Foto: arquivo pessoal

Coluna da Marlene de Fáveri

Crônica da incontingência da clausura (25) – ou a fúria uterina: leitoras/es e afetos

Postado em 30/08/2020, 14:17

Domingo, trinta de agosto de dois mil e vinte. Agosto já é passado. Que venham gostos, abraços, encontros afetivos e eróticos e muitas alegrias… logo! Estamos cansadas do não gozo e dos não contatos na pele: são 162 dias de clausura, haja paciência!  Entro em setembro na minha casa na capital do Estado. Afinal, desta vez foram cinquenta dias longe de meus domínios e das minhas coisas de mil nadas, e mil tudos. Minha mãe, Guevara e Tchê ficaram bem e têm companhia e cuidados, mas senti deixá-los por uns dias. Também sinto ao me afastar das verduras e flores, mas minha mãe disse que “em setembro elas florescem e crescem, e eu vou cuidar bem delas para quando tu voltares”. Que bom! Mas minha filha foi taxativa: “Fica uns dias em Floripa, mãe, mas se cuida! Nada de sair, namorar, e fazer nada que tenha risco”. O que faz uma pandemia: minha filha mandando em mim! Obedeço, por ora, nestes quesitos.

A pandemia continua a desassossegar. Nos acostumamos aos protocolos, mas me recuso a crer que não teremos mais o livre andar, viajar, amar, colar em abraços, dançar e os bons encontros com as amigas. Isso faz falta, muita. Valha-me, Omulu, nos proteja desta peste e nos devolva os compassos!

Não vou me demorar com lamúrias sobre um desgoverno pífio e que está despenhando o país num abissal poço de escuridão. Repudio todas as ameaças e atos que ignoram vidas, maltratam e matam mulheres, estupram crianças, açodam violências sobre pessoas negras, aviltam trabalhadoras e trabalhadores, destroem o ambiente, atiçam iras contra pessoas homossexuais e matam índios e pobres. Numa frase: abomino todos aqueles e aquelas que não têm respeito pelos direitos humanos e destroem a dignidade.

De igual modo repudio religiosos que usurpam almas, bem como pastoras com nome de flor que nos envergonham, pondo em evidência uma suruba familiar e em nome de um deus. Nem Nelson Rodrigues imaginaria esse assombro. Distopia pouca é bobagem. Pior: um lixo teológico que escamoteia um projeto político baseado no crime.

Bem, cá estou. Tenho tantas coisas a dizer sobre lembranças que dançam, e sinto que preciso focar. Reabri caixas de meus guardados poéticos e narrativas, mas não avancei na seleção para publicar. Como é difícil fazer escolhas quando se trata de nossas memórias! Deixei esses guardado de lado para reler os comentários sobre as crônicas feitos por leitoras e leitores na página do Portal Catarinas e nas redes sociais. Confesso que cutucaram o que se chama de alma, nossa! Deparei-me com a dimensão das recepções do que tenho escrito nestas vinte e quatro crônicas da clausura.

Me enterneci, chorei junto, ri. Gostei desses diálogos narrativos e que também puseram-me no cume da responsabilidade. As palavras ardem, têm poder, força. Ditas em grafismos, jamais se apagam. Voltarei a elas.

No cotidiano desta pandemia, dentre outras tantas miudezas e coisas difíceis, estive às voltas de preparar falas para eventos online e escrever crônicas e poemas.  Falei do que me aprisionava naqueles dias cujos enredos faziam franzir a pele de dor, mas também das graças da vida como lidar com flores e cuidar de minha mãe. Tudo isso, (re)aprendo com a pandemia e noutras lides, que venho aprendendo. Sempre escrevi nos meus cadernos, o que me dá mais leveza e capta as ideias inteiras. Várias vezes, sem tempo para digitar, fotografava as folhas do caderno e enviava por whatsapp para Larissa Freitas – ela decodificava minha letra corrida com precisão! Agora, ela conseguiu trabalho, e obrigo-me escrever direto na tela, embora não goste. Rejane Wilke me socorre sempre nos tempos verbais e me dá aulas de escrita! Paula Guimarães, editora do Portal Catarinas, dedica horas de seu domingo diagramando e selecionando imagens. Até chegar aos olhos de quem lê, estas crônicas têm um percurso que eu não faço sozinha.

Crônica da incontingência da clausura (25) - ou a fúria uterina: leitoras/es e afetos

Foto: arquivo pessoal

O Portal Catarinas faz jornalismo com perspectiva de gênero e adentra nas vísceras dos sofrimentos das mulheres. Não há experiência – seja da dor, das violências ou das resistências – que passe despercebida pela editoria do portal. Com olhar aguçado para as nervuras do tempo presente, e sem ignorar sua historicidade, o portal vem abordando os mais importantes temas que cercam as mulheres nos seus diversos cotidianos. A geração, cor da pele, crença/religião, raça, corpo, pessoas especiais e classe são temas indispensáveis.

