Feminista e lésbica, Carla Ayres pauta o debate sobre a equidade de gênero/Foto Leidiane Sampaio

A única vereadora a presidir a Comissão da Mulher na Câmara de Florianópolis

Postado em 04/03/2020, 18:18

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e da Promoção da Igualdade de Gênero (CDDMIG) da Câmara de Vereadores de Florianópolis será presidida, enfim, por uma mulher: Carla Ayres (PT), a única mulher a presidir a pasta desde a criação em 2013. A nomeação ocorreu nesta tarde de quarta-feira, no Plenarinho da Casa.

Além de ser uma mulher combativa, Carla traz a sua identidade lésbica, o que torna a sua posse ainda mais carregada de significado político para a arena pública dos debates sobre gênero. “A comissão discute questões de gênero, orientação sexual e identidade de gênero. Sou uma mulher lésbica aqui, colocando pautas feministas e reafirmando a posição feminista, e também questões sobre lesbianidades e outras interseccionalidades”, declara a 13ª vereadora mulher a ocupar a vereança em quase 300 anos de legislativo municipal em Florianópolis.

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A posse contou com a presença dos membros efetivos da Comissão, vereador Marquito (PSOL), vereador Vanderlei Farias (PDT) e vereador Lino Peres (PT), políticos progressistas alinhados ao debate dos direitos das mulheres. Apesar de ser a terceira vez que a vereadora assume a presidência da CDDMIG durante os três períodos de suplência que fazem parte do mandado do vereador Lino Peres (PT), ela é a única mulher a ocupar esse cargo desde que a Comissão foi criada, em 2013.

Aliás, desde o início das atividades apenas homens se tornaram membros da Comissão. Para entender a falta de atenção dada à comissão, mesmo criada há sete anos, somente em 2017 a pasta foi ativada. Quando a comissão foi recuperada por vereadores que a compõem atualmente, Lino Peres e Marquito, a única mulher vereadora, Maria da Graça Dutra (MDB), não aceitou assumir a presidência por não se identificar com a pauta política da pasta.

Para Carla, a representatividade das mulheres, e mulheres preocupadas com o debate sobre igualdade de gênero neste espaço, faz diferença no peso político da comissão. “O mais difícil é verificar que por mais que esses vereadores sejam parceiros e tenham colocado a comissão em ação, ela nunca é prioridade de ação. Para fazer uma reunião, como a de hoje, precisamos do quórum dos vereadores, mas é muito difícil que a gente tenha quórum naquele momento. Embora seja comissão ordinária, que todo mundo sabe que a cada 15 dias na quarta-feira, às 14h, tem reunião, na hora é sempre um problema, ligar para ele descer, saber se ele está. Não é a prioridade porque não são os corpos deles, não é a pauta deles. A gente percebe nesse tipo de atitude o quanto é fundamental ocupar esses espaços”, afirma a vereadora.

A feminista faz questão de presidir a Comissão todas as vezes que assumir como suplente. Postura coerente com as bandeiras levantadas por ela como a defesa dos direitos da mulher, o combate ao racismo e a luta contra a LGBTfobia. “A Comissão está aberta a qualquer demanda que venha das mulheres neste mês. Não temos mulheres na Câmara que lutem por nossos direitos, agora que temos, ocupem esse espaço, tragam contribuições e entendam que nós mulheres também podemos discutir e ocupar a cidade”, ressalta a vereadora.

Ela aproveitou o espaço para falar sobre a importância desta semana de lutas das mulheres que participam de uma jornada de atividades em preparação para a Greve Internacional das Mulheres, organizada pela Frente 8M em Florianópolis, que atua desde 2017 no contexto das mobilizações. “Essa posse integra uma ação afirmativa no movimento 8M”, afirma.

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Recentemente, a vereadora inaugurou a Galeria Lilás na Câmara, uma exposição com fotos das 13 mulheres que ocuparam a vereança em Florianópolis, seis delas suplentes, apenas sete foram eleitas.




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