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Da direita para esquerda, de cima para baixo: Géssica Dias Tizon, Mauriceia Estraich, Gabrielle Alexsandra Krössin Niemes, Eliana Ferreira, Geordana Farias, Edna Palhano, Barbara Amorim lacerda, Cleonice Marques, Isabel Alves, Marley Dias, Simone Xavier Nogueira, Sara Caroline, Tatiane Pereira, Simone Luz de Freitas, Silvana Domingos dos Santos, Jessica Mesquita, Ester Alves Teixeira e Ingrid Silva. Todas vítimas de feminicídio | Imagens: arquivos pessoais.

Levante Feminista Contra o Feminicídio cobra ações do Estado frente à cultura da violência

Postado em 25/11/2021, 7:30

Articulação formada pelos mais diversos segmentos das organizações populares e da sociedade civil fortalece memória das vítimas em uma ação afirmativa de esperança diante do cenário de exacerbação da cultura da violência.

Jessica Mesquita, no Pará. Ingrid Silva, no Rio de Janeiro. Gabrielle Alexsandra Krössin Niemes, em Santa Catarina. Cleonice Marques, em Brasília. Jenilde de Jesus Pinheiro, na Bahia. Apesar da distância geográfica, todas foram vítimas de feminicídio de janeiro a novembro deste ano. Neste 25, Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, como forma de honrar a memória dessas e outras mulheres vítimas de feminicídio, além de alertar a sociedade e órgãos públicos, o Levante Feminista Contra o Feminicídio organiza uma série de ações em 20 estados do país. 

A articulação é formada por mulheres negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas, das águas, das florestas, das favelas, antiproibicionistas, dos movimentos LBTQIA+ e de outros segmentos das organizações populares e da sociedade civil.

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A campanha nacional do Levante Feminista acontece de formas diferentes em cada estado, mas tem como semelhança a memória das mulheres vítimas de feminicídio durante o ano de 2021. Analba Brazão Teixeira, antropóloga, socióloga e membra do Levante, explica que foram mapeados 616 nomes de vítimas de feminicídio e de tentativa de feminicídio reportados em jornais, no período de 1º de janeiro a 15 de novembro. “Sabemos que nem todos os nomes de vítimas foram reunidos, porque várias delas nem chegam ao conhecimento público pelos jornais”, destaca Analba.

Somente em Santa Catarina, 38 mulheres foram assassinadas de janeiro a outubro deste ano, como informa o Boletim Mensal de Indicadores da Segurança Pública de Santa Catarina.

A ativista explica que, no entanto, a campanha quer desmistificar a visão dessas mulheres como estatísticas de um crime.

“Queremos dar nomes a essas mulheres. Elas são mães, filhas, parentes, amigas, cujas vidas foram interrompidas”.

O símbolo da ação será o girassol, como uma afirmação de esperança por uma vida livre de violências. “A flor representa nossa esperança de dar fim ao feminicídio”, ilustra Analba. Sementes de girassol serão plantadas em diversos estados como forma de fortalecer a memória das mulheres vítimas de feminicídio.

A ação, que pretende reunir cerca de duas mil ativistas, busca sensibilizar os órgãos públicos à responsabilidade de atuar de forma efetiva para dar um basta aos assassinatos de mulheres no país. “Expressamos nossa indignação com a escalada da violência contra mulheres — alvos de comportamentos misóginos, racistas, lesbofóbicos, transfóbicos e capacitistas — que retira a vida, sobretudo daquelas que moram nas periferias”, afirmam no manifesto que será  distribuído e direcionado aos órgãos públicos.

Apesar de destacar a importância de lembrar as vítimas, Analba expõe que uma das principais ideias da campanha é focar na prevenção dos crimes. “Queremos alertar para a necessidade da sociedade e governantes se mobilizarem contra as violência às mulheres”, destaca. Uma live realizada pelo Levante, em 23 de novembro, debateu esse tema e está disponível no YouTube.

Analba também destaca a relevância da ação acontecer em uma conjuntura de aumento dos casos de violência e assassinatos de mulheres. Em 2020, pelo menos a cada seis horas e meia, uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

“Os números têm aumentado e sabemos que isso tem relação com o governo conservador, de ultradireita e genocida que está na presidência”, expõe Analba.

