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Coluna da Lusmarina Campos Garcia

A espiritualidade como disfarce para um projeto político baseado no crime

Postado em 26/08/2020, 16:55

A pastora luterana estreia sua coluna com uma pílula textual sobre o caso da deputada federal e pastora que é acusada do assassinato do marido

O escândalo envolvendo Flordelis dos Santos de Souza, cantora, pastora e deputada federal (MDB/RJ), é apenas mais um neste universo vexatório no qual uma parte das igrejas cristãs se lançou. Não podemos dizer que são apenas as igrejas pentecostais e neo-pentecostais que aderiram ao lixo teológico e hermenêutico com aparência de espiritualidade e interioridade fascista; uma porção das igrejas protestantes e católicas também adotou a mediocridade como método e a espiritualidade como disfarce para a adoção de um projeto político baseado no crime.

Não dá para simplesmente apontar o dedo para a “pastora” criminosa quando as igrejas históricas e o próprio Estado nada fizeram para impedir que “igrejas” fossem criadas e “pastores” se auto-proclamassem como tal sem nenhuma regulação, formação e critério de funcionamento.

Regulamentar o funcionamento das instituições religiosas no país não é interferir na liberdade religiosa, é adotar parâmetros dentro dos quais tais organizações devem funcionar a fim de preservar o bem maior que é o Estado Democrático de Direito e os direitos fundamentais de todos os cidadãos e cidadãs.

As igrejas cristãs chegaram ao fundo do poço e junto com elas o Estado brasileiro. Estamos precisando de uma nova Reforma no âmbito do cristianismo no Brasil. Reforma baseada no pensamento crítico, no compromisso com uma sociedade justa e igualitária, numa teologia libertária.

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Lusmarina Campos Garcia é teóloga eco-feminista, pastora luterana e pesquisadora no Programa de Pós-graduação da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ. Compõe três grupos de pesquisa: Observatório do Judiciário Brasileiro, Direito e Cinema e Teoria da Sociedade, Direito e Política. Defensora dos direitos humanos, com ênfase na questão de gênero, pronunciou-se na audiência pública do STF no contexto da ADPF 442 em defesa da descriminalização do aborto. É atuante no movimento ecumênico desde a década de 1980.
Veja a coluna da Lusmarina Campos Garcia