Há anos que parecem uma década, e ao que tudo indica – ou ao menos segundo relatos de pessoas amigas, ou de acordo com memes, ou pela minha própria experiência – 2025 foi um deles. A história sempre corre aos solavancos, e todos os meses deste ano pareceram enormes campos abertos de múltiplas disputas concomitantes. Entre avanços simbólicos e retrocessos concretos, corpos específicos continuam acumulando privilégios, ou pagando o preço das movimentações  políticas. 

O Brasil celebrou conquistas sociais, culturais e esportivas, muitas delas protagonizadas por mulheres. Também aprofundou desigualdades, normalizou violências, e legislou contra direitos fundamentais.

Vimos o Dictionary.com decidir que a palavra do ano são os números 6-7 — por conta de um meme sem sentido que surgiu de uma música e se espalhou como bordão repetido com gesto de mãos, principalmente por crianças e adolescentes. Vimos a revista Time anunciar que a “pessoa do ano” são várias: os “arquitetos da Inteligência Artificial”. E vimos a Pantone determinar que a cor do ano que vem é um tom de branco. O tema do ano bem poderia ser distopia.

Esta retrospectiva deixa muitos eventos de fora, mas busca percorrer o ano pelo que ele revelou de estrutural: os embates entre poder, gênero, raça, território, e memória. Vem comigo?

Janeiro 

Começou com o Brasil assumindo pela quarta vez a presidência rotativa do Brics, sob o lema da cooperação do Sul Global e de uma governança mais inclusiva. No mesmo mês, uma onda de fake news sobre uma suposta taxação do Pix expôs mais uma vez a eficácia da desinformação como arma política, alimentada por discursos oportunistas e disseminada nas redes. 

Também em janeiro, o Conselho Nacional de Justiça anunciou a correção histórica de certidões de óbito de 434 mortos e desaparecidos da ditadura militar, reconhecendo oficialmente o que o Estado insistiu por décadas em apagar. 

No campo cultural, Fernanda Torres venceu o Globo de Ouro por sua atuação em Ainda Estou Aqui, filme que reconecta o país à memória da ditadura a partir da busca incansável de Eunice Paiva por Rubens Paiva.

Dilma Rousseff, vítima da ditadura e do patriarcado legislativo, nos contou sobre a implacabilidade da história, e demonstra estupendamente este efeito com a passagem do tempo, iniciando em janeiro mais um mandato à frente do Banco do Brics. 

Enquanto isso, Donald Trump reassumiu a presidência dos Estados Unidos – acompanhado na cerimônia de Mark Zuckerberg (Meta), Jeff Bezos (Amazon), Sundar Pichai (Google), e Elon Musk (Tesla, X,  e capturado fazendo a saudação nazista), homens cis detentores de alguns dos principais meios de comunicação da atualidade, cujo patrimônio líquido contabiliza trilhões de dólares – sinalizando mais recrudescimento conservador no cenário global. 

O mês ainda foi marcado pelo lançamento do Dossiê de Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais Brasileiras, da Antra, que reafirmou o Brasil como líder mundial do transfeminicídio pelo 16º ano consecutivo. 

Fevereiro 

O mês foi atravessado por crimes que se tornaram símbolos da brutalidade cotidiana contra mulheres jovens. O assassinato de Vitória Regina de Sousa, de 17 anos, em Cajamar (SP), e o sequestro e morte de Natany Alves Sales, de 20 anos, em Quixeramobim (CE), mobilizaram comoção nacional. 

Casos distintos, contextos diversos, mas um padrão recorrente: meninas e mulheres mortas em circunstâncias marcadas por violência extrema, enquanto a resposta institucional segue lenta, fragmentada e frequentemente tardia.

Março 

Trouxe contrastes agudos. O cinema brasileiro viveu um momento histórico com a vitória de Ainda Estou Aqui no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, reafirmando o valor da memória como resistência. 