Manifesto contra a cultura da violência

Lançado em abril de 2021, o Levante foi iniciado por Vilma Reis, socióloga, referência dos movimentos negros no país e integrante da Coalizão Negra Por Direitos; Marcia Tiburi, filósofa, escritora e artista; e Tania Palma, pesquisadora e assistente social.

No Manifesto do Levante, escrito de forma coletiva, a frente pontua de forma contundente que a existência da cultura de ódio direcionada às mulheres brasileiras precisa chegar ao fim, e que a prática do crime de feminicídio “nunca esteve tão ostensiva e extremista” quanto agora, no governo de Jair Bolsonaro. O documento afirma que atitudes misóginas transformaram-se em comportamento aceito e legitimado pela sociedade, contaminando o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

“É impressionante como essa luta tem se enraizado com tanta força”, descreve Analba sobre a atuação do Levante.

A ativista destaca que os movimentos contra o feminicídio devem acontecer de forma constante. “Vinte e cinco de novembro é um dia de luta muito importante, mas não deve ser o único. A luta contra a violência contra mulheres deve ser cotidiana”, finaliza.

Em 2020 e início de 2021, o Portal Catarinas integrou a série jornalística colaborativa Um Vírus e Duas Guerras que monitorou os casos de feminicídios e de violência doméstica. Também participaram da campanha os veículos Amazônia Real, #Colabora, Eco Nordeste, Marco Zero Conteúdo, AzMina e Ponte Jornalismo. 

Programação 

Amapá

25/11 – Ação coletiva com girassóis é ato contra o feminicídio no Amapá 

27/11/2021 marcha das mulheres da zona norte contra o feminicídio 

Rondônia

25/11 às 8h – Audiência Pública sobre Feminicídio – Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia

Pernambuco

25/11 às 16h – Ato combate à transfobia e ao transfeminicídio – No Palácio do Governo

25/11 às 17h – Vigília em memória das vítimas de feminicídio – Praça do Diário

Bahia

16/11 – Ato em frente ao Fórum de Nazaré 

25/11 às 10h –  ATO Para vestir as GORDINHAS – Praça das Gordinhas – Ondina

25/11 – Encontro de Mulheres Salvador e Região Metropolitana debate enfrentamento a violência à mulher 

10/12 – Entrega do Denúncia ao Ministério Público 

Rio de Janeiro

22/11 – às 15h – Semeando o primeiro Jardim de Girassóis – Memorial pela Vida das Mulheres – São Gonçalo

25/11 – Pintar girassois nos postes

Maranhão

25/11 – Audiência pública sobre a violência contra mulher no local de trabalho e Lançamento de um mural de girassóis 

Espírito Santo

25/11 as 16h – Vigília Pelo Fim dos Feminicídios e da Violência contra as Mulheres, na Praça Costa Pereira, Centro de Vitória/ES

Minas Gerais

25/11 às 14h – Entrega de documento de denúncia contra o feminicídio ao Ministério Público

Rio Grande do Sul

25/11 às 21h: “Samba de Uma Preta Só – Sambando na cara da sociedade” – Josi/ Pelotas/RS

26/11 – “Mulheres Girassóis Resistem” – Las3tramas/ Pelotas/RS – “Aviso de Quem Cuida” – Sereia Subversa / São Borja/RS – “Pontos de atenção ou como você vai me desumanizar hoje?” – Mayura Matos / POA/RS

27/11 às 21h – “Ladainha Recado de Mulher” – Diênifer Conceição /Novo Hamburgo/RS – “Grafite: Pobreza Menstrual – Laura Mattos / Rio Grande/RS – “ Así de Valiente ” – Tiana Moon / POA/RS

28/11 às 21h – “Espetáculo Kabarett dax Frangax Felpudas virtual” – Benedita Buenos Dias e Louise Pippi/POA/RS

Rio Grande do Norte

25/11 às 16h30 – Marcha nas ruas da cidade de Parelhas – região Seridó

25/11 às 16h – Artivismo contra o Feminicídio – Mossoró

São Paulo

25/11 às 10h – Ato contra o feminicídio – MASP

Distrito Federal

29/11 às 19h – entrega do documento de denúncia do feminicídio no Pará. Órgãos da rede de enfrentamento. Na abertura da conferência .

30/11 – performance das girassóis do Pará. Na conferência de mulheres

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