Entre os dias 2 e 8 de agosto, Brasília (DF) é palco da IV Marcha das Mulheres Indígenas, realizada pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga). Neste ano, o evento terá o lema “Nosso Corpo, Nosso Território: Somos as Guardiãs do Planeta” e deve reunir, ao menos, cinco mil mulheres, de mais de cem povos indígenas. Ao fim da caminhada até a Praça dos Três Poderes, prevista para a manhã de quinta-feira (7), será entregue ao Congresso Nacional a “Carta dos Corpos-Territórios em Defesa da Vida”, com o objetivo de fortalecer e desenvolver políticas públicas voltadas às mulheres indígenas.

A programação da Marcha inclui debates sobre a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30) e a presença indígena nos espaços institucionais de poder. Também será realizado um júri ancestral, no qual organizações de mulheres indígenas poderão relatar casos de violência, como abuso sexual, feminicídio e adoção irregular de crianças, às juristas Débora Duprat e Rosa Weber e às advogadas indígenas Samara Pataxó, Lucimara Patté, Luiza Tuxá, Maíra Pankararu e Fernanda Kaingang, responsáveis pelos pareceres.

1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas

Simultaneamente, nos dias 4 e 8 de agosto, a Marcha das Mulheres recebe a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas, resultado de um acordo entre o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), o Ministério das Mulheres (MMulheres) e a Anmiga. Com o tema “Enfrentamento da Violência contra as Mulheres Indígenas”, a conferência aborda seis eixos de discussão: Direito e Gestão Territorial; Emergência Climática; Políticas Públicas e Violência de Gênero; Saúde; Educação e transmissão de saberes ancestrais para o bem viver.

Conforme os ministérios, a Conferência é um evento histórico, pois, pela primeira vez em âmbito nacional, as mulheres indígenas possuem um fórum governamental dedicado à discussão de suas demandas, aspirações e perspectivas. “Seu propósito primordial é fomentar um diálogo estruturado entre o poder público, as entidades da sociedade civil organizada e demais partes interessadas na pauta dos direitos dos povos indígenas, com especial ênfase nas mulheres indígenas”, descrevem.

Confira a programação da IV Marcha das Mulheres Indígenas:

4 de agosto – Grande Assembleia da ANMIGA

9h – 1ª Mesa – Bancada do Cocar: Mulheres Indígenas nos espaços de poder:

  • Discussão das pautas centrais: atuação da Bancada do Cocar;
  • Diálogos políticos e organizativos da Rede ANMIGA.

Participantes:

  • Sônia Guajajara – Ministra dos Povos Indígenas;
  • Célia Xakriabá – Dep. Federal (Psol/MG);
  • Juliana Cardoso Terena – Dep. Federal (PT/SP);
  • Cacica Irê – Secretária de Estado/CE;
  • Puyr Tembé – Secretária de Estado/PA;
  • Joenia Wapichana – Presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI);
  • Ceiça Pitaguary – Secretária Nacional de Gestão Ambiental e Territorial Indígena do MPI;
  • Giovana Mandulão – Secretária de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas do MPI;
  • Pagu Rodrigues – Secretária MM;
  • Edna Shanenawa – Secretária/AC;
  • Marciele Tupari – Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab);
  • Luana Kaingang – Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (ARPINSUL) e Comissão Guarani Yvirupá;
  • Simone Karipuna – Secretária/AP;
  • Ingrid Sateré-Mawé – Vereadora Florianópolis (SC);
  • Andrea Kariri – Articulação das Mulheres Indígenas no Ceará;
  • Marinete – União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira;
  • Wanda Witoto – Instituto Witoto;
  • Zenilda Xukuru -Departamento de Mulheres Indígenas da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo;
  • Letícia Krikati – Articulação das Mulheres Indígenas do Maranhão;

11:00 – 2ª Mesa – Caravanas das Originárias:

  • Partilha das experiências da caravana/2023 e como queremos a caravana/2026;
  • Discussão das pautas centrais para a Caravana das Originárias 2026;
  • Definições e encaminhamentos coletivos.

