Deputados de Santa Catarina divulgaram e apoiaram os atos de terrorismo que ocorreram em Brasília no último domingo (8), em postagens nas redes sociais. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadiram e depredaram os prédios dos três poderes: Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal.

O deputado Kennedy Nunes (PTB) divulgou o ato pelas redes sociais, publicando vídeos do momento em que os terroristas subiam a rampa e entravam no Congresso Nacional. Após as repercussões negativas, Nunes compartilhou que os atos de violência foram executados por infiltrados.

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Imagens: reprodução Instagram.

A justificativa dos infiltrados vem sendo usada nas redes bolsonaristas para transportar a responsabilização pelos atos terroristas. Porém, a estratégia é derrubada pelos próprios registros produzidos pelos bolsonaristas, como é o caso de Fátima Mendonça, de 67 anos, moradora de Tubarão, Sul de Santa Catarina.

O deputado Jessé Lopes (PL) compartilhou imagens dos atos e teorias da conspiração de Olavo de Carvalho. Depois, com a repercussão, desaprovou a violência: “Com o que aconteceu não se resolveu nada e só ganhamos repúdio de todo mundo”, escreveu nas redes sociais. Lopes também comparou a interferência federal na segurança do Distrito Federal, realizada pela falta de ação do governo de Brasília em parar os terroristas, com “táticas do Partido Comunista Chinês”.

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Imagens: reprodução Instagram.

Ricardo Alba (União Brasil) compartilhou notícias e imagens de quando os terroristas invadiram o Congresso Nacional. Depois, uma notícia da Jovem Pan sobre a crítica de Bolsonaro aos atos e acusações feitas por Lula de que ele estaria envolvido.

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Imagens: reprodução Instagram.

A deputada Ana Campagnolo (PL) compartilhou imagens dos atos terroristas e tweets ironizando a situação. Após a repercussão de suas postagens nas redes sociais, escreveu: “Serão processadas as personalidades que me acusarem de qualquer crime (como apoio atos terroristas) ou praticarem qualquer tipo de difamação contra mim”, apontando Alexandre Frota, Bruna Marquezine e Giovana Mondardo, que compartilharam suas postagens.

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Imagens: reprodução Instagram.

Entramos em contato com os quatro deputados citados pedindo um posicionamento sobre os atos em Brasília e postagens feitas nas redes sociais, mas não obtivemos nenhuma resposta até o momento do fechamento da reportagem.

Posicionamento da Alesc

Em nota publicada na manhã da última segunda-feira (9), a Assembleia Legislativa de Santa Catarina reprovou os atos de violência e vandalismo. “Não é possível tolerar atos antidemocráticos e violentos que avançam sobre os prédios públicos e às instituições e autoridades legal e legitimamente constituídas. Todas as manifestações são aceitas, desde que sejam pacíficas”, diz a nota.

O documento ainda afirma que o Poder Legislativo catarinense espera “das autoridades constituídas competentes rigor na apuração e penalização exemplar das responsabilidades”. A nota não fala nada sobre punição para os deputados que divulgaram e apoiaram os atos.

Jorginho Mello

Ainda na noite do domingo, o governador do estado, Jorginho Mello (PL), criticou a violência em Brasília. “Precisamos trabalhar pelo país, de olho nos valores que acreditamos e defendemos, mas jamais com uso da violência. É preciso lembrar os comportamentos que tanto criticamos e agir diferente. Manifestações são legítimas quando são pacíficas”, disse nas redes sociais.

Mas, conforme apurou a coluna de Dagmara Spautz, em primeiro momento, o governador não iria à reunião que ocorreu entre membros do Fórum de Governadores e Lula, na segunda-feira, para discutir os ataques e reforçar a união dos governadores pela democracia.

“Ao decidir não participar de reunião com o presidente do país após ataques terroristas, Jorginho demonstra falta de comprometimento democrático, complacência com o terrorismo, e coloca birra ideológica acima dos interesses do estado de Santa Catarina”, apontou a historiadora Jana Rambow no Twitter.

Após as repercussões da informação de que Mello seria o único governador a não comparecer, ele mudou de posição e decidiu ir à reunião. Ao se pronunciar sobre o encontro nas redes sociais, o governador não falou sobre os ataques ou sobre a defesa da democracia: “Participei da reunião com os 27 governadores em Brasília. SC é um estado de gente séria, trabalhadora e pacífica! Irei representar nosso estado e nossa gente defendendo nossos princípios onde quer que seja, em qualquer circunstância pois fui eleito para isso”.

Desmonte do acampamento em Florianópolis 

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, determinou, na madrugada de segunda-feira, a desocupação, em 24 horas, dos acampamentos instalados em frente aos quartéis desde 30 de outubro. Segundo o ministro, os bolsonaristas acampados cometeram os crimes de atos terroristas, associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, ameaça, perseguição e incitação ao crime.

O Comando-Geral da PMSC se reuniu na manhã de segunda com o governador Jorginho Mello para falar sobre a determinação. Durante a tarde, os acampamentos no estado foram desmontados, nos municípios de Florianópolis, Itajaí, Blumenau e Joinville.

Em Florianópolis, o acampamento em frente ao prédio do 63º Batalhão de Infantaria começou a ser desmontado por volta das 15h50. Mesmo com a retirada das barracas e banheiros químicos, bolsonaristas seguiram na rua. Às 17h20, os golpistas entraram na sede do Exército, onde ficaram até às 17h37. Alguns deles continuaram nas ruas até a noite.

Durante os atos terroristas em Brasília, uma das invasoras que compartilhou imagens nas redes sociais se identificou como integrante do grupo acampado em frente ao 63º Batalhão. “De Florianópolis, 63 BI”, disse Cristiane Dumont, em um vídeo dentro do plenário do Senado, enquanto comemora a invasão.

Daniela Valenga

Jornalista formada pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

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