Ilustração: Maria Augusta Scopel Bohner/Identidade visual: Lara Benedet.

Podcast traz debate sobre Bem Viver e Agroecologia

Postado em 17/08/2021, 15:22

No terceiro episódio do podcast “Mulheres Semeando a Vida”, Geni, Geovana, Justina, Kerexu, Nina, Noeli explicam como o Bem Viver e a Agroecologia são uma alternativa na luta luta feminista, anticapitalista e antirracista.

Está no ar o terceiro episódio do Mulheres Semeando a Vida, um podcast para esperançar. No episódio de hoje, Geni, Geovana, Justina, Kerexu, Nina e Noeli, integrantes da Comissão Guarani Yvyrupa (CGY) e do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), falam sobre Bem Viver e Agroecologia. 

O Bem Viver é uma concepção de vida proveniente das vivências ancestrais dos povos indígenas: o Sumak Kawsay, dos Quéchua, das regiões hoje conhecidas como Peru e Equador; o Suma Qamaña, dos Aimara, da região chamada atualmente Bolívia; e o Nhanderekó, dos povos Guarani, das regiões conhecidas hoje como Brasil e Paraguai.  

A filosofia do Bem Viver busca o fortalecimento das relações comunitárias e solidárias. Além disso, o Bem Viver não considera a terra e o meio ambiente como mercadoria. Para os Guarani, o nhanderekó pode ser chamado de Bem Viver, pois não existe uma tradução.

“ […] nhanderekó é onde a vida está, relacionado com todos, com o corpo, com o espaço, com a parte do ambiente. E nós conseguimos fazer circular essa vida, esse respiro, que eu consigo compartilhar com as plantas, com os animais, e com outros seres humanos. Então isso para nós é o nhanderekó, é viver esse Bem Viver”, explica Kerexu Yxapyry, CGY Santa Catarina.

Confira o terceiro episódio, clicando aqui. 

O Bem Viver é apresentado pelas mulheres como uma alternativa na construção de um mundo com mais justiça, solidariedade e diversidade. Para que ele ocorra, é necessário não só uma forma de economia anticapitalista, mas também outro modelo de produção de alimentos. Nesse sentido, a Agroecologia surge como uma prática que pensa em agroecossistemas sustentáveis, sem uso de agrotóxicos, respeitando a diversidade cultural e da própria natureza, que tem como objetivo a segurança alimentar. Para o MMC, Bem viver e Agroecologia estão ligados à dignidade das mulheres pelo modo de vida contrário à exploração do sistema atual capitalista, patriarcal e racista.

“A gente sempre trabalha assim muito que o Bem Viver está ligado a várias questões, não está ligado apenas na questão da produção […] para nós o Bem Viver perpassa pela destruição do modelo capitalista, do patriarcado e do racismo. Então ele está interligado com isso. A Agroecologia que nós defendemos é produzir alimento de qualidade, saudável para nós, para nossas unidades de produção, para nossas famílias, mas também para a classe trabalhadora”, fala Noeli Welter Taborda, MMC Santa Catarina. 

Além disso, a reforma agrária e a demarcação das terras indígenas são apontadas como fundamentais para construção do Bem Viver e manutenção das práticas agroecológicas que as mulheres indígenas e camponesas vêm desenvolvendo. Justina Inês Cima, do MMC Santa Catarina, explica que as mulheres camponesas vivem uma disputa no campo com os grupos de poder capitalistas que planejam a concentração de renda, de terra e de bens naturais – as violências que essa disputa desigual cria são o que tornam tão urgente a reforma agrária.

No caso das mulheres indígenas é importante destacar que, hoje, os povos indígenas têm o direito “originário à terra” ameaçado pelo Marco Temporal, uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que defende que povos indígenas só podem reivindicar as terras onde já estavam no dia 5 de outubro de 1988, o dia em que entrou em vigor a Constituição Brasileira. Essa tese ignora basicamente o histórico etnocida inaugurado há mais de quatro séculos com a invasão dos europeus no território, hoje, chamado América.

“A demarcação de terras é a pauta principal, não só nossa, mas como de todo o movimento indígena. Essa é a nossa grande pauta de luta”, contextualiza Geni Ñunez, CGY Santa Catarina. 

Confira o primeiro e o segundo episódios, clicando aqui. 

A ação compõe a campanha “Mulheres Semeando a Vida” e faz parte do projeto Narrando a Utopia, uma iniciativa de Puentes para imaginar um futuro feminista, interseccional e inspirador.

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