Participantes:

  • Federação dos Povos e Organizações Indígenas do Ceará (FEPOINCE);
  • Articulação das Mulheres Indígenas no Ceará (ANMICE);
  • Edilena Krikati – Articulação das Mulheres Indígenas do Maranhão (AMIMA);
  • KUNÃ GUÊ;
  • Elisa Pankararu – APOINME;
  • União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB);
  • Kei – CGI;
  • Nyg Kaingang – Anmiga;
  • Mediadoras: Leonice Tupari, Dra. Carolina Santana e Nyg Kaingang.

14:00 – 3ª Mesa – COP 30

  • Discussão das pautas centrais COP30;
  • Definições e encaminhamentos coletivos.

Participantes:

  • Sonia Guajajara – Ministra dos Povos Indígenas (MPI);
  • Márcia Lopes – Ministra das Mulheres;
  • Marina Silva – Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA);
  • Ana Toni – Diretora Executiva da COP 30/MMA;
  • André Corrêa do Lago – Presidente da COP 30;
  • Ceiça Pitaguary – Secretaria de Gestão Ambiental e Territorial Indígena  do MPI;
  • Kleber Karipuna – Diretor Executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB);
  • Concita Sompré – Federação dos Povos Indígenas do Pará (FEPIPA);
  • Articulação Nacional das Mulheres Indígenas, Guerreiras da Ancestralidade;
  • Governo do Estado do Pará;
  • Sineia Wapichana – Autoridade Climática/Co-Presidenta do Caucus Indígena;
  • Alana Manchineri – COIAB;
  • Cristiane Pankararu – ANMIGA;
  • Mediadoras: Puyr Tembé, Bárbara Tupinikim e Samela Sateré-Mawé.

16:00 – 4ª Mesa – Júri ancestral:

  • Apresentação das depoentes de casos de violência dentro dos temas (abuso sexual, feminicídio e adoção irregular de crianças). São 7 casos, 1 por bioma;
  • Diálogo com coletivos de mulheres de Brasília;
  • Leitura de documentos sobre o mapa da violência contra os corpos-territórios e adoção ilegal de crianças indígenas;
  • Aliança de todos os povos pelos direitos das mulheres e meninas indígenas;
  • Veredito Final das participantes.

Participantes:

  • Samara Pataxó;
  • Lucimara Patté;
  • Luiza Tuxá;
  • Mayra Pankararu;
  • Fernanda Kaingang;
  • Dra. Débora Duprat;
  • Dra. Rosa Weber.

19:30 – Apresentação cultural.

20:00 – Abertura oficial da 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas

5 de agosto

9h – 1º Dia da 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas

  • Socialização da metodologia e dos objetivos;
  • Apresentação dos eixos temáticos e início dos Grupos Temáticos.

14:00 – Debates nos Grupos Temáticos e validação de propostas

19:30 – Apresentações culturais

6 de agosto

9:00 às 18:00 – 2º Dia da 1ª Conferência Nacional de Mulheres Indígenas

  • Continuidade dos trabalhos dos eixos temáticos;
  • Plenária de validação das propostas.

19:00 – Mesa de encerramento da Conferência: Ministério de Minas e Energia, Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Educação, Ministério da Saúde, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e Ministério da Cultura

  • Plenária final, leitura e entrega da Carta da Conferência.

7 de agosto

8:00 – Concentração para Marcha ao Congresso Nacional

  • Rituais de preparação e organização dos blocos;
  • IV Marcha das Mulheres Indígenas: “Nosso corpo, nosso território: Somos as guardiãs do planeta”;
  • Entrega da Carta dos Corpos-Territórios em Defesa da Vida.

14:00 – Ato político cultural

  • Desfile Ancestral das Originárias;
  • Atividades culturais e artísticas.

19:00

  • Cerimônia de encerramento e consagração das sementes do Bem Viver;
  • Apresentação cultural de artistas indígenas.

8 de agosto

  • Retorno das delegações aos seus territórios.

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