Esses conteúdos mostram o que já sabemos e tememos: as violências que fazem desbotar corpos e almas de crianças, meninas e mulheres. O que ousa é a resistência.

Todas as narrativas atravessam temas aos quais não me furto e sempre denuncio: o desagravo aos mandantes e seu cortejo exalando masculinidade tóxica, o descaso com a pandemia e as vidas, e meu repúdio às violências contra mulheres. Minha mãe é personagem: ela me alimenta de memórias familiares e afetos, assim como Laura, a pequena mulher que amo apaixonadamente.  Guevara e Tchê me pondo aqueles olhares verdes e a cruzarem meus passos… O cotidiano na clausura e as peraltices de voltar aos verdes anos foram a minha referência em termos de espaço e afeto.

“De onde vem a inspiração para as crônicas?”, perguntou-me uma leitora. Explico: elas saem sem que eu tenha um roteiro, surgem da quentura dos acontecimentos entremeados aos gatilhos de memórias. Uma frase de minha mãe e abrem-se lembranças e experiências das mulheres, tanto as dela como as minhas. Uma notícia de agravo faz irromper minhas fúrias. Um poema dos guardados e desfiam-se instantes marcados no vértice das lembranças. De uma conversa, correntes de coisas do presente se misturam às do passado. É como abrir um caderno de folhas em branco e deslizar ali as marcas, os sonhos, as dores, os afetos, as alegrias e as iras em furores uterinos. Assim também acontece com a escritura de poemas.

Quando escrevo sinto como se das ideias embaralhadas saíssem palavras que vão compondo um mosaico de frases. Os assuntos vão se alinhavando dando forma, cor, textura e se transmutam em narrativas.  Falei de tantas coisas que até me surpreendo! Não costumo reler os textos depois de publicados, mas enquanto os escrevo imagino que pessoas vão ler e ressignificar palavras histórias.

Por vezes, escrevi compulsivamente de um folego só; outras, aos pedaços e nos horários possíveis. Se escrever é um ato individual e solitário, é mais um exercício de liberdade.

Às ausências e saudades dei sentidos para a falta de abraços amigos e do exercício da sexualidade em tempo de pandemia, ouvindo homens e mulheres. Falei da dor das perdas, do medo e da morte: três sentidos que encobrem silêncios e cortam a pele e a alma. Disse das partidas e do direito à memória. Enfureci-me com os preconceitos, o machismo e o racismo estrutural que negam direitos e até a própria vida. Maldisse as discriminações e as tantas violências que sangram nos corpos das mulheres, violam meninas e até as matam. Acusei a cultura patriarcal que se reproduz e exacerba as violências de gênero. Excomunguei o fascismo, esse câncer que se alastra, destrói vidas e desmonta as democracias. Denunciei a exploração do trabalho remoto e o sofrimento físico e psicológico que adoecem professoras e demais operárias. Compadeci-me com a dor e a morte de mulheres nos partos e com os cárceres diante dos quais os discursos religiosos ainda fazem curvar seus corpos. Falei dos pecados nossos de cada dia, porque pecar é relativo.

Convivendo com minha mãe octogenária, impossível não se enternecer, compreender mais e me ver nela numa experiência inenarrável de ternura. Nesse torvelinho, (re)aprender saberes da ordem do cotidiano e sabores com o paladar da infância foi um retorno às raízes, como a polenta e a minestra!

Ouvindo suas dores do passado, as ausências e o trabalho envergando sua coluna, acresceu minha admiração e os significados do cuidado. Enterneci-me num cotidiano de afetos que faz tempo eu não experimentava na casa de minha mãe, a primeira feminista que conheci. Revelei meus sonhos de cursar uma faculdade e como me tornei feminista ouvindo silêncios e lamentos. Defendi furiosamente a democracia e a dignidade como princípio e a liberdade como um direito. Porque, sim, escrever é libertador. E, nas entrelinhas furiosas, as poesias, as de ontem e de hoje. No fazer de narrativas, lembrava-me, ainda que vagamente, “mas eu já escrevi sobre isso!”, e lá ia eu procurar entre mil folhas aquele poema e o intercalava no texto presente. Às vezes, um poema recente.

Foto: arquivo pessoal

Toda essa releitura é para dizer que escrever só tem sentido se comunicar algo que signifique ao autor, mas principalmente a quem lê. Volto aos comentários: foram tantos e tão sinceros que, a julgar pelas palavras e frases, dei-me conta das emoções e dos disparos de memórias por parte  quem leu as crônicas.  Nem sempre lembranças serenas, eu sei. Muitas dores me foram contadas de forma privada. Entendo-as. Como as entendo!

