A historiadora, escritora e poeta Marlene de Fáveri lança amanhã a Coleção Febres, composta por quatro livros de sua autoria e publicada pela editora Traços&Capturas. A obra é composta por títulos de poesia e prosa poética: O quase fim do mundo, O poema e os silêncios, Vício e Para morder o travesseiro. Os livros abordam temas como a pandemia, a escrita, os silêncios, a sexualidade e as experiências das mulheres.

O lançamento acontece no Bugio Trindade, em Florianópolis (SC), a partir das 19h. Os livros podem ser adquiridos no local.

Na Coleção Febres, a poesia ganha espaço para abordar experiências que marcaram os últimos anos da autora. Em “O quase fim do mundo”, os textos escritos entre março de 2020 e março de 2022 retomam a pandemia de Covid-19, o medo, o negacionismo e as desigualdades que atravessaram aquele período. 

Já “O poema e os silêncios” investiga aquilo que nem sempre pode ser dito, mas que permanece presente nas experiências humanas, especialmente nas histórias de mulheres cujas vozes foram historicamente silenciadas.

Os outros dois volumes exploram dimensões mais íntimas da escrita e da existência. Em “Vício”, Marlene reflete sobre a própria relação com a literatura e a poesia, entendidas como uma necessidade que nasce da inquietação e da curiosidade. 

Em “Para morder o travesseiro”, o corpo, a sexualidade e o prazer feminino ocupam o centro dos poemas, em uma abordagem que reivindica a liberdade das mulheres de viver e expressar seus desejos. 

Colunista do Portal Catarinas desde 2017, Marlene tem uma trajetória marcada pela produção literária e pela pesquisa histórica, especialmente em temas relacionados às mulheres e às relações de gênero. 

Ao longo dos anos, publicou crônicas, artigos, coletâneas de poesia e, em 2024, seu primeiro romance, “O Lenço e o Rosário”, que narra a história de três gerações de mulheres imigrantes italianas no sul de Santa Catarina.

A escrita como paixão e resistência

Para Marlene, o nome da coleção traduz o estado em que se encontra quando escreve. “Quando escrevo, entro num estado febril que pulsa por dentro, o coração acelera e os dedos dançam com as palavras”, conta. A febre, nesse sentido, não se limita a uma sensação física, mas sim ao impulso de encontrar palavras capazes de expressar sentimentos, inquietações e experiências.

A reunião dos quatro livros em uma única coleção também foi resultado de um processo de amadurecimento. Os textos foram escritos entre os últimos cinco e seis anos, período em que a autora publicou mais de 60 crônicas, um romance e outros dois livros de poesia. A proposta de reunir as obras partiu de uma sugestão do editor André Soltau, da Traços&Capturas.

“Eu tinha estes livros prontos, mas ano passado minha vida foi difícil, minha mãe adoeceu e veio a falecer em meados deste ano. Por sugestão do editor André Soltau, da editora Traços&Capturas, decidi editar todos numa coleção”, relata. Segundo ela, a decisão envolveu planejamento e custos, mas permitiu aproximar trabalhos que, embora diferentes, compartilham a mesma intensidade.

A poesia, explica Marlene, nasce de um impulso que pode vir de uma leitura, de um sentimento, de uma paixão ou até de uma palavra desconhecida. Diferentemente da pesquisa histórica, que exige outros caminhos de investigação, ou da crônica, que parte de acontecimentos cotidianos, o poema se constrói a partir de uma urgência de expressão.

A dimensão política da escrita também atravessa sua produção. Historiadora dedicada às experiências das mulheres, Marlene afirma que a presença feminina sempre esteve no centro de seus textos, mesmo antes de seu contato com o feminismo. Na coleção, essa perspectiva aparece tanto na denúncia das violências e dos silenciamentos quanto na defesa da autonomia e do prazer.

Em “Para morder o travesseiro”, essa discussão se aproxima da experiência íntima. Ao abordar a sexualidade feminina sem constrangimentos, a autora questiona os padrões que, durante séculos, restringiram o corpo e os desejos das mulheres. “O corpo é político e, portanto, o prazer também é”, diz.

Para a autora, escrever continua sendo um exercício de coragem, sobretudo diante das contradições e dos desafios do presente. A literatura, nesse percurso, permanece como espaço de liberdade e resistência. “A paixão pelas palavras é meu refúgio”, afirma.

Serviço

Lançamento da Coleção Febres

  • Data: 4 de novembro (quarta-feira)
  • Horário: a partir das 19h
  • Local: Bugio Trindade
  • Endereço: Servidão Cristiano Vanderlei Faria, 25, bairro Trindade, Florianópolis (SC), próximo à Igrejinha da UFSC

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1 comentário

Marlene de Fáveri em 03 de novembro de 2026

Obrigada, Paula Guimarães e equipe do Catarinas. Enfim, paidos os livros que falo de tantas coisas, e se aproximam nas minjhas febres da escrita.

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