A publicitária, historiadora em formação e ativista feminista Carolline Sardá (PSOL), primeira suplente do partido, assumirá, no dia 15 de julho, uma cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) durante a licença de 120 dias do deputado estadual Marcos José de Abreu, o Marquito (PSOL). A posse será durante a sessão plenária e levará ao Parlamento uma das principais referências do feminismo catarinense, com atuação voltada aos direitos das mulheres, à educação política e ao enfrentamento do antifeminismo.

Ao anunciar o início do mandato, Carolline afirmou que dará continuidade às pautas construídas por Marquito, especialmente na defesa dos povos indígenas, das periferias e dos direitos humanos, mas imprimirá ao mandato sua principal área de atuação: a luta feminista.

“O foco principal do meu mandato vai ser propositivo, vai ser pela vida das mulheres e pelo combate à violência de gênero. Se o antifeminismo tentar recuar alguns dos nossos direitos, eu vou continuar avançando”, afirmou durante coletiva de imprensa.

Entre as prioridades anunciadas estão o acompanhamento da atuação da Procuradoria da Mulher, visitas às Delegacias de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMs), diálogo com agentes públicos e movimentos sociais e a formulação de propostas para enfrentar os altos índices de violência contra as mulheres em Santa Catarina.

Mandato feminista, socialista e anticapitalista

Durante a coletiva, Carolline afirmou que pretende construir um mandato popular em diálogo com movimentos sociais, coletivos e organizações feministas, orientado por uma perspectiva socialista e voltado à transformação das estruturas que produzem desigualdades.

“Eu já sou de coletivos feministas, já sou organizada no Movimento de Mulheres Olga Benário e pretendo fazer um mandato dialogando com os coletivos, com as organizações, com os movimentos sociais. (…) Vai ser um mandato com foco na minha luta do dia a dia, que é a luta feminista, socialista e totalmente anticapitalista”, declarou.

Segundo ela, essa perspectiva não significa atuar apenas para um segmento da sociedade, mas construir políticas públicas que beneficiem todas as mulheres.

“A gente vai fazer política pública para todas as mulheres, seja de esquerda, direita. Quando a política pública é bem feita, vai para todo mundo.”

Oposição ao antifeminismo na Alesc 

Além da agenda de enfrentamento à violência de gênero, Carolline afirmou que pretende fazer oposição ao avanço do antifeminismo na Assembleia Legislativa, defendendo que a melhor forma de enfrentar a desinformação é apresentar, na prática, os resultados das políticas públicas feministas.

Questionada sobre a expectativa de dividir o plenário com a deputada Ana Caroline Campagnolo (PL), principal referência do antifeminismo na Alesc, Carolline afirmou que já realiza esse enfrentamento há anos e que pretende levá-lo também para o Parlamento.

“Eu não fujo do embate. Como uma feminista marxista, não fico calada perante a extrema direita. Pretendo continuar esse combate agora frente a frente, olho no olho.”

Ela ressaltou, no entanto, que o centro de sua atuação será a apresentação de propostas e a defesa dos direitos das mulheres.

“Quando as nossas políticas chegarem nas mulheres, independentemente de serem de direita ou de esquerda, elas vão ver que o antifeminismo não tem proposta nenhuma para essas mulheres, nem mesmo para os homens, se formos analisar bem. Então, acredito que é na prática que a gente mostra a política de verdade. O antifeminismo não tem prática, só tem retórica”, afirmou.

Fortalecimento do campo progressista em SC

Ao anunciar a licença, Marquito afirmou que a escolha de Carolline vai além da tradição de rodízio de mandatos adotada pelo PSOL. Segundo ele, a ativista chega à Assembleia em um momento estratégico para fortalecer as pautas desenvolvidas pelo mandato e ampliar sua incidência política.

“O tamanho da Carol Sardá, enquanto figura pública, é gigante. É uma via de duas mãos: ela fortalece o mandato e o mandato fortalece a atuação dela”, afirmou.

O deputado destacou que Carol compartilha a identidade construída pelo gabinete ao longo dos últimos anos e deverá aprofundar agendas já desenvolvidas, como a defesa dos povos e comunidades tradicionais, o enfrentamento à violência contra as mulheres e o projeto de lei que prevê multa administrativa para casos de importunação sexual.

O parlamentar também relacionou a posse ao cenário eleitoral de 2026. Segundo ele, a presença de Carolline fortalece o projeto político do PSOL em Santa Catarina e contribui para os desafios do campo progressista no estado, como ampliar a representação da esquerda na Alesc e na Câmara dos Deputados e fortalecer a campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“A gente ganha muito nesse processo. Ter a Carol assumindo o mandato traz uma liderança com grande projeção pública para dentro da política estadual”, afirmou.

Quem é Carolline Sardá

Natural de Canoinhas, Carolline é publicitária, historiadora em formação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e criadora de conteúdo dedicada à história das mulheres, à política e aos direitos das mulheres. 

É fundadora do Clube de Leitura Feminista, uma das maiores comunidades digitais de leitura política do país, e criadora do projeto Mulheres na História, no qual resgata trajetórias femininas invisibilizadas a partir de uma perspectiva feminista marxista. 

Militante do Movimento de Mulheres Olga Benário, atua na formação política de mulheres por meio de cursos, palestras e produção de conteúdo sobre história, feminismo, socialismo e direitos das mulheres.

Confira a entrevista em vídeo:

APOIE O JORNALISMO INDEPENDENTE


Fazer uma matéria como essa exige muito tempo e dinheiro, por isso precisamos da sua contribuição para continuar oferecendo serviço de informação de acesso aberto e gratuito. Apoie o Catarinas hoje a realizar o que fazemos todos os dias!

CONTRIBUA COM QUALQUER VALOR NO PIX

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas