As eleições de 2026 produziram um Congresso ainda mais extremista, expressão institucional de um processo que se desenvolve também nas redes. O PL elegeu 121 deputados federais e, a partir de 2027, terá 28 dos 81 senadores, a maior bancada partidária nas duas Casas. Em Ecologias de crise em lançamento pela Ubu Editora, a antropóloga Letícia Cesarino propõe olhar para a radicalização como uma ecologia: indivíduos, plataformas, algoritmos, afetos e relações sociais integram circuitos que se retroalimentam. 

No livro, ela aproxima a lente das trajetórias pelas quais pessoas são capturadas por comunidades extremistas ancoradas em ambientes digitais. A misoginia é hoje um fator importante de recrutamento para estes grupos, principalmente entre meninos jovens. 

Em entrevista ao Catarinas, Cesarino conecta essa dinâmica ao cenário político atual: repertórios radicalizados retornam ao centro da sociedade em versões moderadas e passam a alterar o próprio sistema. Nesse processo, “a misoginia está se tornando cada vez mais estrutural, cada vez mais basal, em todos os tipos de radicalização”, afirma. 

A longo prazo, essa normalização pode empurrar a democracia para a autocratização: um processo em que ela vai sendo corroída por dentro, com o enfraquecimento de direitos, das instituições e dos limites impostos ao exercício do poder. “As pessoas podem não perceber o que está em jogo”, alerta.

Catarinas — A misoginia é anterior às redes e atravessa historicamente a sociedade, a cultura, a política e as relações. Como ela é acionada nos processos de radicalização, especialmente entre crianças e adolescentes?

Letícia Cesarino — Essa pergunta é bem direta em relação a um dos propósitos do livro. O objetivo mais global foi pensar a radicalização como um fenômeno específico, que tem padrões próprios e uma topologia comum onde quer que apareça.

Dois casos clássicos da literatura internacional são o neonazismo e a radicalização islâmica. Essa literatura surge principalmente nos anos 1980 e 1990, muito nessa chave que depois se relaciona à Guerra ao Terror. O que faço no livro, primeiro, é trazer para o Brasil essa discussão do campo de estudos sobre radicalização e extremismo, porque praticamente não temos literatura sobre isso aqui.

É um campo que também é muito bom para pensar processos que envolvem máquinas e algoritmos, porque, no fim das contas, o livro acaba sendo principalmente sobre radicalização online. A questão é: o que acontece com essa topologia quando os algoritmos entram? Eu fecho esse modelo na imagem de uma espiral.

Trabalho com dois casos específicos de radicalização tipicamente digital. Um deles, mais antigo, envolve red pill, black pill e a incelosfera, que os pesquisadores normalmente chamam de radicalização misógina. O segundo, mais recente e bastante particular ao Brasil, são as chamadas “panelas”.

A misoginia é mais antiga, obviamente, não só porque é pré-digital, mas porque também tem uma versão anterior dentro da própria internet. Há a questão dos chamados “direitos dos homens”, dos masculinismos. Desde que existe feminismo existe também essa reação. Esse é justamente o caráter reacionário da misoginia.

Eu diferenciaria isso do machismo mais clássico do patriarcado, quando o homem não está se sentindo ameaçado.

No caso da radicalização online, a misoginia assume esse caráter mais reacionário: à medida que os direitos e as conquistas das mulheres avançam, a reação se radicaliza. Ela tende a escalar porque esses homens percebem seu lugar como ameaçado.

Com a plataformização, a partir da década de 2010, e a consolidação desse modelo de internet que temos hoje, forma-se um ecossistema masculino de caráter mais explicitamente misógino, reacionário e radicalizado.

Isso vai piorando ao longo dos anos e, no pós-pandemia, as pesquisas internacionais são unânimes em apontar uma radicalização mais acelerada e uma regressão da faixa etária: ela começa a atingir cada vez mais adolescentes, pré-adolescentes e crianças.

A misoginia aparece na radicalização de duas maneiras. Ela pode constituir uma via específica de radicalização, como uma espécie de funil: existe o recrutamento, a pessoa vai sendo conduzida por esse funil e, no extremo, pode chegar ao ato de violência.

Mas ela também funciona como algo basal. É um componente muito presente em praticamente qualquer forma de radicalização, principalmente entre adolescentes e pré-adolescentes hoje. 

E, no caso da extrema direita, a misoginia vem caminhando cada vez mais para o centro de sua própria gramática. Ela se tornou uma ferramenta de recrutamento importante inclusive para outras formas de radicalização.

Então, quando penso especificamente na radicalização online, a misoginia tem esse caráter reacionário — e essa é uma de suas diferenças em relação ao machismo — e está se tornando estrutural à radicalização como um todo.

A misoginia não nasce no ambiente digital. O que as plataformas acrescentam ou potencializam nessa construção, inclusive em sua passagem para a violência fora das redes?

É claro que nada disso surge do nada. São transformações de algo que já existia. Mas o ambiente digital produz uma extremização cada vez maior.

Há fatores que aparecem na radicalização de modo geral, como o isolamento. Às vezes a pessoa chega a levar uma espécie de vida dupla. Também existem diferenças conforme a faixa etária. 

O recrutamento pode acontecer a partir de interesses aparentemente distantes da misoginia, como jogos, exercício físico, MMA e outros temas, e por meio de influenciadores.

Há uma versão mais moderada desse conteúdo que permanece na superfície das grandes plataformas, sem ser banida ou contida. Esses influenciadores sabem até onde podem ir para continuar existindo. Eu considero, porém, que essa margem dada pelas plataformas é muito grande.

Um argumento que faço no livro é que, quando os algoritmos entram, precisamos adiantar a linha de intervenção porque a radicalização acontece muito rapidamente. 

A literatura internacional vem observando, no pós-pandemia, não apenas o recrutamento de pessoas cada vez mais jovens, mas também uma redução do tempo entre o primeiro contato com o conteúdo extremista e, em alguns casos, o ato de violência. Às vezes estamos falando de meses ou até semanas.

Isso muda estruturalmente o problema por causa da velocidade.

Há também uma gramática que justifica a violência. A ideia de que o feminismo teria desequilibrado uma suposta ordem natural porque agora as mulheres podem escolher seus parceiros; de que todas escolheriam o chamado “alfa”; toda aquela lógica do 80/20. 

É apresentada como se a possibilidade de escolha das mulheres produzisse uma distorção antinatural.

Quanto mais você entra nessa gramática, mais percebe uma coisa interessante: ela também é sobre outros homens. 

A mulher é tão desprezível para eles que, de certa maneira, a própria ideologia passa pela relação com os outros homens, aqueles de quem sentem inveja.

Isso produz um fatalismo que é muito forte entre adolescentes. São meninos que muitas vezes nunca tiveram um relacionamento e nem chegam a tentar, porque aprendem nesses ambientes que, se forem baixos demais, se não tiverem determinadas características físicas ou dinheiro para “compensá-las”, já sabem que não vão conseguir se relacionar com uma mulher.

Esse fatalismo é um fator muito perigoso de radicalização de adolescentes.

Em segmentos como black pill e a incelosfera aparece a possibilidade de uma violência mais espetacular, como ataques a escolas. No universo red pill, talvez seja necessário começar a investigar melhor a relação entre esses processos e o feminicídio. 

Talvez precisemos diferenciar, inclusive nos dados, o feminicídio de casos de feminicídio derivados de processos de radicalização.

Isso é importante também para começarmos a discutir a responsabilização das plataformas e dos influenciadores. 

Talvez determinado homem não tivesse se radicalizado naquele nível sem esses ambientes e não tivesse chegado ao ato extremo. É algo que deveria estar no debate.

Além desses processos, há uma dimensão econômica nessa circulação da misoginia?

Existe uma monetização. Há, por exemplo, conteúdos voltados a ensinar homens a “proteger o patrimônio” caso uma mulher queira se divorciar. 

Há toda uma mística em torno da mãe solteira, a ideia de que ela só se relacionaria com determinado homem para que ele sustente o filho de outro.

É uma versão digital do antigo ativismo pelos “direitos dos homens”, mas muito mais distorcida.

A linguagem do parasitismo é típica de processos de radicalização. Você começa a encontrar sinais semelhantes aos presentes em outros tipos de radicalização, inclusive nos segmentos que parecem mais moderados.

Também aparecem conteúdos de violência e pornografia. O papel da pornografia é enorme e acho que ainda existe um tabu para pesquisadoras falarem disso, inclusive porque pode parecer que se está culpabilizando a mulher que produz esse tipo de conteúdo. Não é disso que se trata.

No Brasil ainda não temos muita pesquisa sobre isso, mas acredito que, se tivéssemos dados, provavelmente encontraríamos na pornografia industrial e digital um papel importante na desumanização e objetificação das mulheres.

Em espaços fechados, como o Telegram, tudo isso se mistura: pornografia, violência, vídeos de câmeras de segurança, abuso sexual infantil, sadismo. No caso das “panelas”, chega-se a uma espécie de liquidificador de conteúdos cujo princípio passa a ser o valor de choque.

Nesse ponto você chega a uma extremização do próprio extremismo.

Nas “panelas”, muitas das vítimas são meninas, cada vez mais meninas pré-adolescentes. Algumas acabam também assumindo posições dentro desses grupos. 

É preciso tomar cuidado ao dizer simplesmente que “agora as meninas também estão se radicalizando”. Em alguns casos, subir na hierarquia do grupo pode aparecer como uma maneira de sobreviver naquele ecossistema de controle.