Na narrativa sobre a violação de corpos e sonhos, Lenir Fonceca escreveu: “Haja fígado”, haja coração, haja estômago, pra tanto útero ferido. Tanta dor e tantas marcas que ressurgem a cada puxada do “cordão do tempo” (aquele que insiste em não querer ficar no passado) das entranhas femininas de mulheres e meninas. Haja equilíbrio e sanidade pra tanta insanidade cruel, propositada, descabida e encharcada na imundície humana. Eu já nem sei mais como viver nesse mundo contaminado de vírus e pessoas infames! Eu grito! E é um grito repleto de memórias silenciadas por vergonha e culpa que não se deveria ter. Não se poderia ter. Mesmo sendo um grito dessonorizado, sei que não grito só! Marlene, obrigada por seus escritos. É sempre muito bom te ler.” Lenir resumiu, em frases fortes, todas as iras sobre as quais tenho rugido como leoa.

“Marlene, como me identifiquei nesta crônica! Na minha infância eu escutava as mesmas concepções de pecado, tinha medo do inferno, dos demônios – minha mãe dizia que nos bailes de carnaval os homens se transformavam em demônios… só para a gente não ter vontade de ir! A mesma história das duas santas: Maria Goretti e Albertina! No Colégio em que estudei ainda tinha uma terceira: Laura de Vicuña – todas as três foram assassinadas por não permitirem serem estupradas! Que pena que tantas mulheres cresceram com a concepção de que sexo era pecado… muito lamentável!”, escreveu Teresa Kleba Lisboa sobre a crônica acerca dos pecados nossos de cada dia. Mesmo assim: referências que só as mulheres podem dizer de como foram educadas. E de seus gritos com as violências vividas ou sabidas como suporte pedagógico.

“Eu me vejo na tua história”, “tua história com a mãe se parece com a minha”, “eu vivi isso”, “eu sofri violências e silenciei por medo e culpa”, “eu tinha vergonha do corpo”, “deus iria me castigar”, “meu marido me batia”, “eu já vivi tudo isso e não sabia que era violência”, “eu fui estuprada e até hoje tenho pavor…”, “meu pai era violento” –  disseram, dentre tantas outras confissões. Onice Sansonowicz, num lampejo testemunhal, ficou tocada: “Ah minha amiga! Como essas narrativas me tocam profundamente. A primeira mulher do meu avô também morreu em um parto. Quanto devem ter sofrido essas mulheres até morrerem. Penso na dor daquelas cujas mãos deveriam trazer essas crianças ao mundo… quantas mortes testemunharam. Bela e tocante crônica.” A história de minha nona, da tua, das nossas.

Sandra Sanon por certo sofre ao dizer “Aqui no Haiti não é diferente, infelizmente. Não vejo a hora para chegarem as mudanças. Nós sofremos com cada notícia sobre a violência contra as mulheres e crianças.”. Sim, nos recantos da América as mulheres sofrem. Do norte do país, Cristiane Manique me conta: “Aqui no Amazonas é comum ouvir de minhas alunas relatos de abuso de pai, avô, padrasto, tio, irmão… e de serem desacreditadas pelo  restante da família. É uma solidão que olha.”  É mesmo assim, uma tragédia que acomete mulheres e crianças. Cotidiana e incontingente.

Os comentários dão a dimensão desta recepção das leituras e suas ressignificações. Maria Bernadeth Tonetto expressou sua emoção: “Querida Marlene, você me fez chorar… te agradeço por contar tua história, ela se parece com nossas histórias! Nossas mães são guerreiras e merecem sempre.” São mesmo, aguentaram e estão vivas!

Vivências parecidas no meio rural dão conta de que nos recônditos lares do campo as mulheres sofrem caladas. Foram educadas para casar, parir, rezar, obedecer e trabalhar muito. Na época, nós, as filhas, não percebíamos as violências de gênero, psicológicas, patrimoniais, de geração que as afligiam. Agora que sabemos, nenhuma luta é vã pela integridade dessas mulheres.

Que dizer do olhar de Urda Alice Klueger? “Tua poesia se transforma em prosa, a historiadora se transforma em poeta! E fico feliz por ser uma mulher de mais de meio século que faz escolhas!”, escreveu. Noutras postagens, disse que as crônicas serão “importante testemunha da História! No futuro, quando se quiser saber sobre este tempo, com certeza teus textos serão da maior importância!.” Nestes outros, até enrubesci: “Além de grande cientista da História és excelente escritora de Literatura” com “sensibilidade, emoção e ciência. Parabéns, minha querida! É uma combinação rara.” Encabulou-me: Urda tem décadas de histórias e livros publicados. Seu olhar me é caro e raro!

Também escreveram das resistências: Essa (crônica) me remeteu a lembranças da minha mãe, minha bisavó, mulheres com histórias lindas e tristes, mas de superação. Mulheres fortes, guerreiras”, no lembrar de Rose Ucha Peres.

