“Participação popular na política” Entrevista com Silvia da Silva

Postado em 11/11/2020, 18:56

As lutas feministas das mulheres pela ocupação de espaços públicos, melhor educação para os filhos, condições dignas de trabalho e acesso aos direitos básicos é permanente. A consciência independe de tempo e de espaço. Por esse motivo, o despertar para essa luta é sempre uma possibilidade, pois é parte do horizonte de uma sociedade que busca equidade.

Às vésperas das eleições municipais, convidamos as candidatas e as candidaturas coletivas feministas comprometidas com a pauta dos direitos das mulheres e da igualdade de gênero em Santa Catarina para contarem ao Portal Catarinas sobre suas trajetórias de luta e propostas de campanha.

Hoje, vamos conhecer Silvia da Silva (13777) que é candidata a vereadora pelo Partido dos Trabalhadores (PT) de Concórdia.

PORTAL CATARINAS – Conte um pouco sobre sua trajetória de vida/militância e quais motivações a levaram a disputar essas eleições.
Silvia da Silva: Sou Silvia da Silva, candidata a vereadora 13777  pelo PT de Concórdia. Sou Mulher, Mãe, Trabalhadora, Sindicalista e, entre outras coisas, Feminista. Graduada em Tecnologia de Alimentos pelo Instituto Federal Catarinense (IFC)-Concórdia  e Especialista em Segurança Alimentar e Agroecologia pela  Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS)-Três Passos. Servidora Pública Federal desde 2017 e tesoureira da Coordenação do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE).

Mulher chefe de família e mãe solo, pois mesmo tendo o comprometimento do pai da minha filha, assumi integralmente a tarefa de cuidar e educar, após a separação. Vivi mais de 7 anos  em uma “bolha doméstica” e isso aguçou as minhas inquietudes em relação à figura da mulher na nossa sociedade. E é por essas e tantas outras pautas, que hoje faço parte da luta feminista e sindicalista. Percebi que a via política é um dos caminhos para alcançarmos a emancipação feminina e a igualdade de gênero.

PORTAL CATARINAS – Você tem conseguido verba para a campanha? Como são divididos os fundos eleitoral e partidário entre as candidatas? Você recebeu apoio e recursos do seu partido?
Silvia da Silva: A arrecadação prévia de recursos de campanha na modalidade de financiamento coletivo ou “vaquinha eleitoral” iniciou ainda no mês de maio, durante a pré-campanha, fui relutante em “pedir dinheiro” pois queria saber se uma campanha limpa pode ser feita a um baixo custo.

Para confecção dos “santinhos” utilizei verba própria. O recurso vindo do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) entrou na conta no dia 26 de outubro, era algo incerto para alguns e por isso dificultando um planejamento de gastos para quem não tinha outro recurso.

PORTAL CATARINAS – Quais as principais questões a superar hoje em relação à desigualdade entre homens e mulheres? E quais suas propostas para isso na câmara municipal?
Silvia da Silva: Mulheres e Homens são iguais perante a lei, mas sabemos que isso não ocorre de fato. Os desafios são gigantes e os avanços acontecem a passos lentos e precisamos superar a disparidade entre Mulheres e Homens. Precisamos acabar com a cultura do machismo, através de ações que sensibilizem e conscientizem crianças, jovens e adultos. Outra questão importante no combate às opressões é a Emancipação Econômica Feminina, que deve ser prioridade para que a sociedade alcance a IGUALDADE DE GÊNERO. Quero promover políticas que ofereçam oportunidades para MULHERES ocuparem papéis cada vez mais ativos no mundo econômico e na política, nos meios urbanos e rurais.

PORTAL CATARINAS – Quais os principais temas a serem debatidos, hoje, no município para o qual se candidatou vereadora? Quais propostas apresenta para pautá-los?

Silvia da Silva: A nossa cidade cresce a cada dia e com isso surgem novos problemas e o conflito homem-natureza também se intensifica. Precisamos elaborar leis que garantam melhor qualidade de vida para a população.

Cidadania: Criar a Comissão de Participação Popular para acolher e classificar as demandas da população;

Educação: Promover programas e atividades vinculadas à educação ambiental não-formal em parceria com empresas públicas e privadas, instituições de ensino e organizações não governamentais

Saúde: Promover ações em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) totalmente público, com o acesso integral, universal e gratuito aos serviços de saúde. 

