A pesquisa relaciona temas como racismo, machismo, capacitismo e falta de representatividade na mídia/ Imagem: Coletivo Lójúkojú

Coletivo Lójúkojú analisa programa Roda Viva

Postado em 22/09/2020, 18:28

LójúKojú é um coletivo que surgiu movido pelo propósito da pesquisa, organização e disseminação de dados sobre as desigualdades estruturais no Brasil. O termo é uma palavra em yorubá que significa “cara a cara, abertamente”. Desta forma, de maneira aberta, que o coletivo pretende encarar e expor as consequências das opressões no país.

Os acontecimentos dos últimos meses têm mobilizado vários debates sobre desigualdades nas diversas mídias e tem conquistado espaço inédito especialmente na televisão, onde sua ausência sempre foi notável. O coletivo observou que os discursos sobre o combate ao racismo e a necessidade de promoção da equidade e da diversidade racial não se refletem, necessariamente, na prática dos mesmos meios que tanto debatem sobre esse cenário.

Considerando a repercussão, o alcance e a definição de um programa que conforme sua conta no Twitter é “Um espaço plural para apresentação de ideias, conceitos e análises sobre temas de interesse da população”, o coletivo sistematizou algumas características dos(as) entrevistados(as) do programa Roda Vida, da TV Cultura, para constatar se há de fato pluralidade e diversidade de pessoas, bem como de ideias nas entrevistas promovidas pelo programa.

O levantamento foi construído com base no acervo do programa, disponível no Youtube, entre 11 de janeiro de 2016 e o dia 22 de junho de 2020, totalizando 246 programas. A análise segmentou os programas em dois tipos: o Roda Viva Entrevista e o Roda Viva Temático, onde no primeiro tem formato de entrevista convencional e no outro um grupo de 2 a 6 pessoas que debatem um tema definido. A partir dessa segmentação foram traçados os perfis dos(as) entrevistados(as) e dos(as) debatedores(as) convidados(as), a partir das seguintes categorias: Cor/Raça, Gênero e Pessoa com deficiência ou não.

O QUE A PESQUISA APONTA

Os programas se dividem em dois tipos: 205 foram entrevistas no formato convencional e 41 foram debates temáticos com mais de um participante. A cor do(a) entrevistado(a): 189 eram Brancos(as), 13 Negros(as), 2 Amarelos e 1 Indígena. De acordo com a cor do(a) debatedor(a): 172 eram Brancos(as), 12 Negros(as), 1 Amarelo e nenhum Indígena foi convidado a debater do total de 185 debatedores. Gênero do(a) entrevistado(a): 184 homens e 21 mulheres, totalizando 205 entrevistados(as). Gênero do(a) debatedor(a): 151 homens e 34 mulheres, totalizando 185 debatedores(as). Dos(as) entrevistados(as) com deficiência: contabilizamos 3 pessoas com deficiência do total de 205 entrevistados(as). Nenhuma pessoa com deficiência participou dos debates, em um total de 185 debatedores(as).

/ Imagem: Coletivo Lójúkojú

Concluiu-se que nos últimos anos o discurso da diversidade tem invadido os conteúdos produzidos pela mídia brasileira. Apesar de repetidamente reconhecerem a necessidade de representatividade e pluralidade, facilmente podemos constatar que o discurso não virou prática.

Todos os dados e informações analisadas pelo Coletivo Lójúkojú na pesquisa Lojukoju_Levantamento_Roda_Viva desenvolvida por Tainá Medeiros e Douglas da Nóbrega serão disponibilizadas em google planilhas de maneira ampla, e sem restrições a quem se interessar em fazer novos estudos e/ou divulgá-las. Contato: [email protected] ou pelo instagram @lojukoju

 

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