No Brasil, o dia 02 de fevereiro se consolidou como o dia dedicado a Iemanjá, principalmente por causa da cidade de Salvador, onde pescadores passaram a oferecer presentes ao mar pedindo fartura, proteção e boas pescarias. Com o tempo, essa tradição se espalhou por todo o país e, em 2026, essa comemoração completa 104 anos.

Mais do que uma data, esse dia representa um marco construído pela vivência afro-brasileira, pela resistência dos povos de terreiro e pela necessidade de manter vivos os cultos ancestrais, mesmo em meio à perseguição religiosa, ao silenciamento e ao racismo estrutural.

Louvar Iemanjá é, antes de tudo, louvar a vida.

Conhecida como Senhora dos Mares, ela é também reconhecida como a grande Mãe das Cabeças, aquela que cuida do Ori, nosso templo mais sagrado. Dentro das tradições afro-religiosas, nenhuma iniciação acontece sem que o Ori seja reverenciado, pois é nele que habitam nossa consciência, nosso destino e nossa conexão com Orum, o plano espiritual.

Iemanjá governa as emoções, a maternidade, o acolhimento e o amor que nutre.

Ela nos ensina que, sem equilíbrio emocional, não conseguimos nos aproximar daquilo que somos.

Que, com a mente calma, conseguimos enxergar o lado bom da vida.

Que uma mente exausta não prospera.

Que precisamos acolher as nossas dores para vivermos o extraordinário.

Nunca foi tão necessário louvar Iemanjá.

Em tempos de adoecimento emocional, ansiedade coletiva e desconexão espiritual, recorrer à Mãe das Águas é lembrar que podemos descansar, confiar e recomeçar.

O ato de entregar flores no mar vai além dos pedidos e agradecimentos.

Entregamos dores, amores, sonhos, medos e recomeços.

É como abrir o coração para uma mãe e poder tirar de dentro tudo o que nos aflige.

É como deitar a cabeça no colo de quem amamos e ter a certeza da retribuição do carinho.

Iemanjá não mora apenas nas águas salgadas.

Mora na troca de amor.

No abraço apertado.

No colo da vó.

Que possamos, cada vez mais, aprender com Iemanjá a cuidar dos nossos pensamentos, das nossas emoções e, principalmente, a transformar o nosso Ori em nosso melhor aliado.

Porque louvar Iemanjá é um ato de resistência, ancestralidade e consciência.

Odô Iyá (Mãe do Rio)

Omio Ô (Salve as águas)

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  • Filha de Oxum Opará. Iniciada no Candomblé. Voz ativa sobre espiritualidade, ancestralidade e consciência. Autora do liv...

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