No mesmo período, o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, classificou a violência doméstica como uma “epidemia”, uma constatação que dialogava diretamente com os feminicídios que continuavam a se acumular. 

Avanços na saúde pública, como a substituição gradual do papanicolau pelo teste de DNA-HPV no SUS, dividiram espaço com tragédias como o assassinato de Maria Victória Rodrigues dos Santos, adolescente grávida de 15 anos no Piauí, e de Clara Maria Venâncio Rodrigues, 21, em Belo Horizonte — mortes que reacenderam debates sobre a proteção de meninas e jovens mulheres em um país que insiste em falhar com elas.

Abril 

Foi marcado por demonstrações de poder e contradições evidentes. Donald Trump anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros, usando sanções econômicas como instrumento de pressão geopolítica e ideológica contra um país estratégico do Sul Global, frequentemente tensionado por disputas ambientais e comerciais. 

No mesmo mês, a Blue Origin promoveu o lançamento de um foguete com tripulação exclusivamente feminina, vendido como marco histórico, mas essencialmente uma ação de marketing: as passageiras eram celebridades, não astronautas, em um espetáculo de diversidade que contrastou com o apagamento simultâneo de cientistas mulheres dos registros públicos da NASA pelo governo dos Estados Unidos. 

Abril também marcou a morte do Papa Francisco, encerrando um papado celebrado por gestos sociais pontuais, mas atravessado por discursos profundamente problemáticos. Como aponta Judith Butler em seu livro “Quem tem medo de gênero?”, Francisco alimentou o “fantasma de gênero” ao tratar os estudos da área como “colonização ideológica”, chegando a compará-los a práticas de regimes autoritários e à Juventude Hitlerista — uma retórica inflamatória que ajudou a legitimar pânicos morais e políticas de exclusão.

Maio 

Pipocou com o depoimento da influenciadora Virgínia na CPI das Bets – uma encenação cuidadosamente calculada. A figura da “gatona influenciadora” que sustenta sua marca nas redes deu lugar à performance da “menina inocente”: moletom largo, óculos de grau, tom comedido e gestos contidos. A cena expôs como a feminilidade não é um bloco coeso, mas um repertório de linguagens mobilizado estrategicamente conforme o contexto. 

Se parte do debate público se concentrou no julgamento moral de sua roupa e de sua postura, é impossível ignorar que essa mutação estética e comportamental operou em benefício próprio, ajudando a deslocar responsabilidades e a produzir uma imagem de vulnerabilidade conveniente, enquanto o impacto social das apostas seguia, mais uma vez, fora do centro da discussão. 

No mesmo período, o Atlas da Violência 2025 trouxe dados incontornáveis: enquanto os homicídios gerais caem, a violência letal contra mulheres resiste; mulheres negras seguem sendo as principais vítimas; crianças e adolescentes do sexo feminino aparecem de forma alarmante nas estatísticas; e a violência contra pessoas LGBTQIAPN+ cresce em ritmo acelerado. 

O relatório escancarou ainda o papel central de homens como autores da violência e o avanço sistemático de projetos legislativos antitrans, majoritariamente propostos por parlamentares homens, brancos e ligados a frentes religiosas. 

Em tempos de retrocesso moral e avanço do fundamentalismo religioso, um movimento espetaculoso ganhou fôlego: o grupo Legendários, que oferece “cura” aos homens com desafios ocorridos em montes – e infelizmente não me refiro aos de louça na pia ou de roupas para lavar. 

Afortunadamente uma catarse positiva veio pelas mãos de Lady Gaga, que fez um show histórico em Copacabana, reunindo cerca de 2,1 milhões de pessoas mais dispostas a bater leques em celebração à diversidade na praia do que resgatar masculinidade hegemônica na montanha.

Junho 

Foi atravessado pela reativação de um projeto de lei apresentado em 2024 que buscava equiparar o aborto após 22 semanas ao crime de homicídio. Embora não tenha avançado em plenário, a tentativa de acelerar sua tramitação no primeiro semestre de 2025 reacendeu protestos, manifestações e debates públicos intensos. 

