Mulheres Semeando a Vida Narrando Utopias Puentes
Ilustração: Maria Augusta Scopel Bohner/Identidade visual: Lara Benedet.

Mulheres indígenas e camponesas plantam no presente um futuro de esperança

Postado em 02/08/2021, 12:15

Geni, Geovana, Justina, Kerexu, Nina e Noeli unidas pela construção do Bem Viver. Por um mundo com justiça de gênero, ambiental e social; um mundo feminista onde caibam todos os mundos e o cuidado seja a ética.

A convivência harmônica com a natureza que nos cerca é apontada como um dos grandes desafios de nosso tempo, dela dependem a sobrevivência dos rios e mares, dos animais e da humanidade. O Portal Catarinas em parceria com o Prosa, grupo de pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), lança no mês de agosto a campanha “Mulheres semeando a vida”. A ação une tecnologia, comunicação e educação para narrar um futuro de esperança através das histórias e práticas agroecológicas de mulheres indígenas e camponesas em suas comunidades. 

Toda ação recebeu consultoria do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) e da Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), com o objetivo de que o protagonismo fosse realmente das indígenas e camponesas. As mulheres entrevistadas também integram esses movimentos: Geovana Castelo Branco, mulher do campo de 50 anos que vive em um assentamento da Reforma Agrária no Acre; Maria Madalena dos Santos, a Nina, quilombola de mais de 70 anos que vive no interior da Bahia; Justina Inês Cima, 65 anos; e Noeli Welter Taborda, 40 anos, ambas mulheres do campo do Oeste de Santa Catarina são do MMC. Já Kerexu Yxapyry, mulher indígena Mbyá-Guarani, de 41 anos, da Terra Indígena Morro dos Cavalos, em Palhoça (SC); e Geni Núñez, de 30 anos, indígena Guarani, de Florianópolis (SC). 

“De alguma forma as nossas pautas beneficiam todo mundo e beneficiam inclusive não humanos, no sentido desse cuidado com a terra, com os seus, com os demais seres”, explica Geni (CGY), em uma das entrevistas.

Assista o teaser de lançamento:

“Estamos passando por um momento de crise global, acentuado no Brasil pela política de morte do governo Bolsonaro, a ideia da campanha é narrar as histórias de mulheres que no presente já estão organizadas na luta coletiva para construir as sociedades que sonham. Para nós, saber que existem mulheres por todos os cantos do Brasil construindo ações belíssimas em seus territórios e comunidades foi acalanto. Um chamado para permanecer no ativismo: sonhando e construindo. Nosso desejo é que isso chegue ao público também. Cada peça da campanha, de certa forma, também tem esse objetivo: esperançar”, explica Inara Fonseca, jornalista do Portal Catarinas e coordenadora do projeto. 

Durante dois meses, as mulheres indígenas e camponesas foram entrevistadas e convidadas a contarem suas histórias de vida e de luta para criação do Bem Viver. “As práticas sociais dessas mulheres, no trabalho cotidiano da agroecologia, se revestem de uma lógica de compromisso comunitário, soberania alimentar, afetividade e respeito ecológico”, complementa Inara. 

“A nossa semente não é só uma semente para produzir comida, mas ela é uma semente para pensar uma sociedade baseada nos valores do cuidado, do amor, da solidariedade”, afirma Noeli (MMC), em uma das entrevistas.

Para ampliar a audiência da campanha, múltiplos formatos foram utilizados. Ao longo do mês de agosto, o Catarinas irá divulgar a série com três episódios “Mulheres Semeando a Vida” em formato de podcast; entrevistas no site com todas as mulheres; peças gráficas com frases inspiradoras nas redes sociais do Catarinas e um vídeo final. A cooperação com o Grupo Prosa foi fundamental para a execução dos produtos. 

“O Grupo Prosa é transdisciplinar, temos pessoas de diferentes áreas, como: educação, designer, cinema, computação. E o sentido da existência do Prosa é justamente contribuir com a realização de projetos engajados com sujeitos vítimas do sistema de totalidade injusta, ou seja, projetos engajados com a transformação da realidade. Então, o Mulheres Semeando a Vida tem uma relação muito estreita com o nosso objetivo. O próprio Catarinas também, pois fica muito claro seu enfoque na luta por justiça de gênero. Enxergo que essa união entre educação, tecnologia e comunicação é muito potente para a transformação que sonhamos”, contextualiza Elizandro Maurício Brick, professor da UFSC e coordenador do Prosa. 

Para finalizar, Kerexu (CGY) conta como a utopia é fundamental na existência e construção cotidiana do povo Mbyá-Guarania. “A utopia existe porque o sonho é presente, a gente sonha e existe. É nessa busca que a gente está. O sonho está junto de nós e dá suporte de ações no nosso território”, afirma.

A campanha “Mulheres semeando a vida” faz parte do projeto Narrando a Utopia, uma iniciativa de Puentes para imaginar um futuro feminista, interseccional e inspirador. 

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Créditos:

Roteiro: Inara Fonseca e Vandreza Amante
Pesquisa: Inara Fonseca, Vandreza Amante, Heloísa Cargnin Domingos e Elizandro Maurício Brick
Edição: Thaísa Brandão Comber
Ilustrações: Maria Augusta Scopel Bohner
Identidade Visual: Lara Benedet
Consultoria: Movimento de Mulheres Camponesas-MMC e Comissão Guarani Yvyrupa-CGY
Entrevistadas: Geni Núñez, Geovana Castelo Branco, Justina Inês Cima, Kerexu Yxapyry, Maria Madalena dos Santos (Nina), Noeli Welter Taborda.
Um agradecimento especial: Juliana Rabelo, Morgani Guzzo e Paula Guimarães

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