Segunda temporada do podcast estreia no dia 13 de maio. Divulgação.

Racismo nas tradições religiosas é tema do Podcast CatoLaicas, que estreia amanhã

Postado em 12/05/2021, 12:26

Segunda temporada do podcast de Católicas pelo Direito de Decidir estreia no dia 13 de maio. Primeiro episódio traz entrevista com o teólogo Ronilso Pacheco.

A Lei Áurea, que buscou abolir oficialmente a escravidão no Brasil, foi assinada em 13 de maio de 1888 – e completa 133 anos de existência em 2021. Esta data, no entanto, não é celebrada, mas questionada de diversas formas até hoje pelo movimento negro. É neste contexto, buscando refletir, questionar e fortalecer o diálogo inter-religioso que estreia a nova temporada do podcast CatoLaicas, de Católicas pelo Direito de Decidir (CDD).

Os episódios da segunda temporada irão ao ar quinzenalmente, entre os dias 13 de maio e 8 de julho. Quem inaugura o primeiro episódio é Ronilso Pacheco, teólogo e pastor da Comunidade Batista em São Gonçalo (RJ) e também pesquisador e mestrando no Union Theological Seminary, da Columbia University em Nova York (EUA). 

“Na América Latina, a teologia negra está se abrindo para entender o papel da sua ancestralidade africana”, afirma Pacheco no podcast. “A nossa experiência teológica, de igreja, é absolutamente comprometida com a exploração, com a escravidão e com a demonização total do continente africano e do povo africano. Essa tem sido a nossa ao longo de décadas”, diz o teólogo, que baseia seus trabalhos na teologia negra e direitos humanos.

Ao longo de cinco episódios conduzidos por Letícia Rocha, mestre em ciências da religião e integrante da organização feminista, convidados e convidadas refletem sobre como o racismo se manifesta nas tradições e práticas religiosas no Brasil. Entre as perguntas norteadoras dos episódios, estão: de que forma as religiões cristãs contribuíram para a discriminação e espelham o racismo em suas tradições até hoje? Como enfrentar o racismo existente nas comunidades de fé no país?

“As discussões que envolvem o racismo no cerne das religiões no nosso país ainda são incipientes. Há silêncio sobre os corpos negros em ambientes religiosos”, pontua Letícia. “Vivemos em um país em que 56% população se declara negra e, ainda assim, é um país estruturalmente racista em que a discriminação racial é nítida e perpassa as relações que se estabelecem no seio da sociedade, da cultura e das tradições religiosas.”

Pesquisa recente realizada pelo DataFolha espelha esta realidade citada pela apresentadora, em especial, no que diz respeito à comunidade evangélica. O estudo afirma que 59% das pessoas que aderem às denominações evangélicas no Brasil são negras. O recorte de gênero é claro: mulheres são 58% do grupo religioso, que é mais representativo na região Norte.

Estão entre as convidadas, representantes de comunidades de fé diversas, como Alexya Salvador, da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM) e primeira reverenda trans da América Latina, Lilian Conceição, reverenda e coordenadora do Abraço Negro, Adriana de Nanã, sacerdotisa do Ilê Axé Omó Nanã e Eliad Dias, pastora da Igreja Metodista no bairro da Luz, em São Paulo. 

Os episódios foram originalmente gravados em 2020, em um ciclo de webinários sobre o tema. Mas, para que mais pessoas pudessem acessar este conteúdo, as entrevistas foram adaptadas para o formato de áudio. A roteirização e edição foi realizada pela jornalista Raquel Melo e a sonoplastia por Fábio ACM, ambos da Badu Produções.

Letícia Rocha acredita que, com o podcast, a organização reforça sua aposta no diálogo inter-religioso e no fortalecimento de lutas contra o racismo, que é um grande obstáculo para uma vida digna, justa e livre de violências para a população negra no Brasil.

“O material preparado e coordenado por CDD que, há mais de 25 anos luta pelos direitos reprodutivos e sexuais de todas as mulheres, objetivou refletir sobre o racismo nas tradições religiosas. Apostamos no diálogo inter-religioso como caminho para a desconstrução do racismo institucional e estrutural”, conclui a apresentadora.

Onde escutar

#CatoLaicas, o podcast das católicas feministas está disponível no Spotify, no Google Podcasts, no Apple Podcasts e no Anchor. Os episódios quinzenais serão publicados do dia 13 de maio até 8 de junho.

Conheça também a primeira temporada

Em 2020, para marcar o Dia Internacional dos Direitos Humanos, comemorado em 10 de dezembro, a organização Católicas pelo Direito de Decidir lançou o CatoLaicas, um podcast que busca levantar e discutir questões de gênero, sexualidade e direitos humanos de forma geral.

Apresentados por Solange Helena, historiadora integrante da organização, a primeira temporada explorou a relação entre as religiões cristãs e a justiça reprodutiva no Brasil, entrevistando especialistas e ativistas. 

Entre elas, a pastora luterana Lusmarina Campos Garcia, a filósofa e teóloga Ivone Gebara, que é referência para a teologia feminista na América Latina; além da defensora pública Paula Machado, que é coordenadora do NUDEM (Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher) de São Paulo, e a doutora em saúde pública Emanuelle Góes. 

Os episódios estão disponíveis nas principais plataformas de streaming e também foram veiculados na Rádio Cantareira, rádio comunitária localizada na periferia de São Paulo. 

Sobre Católicas Pelo Direito de Decidir:

Católicas pelo Direito de Decidir foi fundada no Dia Internacional da Mulher de 1993. A organização de católicas feministas há 26 anos luta pelos direitos sexuais e direitos reprodutivos das meninas e mulheres no Brasil. A organização se apoia na prática da teoria feminista para promover mudanças sociais, especialmente nos padrões culturais e religiosos. Conheça mais sobre Católicas: 

Site: https://catolicas.org.br/ 
Facebook: https://www.facebook.com/catolicasdireitodecidir 
Instagram: https://www.instagram.com/ascatolicas/ 
Twitter: https://twitter.com/ascatolicas 
YouTube: https://www.youtube.com/c/CatolicaspeloDireitodeDecidi
Spotify: https://spoti.fi/3arnMAd 

Tags: , , ,



Portal de jornalismo especializado em gênero, feminismos e direitos humanos.
Veja a coluna da Portal Catarinas