O episódio revelou como o Congresso segue operando contra os direitos reprodutivos das mulheres, mesmo quando não produz novas leis — basta a ameaça para instaurar o medo e a mobilização.

Julho 

Trouxe uma notícia celebrada internacionalmente: o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome, segundo dados da ONU. O anúncio, porém, contrastou com os números persistentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e com a aprovação, no Senado, de novas leis de proteção às mulheres, que seguem convivendo com a violência cotidiana. Horror ilustrado pela brutal agressão cometida por um ex-jogador de basquete contra a então namorada, com sessenta socos desferidos contra ela em um lugar público, capturados pela câmera do elevador. 

No mesmo mês, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil atualizou a lista de projetos que ameaçam direitos territoriais, antecipando um movimento que se consolidaria no fim do ano com o avanço da PEC do marco temporal. A proposta, aprovada pelo Senado em 9 de dezembro de 2025, em dois turnos, altera a Constituição para condicionar a demarcação de terras indígenas à comprovação de ocupação em 5 de outubro de 1988, excluindo povos expulsos antes dessa data por violência, remoções forçadas ou ações do próprio Estado. A crítica central é que a PEC constitucionaliza uma tese já rejeitada pelo STF, restringindo direitos originários e reescrevendo a história a partir do corte arbitrário do calendário, não da justiça.

No dia 24, o governo federal publicou um decreto que regulamenta a Política Nacional de Cuidados, avanço formal que reconhece o cuidado como um direito, e como trabalho essencial para o bem-estar social, reprodução e funcionamento da economia.

O decreto estabelece princípios, diretrizes e objetivos do Plano Nacional de Cuidados, cujo orçamento foi definido em 15/12 – serão R$25 bilhões para colocar em prática 79 ações distribuídas em cinco eixos.

Agosto 

Não foi o mês do desgosto, como dizia minha bisavó, e se afirmou como um tempo de conquistas esportivas para as mulheres. A seleção brasileira de futebol venceu a Copa América Feminina, garantiu vaga nos Jogos Olímpicos de 2028 e reforçou sua centralidade no cenário continental. 

Aproveito para adiantar que, em novembro, a CBF anunciou um conjunto de medidas que promete melhorar o futuro do futebol feminino no Brasil: a obrigatoriedade de contratos profissionais para todas as jogadoras, a possibilidade de atletas que amamentam viajarem com seus filhos — com custos arcados pela entidade — e a ampliação do calendário, com mais clubes e competições. 

Pela primeira vez a maternidade aparece no centro das decisões do futebol brasileiro não como problema, mas como parte concreta da vida das atletas. Vamos com planejamento, estrutura e noções feministas de dignidade rumo à Copa do Mundo de 2027, guerreiras! 

A seleção feminina de rugby também peleou e fez história ao disputar, pela primeira vez, uma Copa do Mundo no formato XV. Mesmo sem resultados expressivos, a presença das atletas brasileiras no mundial representou um avanço simbólico em um esporte historicamente marginalizado no país. 

Na contramão do atleticismo, o fenômeno do “corpo Ozempic” se transformou em parte da cultura visual do ano: mudanças físicas aceleradas em 2025 impulsionaram debates sobre estética e saúde, recolocando a magreza extrema das mulheres em voga. Isso deve reativar o alerta feminista de que o patriarcado nos prefere fragilizadas. Podemos ser o que quisermos, sim – e espero que nosso desejo se constitua na direção de cada vez mais força e saúde.

Setembro 

Consolidou debates sobre proteção e violência. A sanção da Lei nº 15.211, conhecida como ECA Digital, buscou enfrentar a adultização e a exposição de crianças e adolescentes no ambiente online. 

O debate ganhou enorme visibilidade com a atuação do influenciador Felca, cujo posicionamento foi decisivo para ampliar o alcance do tema, mas também expôs uma assimetria conhecida: embora correto em sua crítica, ele está longe de ser o primeiro a levantar essa discussão. 