Sim, as mulheres resistem, sabemos. Só estamos aqui porque não houve fogueiras que queimassem todas. Fortes, resistiram.

Os homens também escreveram, que bom! Hilário Fonceca contou como me lê: “Já estabeleci um ritual para ler seus escritos. Primeiro preciso estar comigo mesmo. Depois, de mãos limpas, pois de quando em quando é preciso tirar os óculos pra enxugar lágrimas de carinho, de ternura, de indignação que teimam em cair, parágrafo sim, parágrafo não. Nos intervalos, boas risadas. E assim me delicio toda semana. Muito obrigado.” É preciso mesmo indignar-se, endurecer, sem perder a ternura.

Fernando Mattos Rodrigues registrou sua indignação: “Excelente crônica, urgente temática. Me tocam muitas de suas palavras e reflexões, em especial uma das últimas: a preocupação com a liberdade afetivo-sexual das mulheres. Já não bastava o vírus moral do conservadorismo e os julgamentos inúteis do senso comum, aparece um vírus biológico pra estragar mais ainda o que já não era assegurado às mulheres.” Mesmo.

Com crítica política também escreveu Claudemir Cesarin: “Passear pelo jardim das tuas letras, enquanto desenrolas um fio da História pra clarear alguns nós desastrosos dos nossos (des)governantes, me fez ver que, em pleno século 21, o 12 ainda não acabou”. Pasmemos: não acabou. Querem-nos de volta às fogueiras. Mas não passarão!

A imprescindível parceria de minha filha que, mesmo à distância, acompanhou-me com palavras de afeto e força. Dentre seus vários e sensíveis comentários, colhi este: “Juntei os sentidos e senti o cheiro das folhagens verdes e saudáveis que vejo nas fotos. Chorei sorrisos por vê-las bem e toquei saudades concretas em minha frente. Te amo, mãe! Obrigada por mais um primor. Saudades da nossa família, mas logo estaremos todos bem.” Tashi, feminista amada e cúmplice, agora trabalha como Especialista em Diversidade e Inclusão, com cursos e treinamentos. Não é para amar?

E o que dizer dos muitos pedidos e sugestões para juntar todas as crônicas num livro? “Por favor, quero presentear minha mãe, que só lê impresso!”, ou “Já te falei que elas (as crônicas) devem ser transformadas em livros, os poemas expostos e tudo o que for possível para visibilizar os teus escritos, porque eles simplesmente encantam, penetram na alma e elevam nosso espírito”. Obrigada, Teresa Kleba.

Agora é projeto, o que me dá mais responsabilidade. Vou juntar estes textos, organizar e publicar em parceria com o Portal Catarinas. Não sei ainda se será uma coletânea digital ou impressa, ou as duas. Mas vou descobrir logo – alguém me ajuda nesta decisão?

Neste final de agosto – mês de cachorro louco – já passaram cinco meses de pandemia. Parecem anos, todavia, algumas coisas parecem ter estacionado. A quarentena revirou bússolas, sentidos e costumes. Será cedo para tirar disso lições? Será tarde para ressignificar os sentidos da solidariedade e da dignidade? Sairemos mais fortes, espero. Ao escrever, desnudo-me sem os medos do passado e procuro dizer das coisas que me tocam.

Este texto era para ser curto, como convém a uma crônica. Sofro por não saber escrever pouco e sempre ultrapasso os limites de páginas. Eu era assim nos textos acadêmicos. Vou me policiar doravante.

Ditas todas essas coisas, digo de minhas buscas. Por tudo o que tenho dito sou militante: para que mulheres não sofram, sejam respeitadas na sua dignidade e possam fazer escolhas. Para as meninas, que possam ser educadas para desenharem seus futuros e dizer não quando não é não, e serem respeitadas por isso. Que não haja mais gritos e silêncios abafados.

Dedico esta crônica às leitoras e aos leitores que me acompanham. Estamos juntas! Juntos! Se são breves os contatos, longo e profícuo é o ato de compartilhar experiências e ouvir sentimentos e silêncios. Obrigada!

 

Marlene de Fáveri, 30 de agosto de 2020. Florianópolis.

 

 




Professora do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da UDESC, onde leciona a disciplina de História e Relações de Gênero. Coordenadora do Grupo de Pesquisa “Relações de Gênero e Família” (CNPQ), e do Laboratório de Relações de Gênero e Família (LABGEF). Membro do Grupo de Trabalho de Gênero da Associação Nacional de História (ANPUH), e do Instituto de Estudos de Gênero (IEG). Autora de livros e artigos de História, Gênero e Feminismo. Militante pelos direitos humanos, integrou o Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres de Florianópolis (COMDIM).
Veja a coluna da Marlene de Fáveri