Historicamente, o fator preditivo mais consistente da radicalização continua sendo: homem, jovem e solteiro.

Isso não significa que não estejamos vendo hoje mais meninas aparecerem nesses ambientes.

Quais sentimentos tornam meninos tão jovens suscetíveis a esses processos de recrutamento?

É importante falar da chave do humor e do que é aparentemente inofensivo. O adolescente é inerentemente atraído por isso e, na internet sem supervisão, pode entrar muito rapidamente numa espiral desse tipo.

O recrutamento pode acontecer de várias formas. Há sentimentos como pertencimento e solidão. Mas não é apenas algo que esses meninos trazem de suas experiências anteriores. A própria gramática desses ambientes induz determinadas disposições.

A idade é fundamental. A pessoa ainda não tem uma estrutura consolidada. É muito fácil para esse pessoal recrutar adolescentes.

E as plataformas não levam o problema suficientemente a sério. Alguns espaços controlam determinadas formas de conteúdo, mas grande parte do conteúdo misógino continua praticamente liberada.

Em O Mundo do Avesso, você identificou tensões entre católicos e evangélicos, apesar da convergência em torno das chamadas “pautas morais”. Gênero e sexualidade continuam funcionando como pontos de união entre esses grupos?

Essa é uma questão interessante porque isso já aparecia no material de 2018. Era possível perceber uma tensão. De vez em quando aparecia algum conteúdo evangélico mais explícito em relação ao catolicismo, ao mesmo tempo em que também existe um segmento extremista dentro da Igreja Católica.

A unificação em torno de um inimigo comum — a esquerda — continua existindo e certamente eles ainda estão unidos em torno de determinados temas.

Mas, com o tempo, me parece que a Igreja Católica começou a perceber que talvez estivesse diante de um fenômeno mais estrutural: um deslocamento da própria elite religiosa.

Os evangélicos representam uma parcela da população, mas o nível de influência que possuem na política é muito desproporcional. Então a cisão passa também por uma questão mais estrutural de poder religioso.

Os resultados das eleições legislativas recolocaram em evidência candidaturas que questionam direitos humanos, direitos de minorias e princípios democráticos, inclusive mulheres com discursos antifeministas. O que esse fenômeno revela sobre a circulação desses repertórios e sobre a crise de confiança nos mediadores tradicionais, como imprensa e universidade?

Acho que mostra que esse processo de competição avançou. De um lado estão os mediadores do mundo pré-digital — a grande mídia profissional, a universidade etc. — e, de outro, formas tipicamente digitais de mediação, como os influenciadores. Existem várias expressões disso, mas todas passam pela lógica da economia da atenção.

A grande mídia ainda está aí, a universidade ainda está aí. Mas, neste ciclo eleitoral, talvez tenha ficado mais claro que, pelo menos no que diz respeito às eleições, já podemos falar em um padrão de renovação do Congresso Nacional e das assembleias estaduais com pessoas vindas desse universo digital.

O antifeminismo é um nicho muito produtivo dentro da economia da atenção e, quando se encontra com a política eleitoral, ganha ainda mais espaço. Há cada vez mais mulheres querendo ocupar esse nicho.

E agora começa a existir uma competição entre os próprios atores da direita por esse espaço na economia da atenção. É uma lógica que exige chamar cada vez mais atenção.

A impressão que tenho é que o antifeminismo continua sendo um nicho de mercado eleitoral e que há mais gente entrando nele. Talvez algumas dessas pessoas precisem extremizar cada vez mais seus discursos justamente porque a lógica da economia da atenção exige isso.

Há uma contradição evidente quando mulheres que usufruem de direitos conquistados historicamente pelo feminismo passam a questionar o próprio feminismo e, em alguns casos, esses direitos. Na geração mais recente, me parece que essa extremização está aumentando.

Infelizmente, parece que esse será um nicho que permanecerá entre nós por algum tempo.

Em O Mundo do Avesso, você mostrou como a arquitetura das plataformas favorece determinados discursos e mobilizações da extrema direita. No novo livro, a radicalização ganha centralidade. Como esses dois fenômenos ajudam a compreender a composição política que emerge das eleições?

Acho que sim. Se olharmos o movimento mais geral, O Mundo do Avesso apresenta uma topologia na qual há uma relação entre os novos públicos digitais e o público convencional.

Nem todas as trajetórias de radicalização vão até o fim. Na verdade, uma pequena minoria segue aquilo que descrevo no livro novo como uma dinâmica de runaway: ela vai escalando até chegar à violência extrema.

Se o livro novo dá um zoom para dentro da trajetória de radicalização, podemos também dar um zoom para fora. O que está acontecendo é que boa parte dessas trajetórias está sendo reinjetada no sistema principal em versões moderadas.

