação.

“Como o direcionamento muito punitivista e pouco preventivo, pedagógico, e a ausência do termo e conceito de gênero em seu escopo. Mas ainda assim é um marco no enfrentamento a essa expressão de violência no Brasil”, exemplifica Bia Paes.

Elas colocam que essa expressão de violência tenta impedir a participação política feminina de forma autônoma e independente. Os ataques são impulsionados por discriminação baseada em gênero, especialmente na medida em que as mulheres desafiam os papéis tradicionais e participam da política.

“Por isso a violência está em alta, agravada à galope. São as vidas das mulheres, literalmente, que estão sob ameaça, e esse é um risco altíssimo para se correr em uma fase de teste de uma peça jurídica. Precisamos de tempo e fiscalização para que ela amadureça e seja confiável”, explica Romão.

As co-criadoras lembram de leis recentes relacionadas a gênero e política que não foram implementadas de forma satisfatória. Há casos de partidos que não cumpriram as cotas mínimas dos 30% de candidaturas femininas ou que apresentaram candidaturas laranjas, e também de partidos que não dividiram adequadamente os recursos para as campanhas de mulheres. Os casos foram anistiados. 

Nesse cenário, Juliana e Bia aconselham que as estratégias de segurança das candidatas e de suas equipes devem ser redobradas nessas eleições, mesmo sendo a primeira sob as novas normativas de enfrentamento à violência.

“Não será nessas eleições que as campanhas feministas estarão mais protegidas pela lei, mas isso não diminui a importância da conquista. Seu funcionamento deve ser amplamente divulgado, até que seja bem compreendido e incorporado à cultura”, pontua Paes.

Impacto do Mosaico

“É um projeto de democratizar a democracia, que significa compartilhar o poder e construir caminhos para que a população em sua pluralidade acesse o debate sobre as decisões que afetam a vida de todo mundo”. É assim que Juliana Romão descreve o Mosaico, que existe desde as eleições de 2018.

Naquele ano, o mosaico feminista foi formado por 96 candidatas, de seis partidos (Psol, PT, PCdoB, PCB, PSB, Rede), em 16 estados. Do total, 14 candidaturas foram eleitas, sendo 24 mulheres no poder, pois duas das candidaturas foram coletivas (Juntas/PE e Bancada Ativista/SP). 

Somando todos os votos nas mulheres da plataforma, foram mais de 10 milhões naquele ano. Em percentual, 15% da plataforma foi eleita, um número parecido com o que aconteceu no parlamento de maneira geral.  Mais de 400 mulheres participaram das campanhas como aliadas, ampliando as condições de disputa, a atuação coletiva e a qualificação dos projetos políticos. 

Em 2020, ano de eleições municipais, o Mosaico reuniu 288 candidaturas feministas em nossa plataforma, mesmo com os desafios impostos pela pandemia. Elas eram feministas de 117 cidades, 22 estados e 09 partidos políticos. Juntas, as candidaturas conquistaram 44.377.783 votos.

No período eleitoral, foi feito também um trabalho de incidência pela distribuição de recursos de acordo com a previsão legal. O resultado contribuiu para a eleição de 2 prefeitas, 26 vereadoras e 5 co-vereadoras, e, portanto, para a condução de 33 feministas ao poder. 

“O mais poderoso de tudo é que temos a certeza de que não somos as únicas responsáveis pelos resultados. Eles são fruto de um trabalho miúdo, diário e permanente, muitas vezes invisível. O sucesso dos números que apresentamos dos nossos mosaicos é um acúmulo das parcerias que cultivamos durante os anos”, destaca Bia Paes.

Meu Voto Será Feminista

O Meu Voto Será Feminista é um projeto-ação para a visibilidade democrática de mulheres diversas, com o objetivo de fortalecer a ocupação delas nos espaços de poder e aproximar a sociedade da política, por meio de estratégias de comunicação, articulação em rede, engajamento social e participação popular. O projeto nasceu em 2018 para potencializar lideranças feministas e desde então atua nas eleições e entressafras eleitorais. 

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Imagem: reprodução.

O ciclo de fortalecimento consiste em apoiar candidaturas feministas, o aperfeiçoamento da legislação de cotas eleitorais; promover a cultura e o constante debate sobre o voto feminista; apoiar candidatas, mandatas eleitas e dar visibilidade a essas experiências; manter a sociedade engajada e comprometida com a construção da democracia feminista. 

“Atuamos em rede e em complementaridade. Percebemos nosso contexto com muito respeito para que possamos multiplicar e não para disputar entre nós. Nossa forma de atuar prefigura também a sociedade e a política feminista que desejamos e pela qual trabalhamos. Abundância, cooperação, parceria”, explica Juliana.

Elas citam como parceiras do trabalho desenvolvido o Instituto Update, PartidA, Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma Política, Feminicidade, Mapa das Minas, Eu Voto em Negra, Portal Catarinas, SOS Corpo, Cfemea, Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, REDEH, Instituto Marielle, Fundo Brasil, Políticas HQ, Minas de HQ, mandatas feministas e movimentos sociais diversos.

“Estamos no caminho e precisamos ser mais, muito mais. Há sempre espaço para feministas na política, ora como aliada, candidata, ou mandatária”, finaliza Bia.

Serviço

Lançamento do Mosaico Feminista 2022

O que é: plataforma que reúne candidaturas feministas de todo o Brasil.

Quem lança: Meu Voto Será Feminista.

Como acessar: pelo site https://mosaico.meuvotoserafeminista.com.br/

Como participar: preenchendo o formulário e assinando a carta-compromisso.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
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