Trata-se de um debate historicamente formulado por feministas e por mulheres que, há anos, denunciam a sexualização precoce — e que, mais uma vez, ficaram fora do centro do reconhecimento público, numa repetição quase didática da lógica patriarcal que transforma perspectivas masculinas em porta-vozes tardios de pautas já consolidadas. 

Ao mesmo tempo, o Mapa Nacional da Violência de Gênero revelou números alarmantes: 718 feminicídios apenas no primeiro semestre do ano e quase 34 mil estupros contra mulheres, além do crescimento dos registros de violência contra brasileiras no exterior — dados que reforçam o caráter estrutural da violência de gênero. 

Em setembro, em julgamento inédito, a primeira turma do STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro – com voto decisivo e sem fraquejada da excelentíssima Ministra Cármen Lúcia – a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023, bem como seus co-conspiradores. 

A punição de militares golpistas foi um respiro histórico para um país acostumado a anistiar quem tenta minar sua democracia – e um regozijo feminista que reconhece a persistência dos nossos esforços ao longo da última década. Seguimos cada vez mais livres; #elenão

Outubro 

Trouxe um alerta planetário. Relatórios científicos anunciaram o primeiro ponto crítico climático irreversível: a morte generalizada de recifes de corais de águas quentes. A crise ambiental deixou de ser abstração futura para se tornar um colapso em curso, com impactos diretos sobre comunidades costeiras, biodiversidade e modos de vida historicamente invisibilizados. 

Trouxe também a morte de Paloma Alves Moura, mulher negra que chegou a um hospital com forte sangramento e, por negligência médica associada a estigmas sobre aborto e racismo obstétrico, teve atendimento tardio e faleceu no mesmo dia. Até quando preconceitos e julgamentos morais irão contaminar os serviços de saúde, colocando em risco vidas de mulheres e pessoas com útero? 

O alívio existencial (ainda que volátil) veio pelo trabalho de mais uma diva pop: Lily Allen.  Se em 2006 com “Smile” e em 2008 com “Not Fair” ela já tinha demonstrado excelência ao compor sobre os maus tratos dos homens, desta vez elevou o gênero a outro patamar com “West End Girl“,  forte candidato ao prêmio de Álbum do Ano na próxima cerimônia do Grammy. 

O disco todo converte vulnerabilidade em gesto artístico de devolução de culpa, e fala diretamente com mulheres que se recusam a absorver a vergonha dos homens, devolvendo a eles a culpa pelos seus próprios atos. 

A honestidade emocional da obra ressoa para além de seu contexto, lembrando que é tradição das mulheres nas artes transmutar sofrimento em expressão criativa e crítica social feminista. 

Novembro 

O mês viu a realização da COP30, marcada pela aprovação de um Plano de Ação de Gênero que reconhece o protagonismo de mulheres indígenas, negras e rurais. Também  ganhou projeção nacional a iniciativa “Vozes dos Biomas”, das enviadas especiais à conferência, Denise Dora (Themis), Jurema Werneck (Anistia Internacional) e a primeira-dama Janja Lula da Silva, com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. 

Juntas, elas percorreram o Brasil para compilar as sabedorias e demandas de mulheres de comunidades locais da Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal, e apresentá-las diretamente aos líderes globais reunidos em Belém sob a  forma de cartas – que tive o prazer e a honra de traduzir. 

No mesmo mês, Santa Catarina viveu um de seus períodos mais letais para mulheres. O assassinato de Catarina Kasten, em Florianópolis, expôs a violência extrema em espaços públicos e impulsionou protestos, audiências e manifestações institucionais, em um estado que insiste em se apresentar como “seguro” enquanto mata uma mulher por semana.

Dezembro

Ainda estamos em dezembro, encerrando este ano comprido com corpos nas ruas. Atos em ao menos 20 estados denunciaram o aumento dos feminicídios, que ultrapassaram a marca de mil registros em 2025.

As manifestações, realizadas no dia  07, lembraram o óbvio que o poder público insiste em relativizar: feminicídio é quando um homem mata uma mulher pelo fato de ela ser mulher — e isso segue acontecendo todos os dias no Brasil. 

As ruas também foram ocupadas no domingo seguinte, dia 14, sob os lemas “Sem Anistia para Golpistas” e “Congresso Inimigo do Povo”. Os atos com milhares de pessoas em dezenas de cidades foram em reação à tentativa legislativa de anistiar ou reduzir as penas dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, por meio do chamado PL da Dosimetria, aprovado sorrateiramente na Câmara em 10 de dezembro. 

Organizadas por uma coalizão de partidos de esquerda e entidades como CUT, MST, MTST e UNE, as mobilizações reuniram lideranças políticas, movimentos sociais e artistas, evidenciando a vigilância de uma parcela da sociedade diante de um Congresso que tenta reescrever a história recente: a maioria da população rejeita a anistia aos golpistas, e a pressão popular buscou lembrar ao Senado que perdoar crimes contra a democracia não é pacificação — é afronta institucional. 

Entre os dois eventos, causaram indignação coletiva dois outros. Um, a falta de noção de Francisco Bosco, filho de João, que, completamente intocado pelas violências que atravessam as mulheres deste país, confluiu a assertividade da atriz Alice Carvalho com agressividade, sedimentando a observação feminista de que os homens machistas invariavelmente interpretam nossa expressão da realidade como ataque. 

Antecipando a crítica, ainda se colocou como vítima, insinuando que nossas articulações confundem narrar o machismo com achincalhar homens – alheio ao fato de que o machismo não se manifesta do éter, tampouco é exercido pelo reino fungi. A mente do homem cis branco privilegiado é realmente fascinante –  como locus de análise da alienação. 

Outro evento absurdo foi a decisão de uma maioria de homens cis branco e privilegiados que compõem a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), de extinguir as cotas raciais na Udesc e em instituições estaduais de ensino  – um erro político e aberração cognitiva de quem insiste no próprio racismo, que, além de injusto, é inconstitucional. O patriarcado supremacista branco não mede esforços e ignora escrúpulos para se manter no poder. 

Conclusão

Encerrar 2025 não vai ser um gesto de fechamento, mas um exercício de fôlego. O ano termina deixando claro que nada do que chamamos de “avanço” vem sem disputa, e que cada conquista simbólica convive com estruturas profundamente resistentes à mudança. 

Vimos mulheres produzirem memória, ciência, esporte e política em alto nível — e, ao mesmo tempo, vimos o Estado falhar reiteradamente em nos proteger das opressões patriarcais, o Congresso legislar contra nossos corpos e territórios, e a violência seguir operando como linguagem cotidiana de controle. 

As ruas cheias em dezembro não foram ponto fora da curva, mas consequência lógica de um ano em que se tentou normalizar o inaceitável: anistiar golpistas, relativizar feminicídios, reescrever direitos originários como concessões condicionais. 

2025 reiterou que a vigilância feminista e democrática não é abstrata nem neutra — tem gênero, raça, classe, território e memória. 

Esse balanço geral, longe de dar conta de tudo o que atravessou um ano que ainda não acabou, indica que não basta estar atenta e forte, como canta Gal: em tempos de excesso de ruído, retrocessos orquestrados, e consensos frágeis, exercitar o pensamento crítico é mais do que virtude — é condição de convivência. 

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Este texto contou com apoio de  inteligência artificial, sob orientação e revisão humana integral. A ferramenta foi usada como instrumento de pesquisa, síntese e redação assistida, sempre sob curadoria crítica e feminista da autora e das editoras, garantindo precisão nas informações e autonomia na interpretação política.

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  • Joanna Burigo

    Joanna Burigo é natural de Criciúma, SC e autora de "Patriarcado Gênero Feminismo" (Editora Zouk, 2022). Formada pela PU...

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