Esse é um processo de normalização.

No curto prazo, a radicalização pode gerar efeitos muito destrutivos quando uma trajetória vai até o extremo. No longo prazo, porém, a reinjeção desses repertórios no sistema vai mudando o próprio sistema.

No caso da democracia, isso pode significar uma mudança progressiva de seu viés em direção a uma trajetória de autocratização mais definitiva. Não é um processo linear. Há idas e vindas, há contrapressões — da grande mídia e, às vezes, de setores privados, dependendo dos interesses ameaçados. Mas essa é a direção geral do processo.

As eleições mostram essa normalização. Determinadas figuras e discursos passam a adquirir uma aparência mais moderada, e isso produz a ideia de: “não custa tentar, vamos ver”. O problema é que as pessoas podem não perceber o que está em jogo nesse processo de normalização.

Essa linguagem já aparece de maneira muito cotidiana entre adolescentes: red pill, beta, incel e outros termos circulam sem necessariamente serem percebidos como extremistas. Diante dessa normalização e também do aumento da violência contra as mulheres, você identifica algum esgotamento dessa dinâmica ou brechas para interrompê-la?

Esgotamento eu não vejo no curto prazo.

O que me parece estar acontecendo na dinâmica mais geral de normalização da direita é uma mudança de quem deve exercer o controle e oferecer respostas para a violência contra as mulheres.

O centro normativo não necessariamente vai se apresentar publicamente como favorável à violência contra a mulher. O movimento é outro: quem vai cuidar disso? Quais serão os meios legítimos para lidar com essa violência?

Vejo uma tendência de transferência da política pública, da Lei Maria da Penha e do Estado — de uma concepção de proteção em que a mulher conquista autonomia por meio de direitos — para estruturas como família e igreja.

A lógica passa a ser: “não somos a favor da violência, mas isso deve ser resolvido dentro da família ou dentro da igreja”.

Essa transferência do controle pode acontecer muito facilmente dentro de uma dinâmica de normalização.

E, indiretamente, isso tende a aumentar a violência. Uma mulher que precisa lidar com a violência exclusivamente dentro da família ou da igreja tem muito menos autonomia. Ela fica dependente dos parentes, do pastor ou dos fiéis. Perde aquela outra alternativa, que é pública: o acesso à lei, aos direitos e à proteção.

Mesmo que o discurso mais explicitamente misógino eventualmente encontre algum limite para circular publicamente, existe outro problema quando pensamos nas crianças.

Uma chave que trabalho no livro, e que talvez seja uma de suas principais contribuições, é a da brincadeira e dessa impossibilidade de estabilizar a metacomunicação: afinal, essa mensagem é séria ou é brincadeira?

Isso é muito importante nos processos de radicalização porque permite que eles avancem. Diante de uma fala misógina, sempre é possível recuar e dizer: “Eu estava brincando”, “não estava falando sério”, “não era bem isso”.

Parte da radicalização também passa por uma lógica reativa e pela perda de controle: “Eu não queria fazer aquilo, mas ela me fez fazer”. Isso está muito presente no senso comum. É a mulher que “provocou”, é a pergunta sobre por que ela estava sozinha, por que fez determinada coisa.

É muito difícil mudar isso porque estamos falando de um senso comum que normaliza e justifica a violência. Seria necessária toda uma estrutura de reeducação da forma como se vê a mulher. É uma correnteza muito forte.

Então, por onde começar? Há saída?

A saída é chegar nesses meninos quando eles ainda são crianças ou estão entrando na adolescência. E não há outro lugar para fazer isso como a escola.

É nesse momento que eles ainda estão abertos. A própria imagem da masculinidade precisa mudar. É preciso oferecer uma alternativa. Eles não vão sair desse funil para ir a lugar nenhum. É necessário mostrar que existem outros lugares possíveis.

Além da escola, que é um espaço em que conseguimos trabalhar com eles, precisaríamos disponibilizar outros modelos masculinos: influenciadores, jogadores de futebol, streamers, gamers, figuras com as quais eles se identifiquem.

Conheço, por exemplo, uma pessoa envolvida em um projeto em Porto Alegre que toca em banda punk, é gremista, participa de torcida organizada e consegue fazer esse jogo com a estética que interessa aos jovens. A mensagem é: “Você pode ser homem dessa forma”.

Isso é muito interessante, mas ainda existem pouquíssimas pessoas fazendo esse trabalho. Precisaria ser muito mais encorajado.

Não adianta apenas eu, você, uma mulher como figura de autoridade. Às vezes, nessa fase, eles não escutam nem a mãe. É próprio da adolescência que as referências sejam outras.

Por isso, os homens precisam entrar com a gente. Principalmente porque outros homens são modelos para esses meninos.

Isso ainda está sendo pouco pensado e pouco trabalhado. Mas é importantíssimo.

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