Criola, Conectas e Portal Catarinas encerraram, no último 1° de dezembro, o ciclo de debates “Diálogos sobre racismo religioso”. A série de quatro lives realizada ao longo do ano foi transmitida pelo Youtube do Catarinas e contou com apoio do Synergia – Iniciativa para Direitos Humanos.

O encontro “A conjuntura brasileira e os desafios políticos do combate ao racismo religioso” recebeu Ingrid Limeira, advogada, conselheira tutelar e conselheira política da Ocupação Cultural Jeholu, e Yuri Silva, coordenador nacional do Coletivo de Entidades Negras, pesquisador-ativista antirracista, LGBTQIA+ e dos direitos humanos. A historiadora Ana Gualberto, diretora executiva de Koinonia, também havia sido anunciada, mas não conseguiu participar.  

Durante a conversa, Limeira e Silva fizeram suas considerações sobre o momento de transição política que o Brasil vive. Assim como participantes de encontros anteriores, eles destacaram que o fundamentalismo religioso foi endossado pelos discursos e posturas do governo Bolsonaro, que incentivam a perseguição a religiões como o candomblé e a umbanda.

“Era desesperador viver no país do presidente Bolsonaro enquanto minoria (política). Não só como mulher de terreiro, mas como mulher, nordestina, militante dos direitos humanos, ou seja, tudo o que ele mais odeia e o que ele mais feria constitucionalmente e democraticamente falando”, enfatiza Ingrid Limeira.  

Yuri Silva disse que o Coletivo de Entidades Negras, junto a outras organizações da sociedade civil, entregou ao Comitê pela Eliminação da Discriminação Racial das Nações Unidas (CERD) um relatório sobre a proteção da liberdade de religião e de crença e o combate ao racismo religioso.

O documento enviado em outubro deste ano visa incidir nas recomendações do Comitê ao Brasil, para que o Estado brasileiro retome o compromisso com a garantia e proteção do direito à liberdade de religião e crença de grupos invisibilizados.

 “Nesse documento a gente afirma o principal elemento da minha avaliação aqui. O Estado Brasileiro precisa garantir para as religiões de matriz africana o acesso à justiça”, fala Yuri.

Ingrid Limeira também lembrou os tratados já firmados pelo Brasil, que versam sobre direitos humanos, sobre o combate ao racismo e a qualquer outro tipo de discriminação contra as minorias, mas que não têm sido respeitados. Ela vê no próximo governo uma possibilidade de mudança desse cenário.

“A esperança é de que o próximo governo consiga visualizar isso de forma mais efetiva, para que realmente sejamos respeitados nos sentidos legais”.

Para Yuri Silva – que também integra a equipe de transição de governo no grupo sobre igualdade racial – a reafirmação do princípio do Estado laico previsto na Constituição Brasileira aparece entre os principais desafios para o governo Lula.

Ele também aponta como fundamental o diálogo com as religiões de matriz africana, povos indígenas e outros grupos sociais diretamente afetados pelo racismo religioso, para que o discurso de ódio da extrema direita deixe de ganhar espaço no cenário político.  

“É um desafio difícil, mas que passa pela boa vontade política de ter as religiões de matriz africana no centro da produção de políticas públicas.” 

Ainda como parte da proposta do ciclo de debates, que objetiva abordar os impactos do racismo religioso, serão divulgados relatórios de todos os encontros. Acompanhe as redes sociais de Criola, Conectas e Catarinas e fique por dentro. 

Confira todos os encontros do ciclo

Todas as lives do ciclo de debates estão disponíveis em youtube.com/c/PortalCatarinas e o segundo encontro também está no canal youtube.com/c/Criolamulheresnegras.

  • Kelly Ribeiro

    Jornalista e assistente de roteiro, com experiência em cobertura de temas relacionados a cultura, gênero e raça. Pós-gra...

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