Igualdade de gênero: Criar ações que estimulem o empoderamento e a emancipação econômica da MULHER, com incentivo para o empreendedorismo, a capacitação e a renda.

PORTAL CATARINAS – Como pretende atender as diferentes especificidades das mulheres, contemplando em seus projetos as mulheres negras, indígenas, lésbicas e mulheres trans?
Silvia da Silva: Sou negra, filha de uma mulher negra, semialfabetizada que sofreu as consequência da exploração do trabalho infantil (longa história). Dela foi retirado o direito de acessar a escola durante a infância, pois teve que trabalhar como empregada doméstica. A sociedade, sob o domínio do patriarcado, tenta impedir a percepção do nosso poder. Por isso, minha maior luta é pelo EMPODERAMENTO de Meninas e Mulheres.

Silvia da Silva (13777) é candidata a vereadora pelo PT de Concórdia/ Imagem: divulgação.

PORTAL CATARINAS – Enquanto uma candidata feminista, como pretende atuar de forma a enfrentar os discursos reacionários que não admitem que as mulheres tenham autonomia plena sobre seus corpos, que acreditam na existência de uma “ideologia de gênero” e que comprometem a implementação de políticas públicas, principalmente na área da educação, voltadas a equidade de gênero?
Silvia da Silva: A permanência como candidata até o fim das eleições, é por si só uma forma de enfrentamento ao discurso ao misógino. Ninguém disse que seria fácil, mas para mulher o desafio é sempre maior. Sei que muitas acabam desistindo do pleito em meio aos inúmeros obstáculos que surgem. Por que será??? É por mim, por todas que vieram antes e pelas gerações futuras que permaneço nessa disputa desproporcional.

PORTAL CATARINAS – Santa Catarina é o primeiro estado do País em taxa de tentativa de estupro, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020. De acordo com o mesmo relatório, em 2019, o estado ocupou a terceira posição em taxa de lesão corporal dolosa contra mulheres no ambiente doméstico. Como você pretende atuar para a redução da violência contra as mulheres em seu município de SC?Silvia da Silva: PELA HUMANIZAÇÃO DO ACOLHIMENTO À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA. Precisamos URGENTEMENTE melhorar a eficiência da Lei Maria da Penha. Precisamos unir forças (Polícia Cívil, Polícia Militar, OAB, ONG’s, CREAS) para ampliar a rede de proteção e criar condições para que a mulher encontre uma saída digna dessa situação.

Enquanto a Justiça não decide o que fazer com o agressor, precisamos garantir a segurança das famílias vítimas de violência doméstica. Proponho a criação da CASA ABRIGO.

PORTAL CATARINAS – A sua plataforma política prevê o incentivo à participação da sociedade na discussão e elaboração de políticas públicas. De que forma?
Silvia da Silva: Precisamos aproximar cada vez mais o Poder Legislativo da população e das comunidades, permitindo  que deliberem  e decidam sobre o resultado das políticas adotadas. Acredito que quando vivenciamos uma Gestão Pública mais democrática e inclusiva , podemos também  promover justiça social com responsabilidade e transparência. Por isso, apresento as seguintes propostas:

  • Criar a Comissão de Participação Popular para acolher e classificar as demandas da população;
  • Resgatar e difundir ações para o Orçamento Participativo (OP);
  • Promover a participação e o controle social, estimulando o acompanhamento do trabalho do Poder Legislativo, seja de forma presencial ou por meio eletrônico.

PORTAL CATARINAS – De que forma você tem feito sua campanha neste período de pandemia? Que estratégias têm adotado para se comunicar com a sociedade?
Silvia da Silva: Em meio a pandemia, vivemos um momento delicado e diferente de outras campanhas. Precisamos manter o distanciamento interpessoal e seguir os protocolos de recomendados no combate ao Covid-19. Mas um aperto de mão às vezes é inevitável.  O contato maior é pelo whatsapp, também faço publicações nas redes sociais, apresentando propostas e ações, interagindo com aqueles que sentem afinidade com a minha proposta. Conto com ajuda de alguns amigos para a entrega de material impresso nas áreas urbana e rural. Também temos inserções de 30 segundos nas rádios da cidade. E mesmo em meio aos desafios permanecemos firmes no pleito.


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