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Documentário está disponível no Youtube. Fonte: montagem do Portal Catarinas a partir do cartaz de divulgação.

Documentário recria histórias sobre violência sexual e acesso ao aborto legal no Brasil

Postado em 14/09/2020, 15:43

“O aborto no Brasil se constitui como um problema social, um problema de saúde pública, uma questão de injustiça social, de profunda desigualdade e de violação de direitos humanos”, declara Télia Negrão, jornalista e cientista política, na abertura do documentário “Além da Lei – Aborto Legal no Brasil“, produzido pela Clínica de Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (CDH/UFPR) e disponibilizado na última sexta, 11, no Youtube.

Face aos últimos acontecimentos, como a saga vivida pela menina de 10 anos do Espírito Santo para garantir o aborto legal e a publicação da Portaria 2.282 pelo Ministério da Saúde, que dificulta ainda mais o acesso ao aborto legal para vítimas de violência sexual, o documentário lançado em 2018 mostra sua relevância e atualidade.

O curta-metragem de 15 minutos recria a história de três mulheres vítimas de violência sexual e sua busca pelo aborto legal. Três relatos que mostram que a violência sexual não escolhe cor nem classe social, mas escolhe gênero. Em comum, além da violência sofrida, as mulheres compartilham o direito ao aborto legal, e suas histórias expõem a realidade do serviço no Brasil, em termos de eficácia legal, jurisdicional e de saúde coletiva.

Com a participação de profissionais da saúde, comunicadoras, professoras, juristas e ativistas e apresentação de dados estatísticos sobre violência sexual no Brasil, o documentário busca informar, refletir e denunciar as dificuldades de acesso a um direito garantido desde 1940. Tem por objetivo dialogar com a sociedade em geral sobre direitos sexuais e reprodutivos, autonomia e igualdade de gênero e pretende, principalmente, falar com mulheres e meninas sobre seus direitos.

De acordo com Taysa Schiocchet, uma das roteiristas, as histórias recriadas pelo documentário são inspiradas em casos reais, mas não foram contadas pelas vítimas. “Por uma questão ética, não conversamos diretamente com as vítimas, mas com profissionais que atuaram em casos de violência sexual e relataram esses que resultaram em gravidez, mantendo o anonimato”. Além do curta-metragem, a equipe está no processo de edição de um longa-metragem que será lançado em breve.

Documentário disponível neste link.

Direção – Mirela Kruel
Produção – Karine Emerich
Roteiro – Taysa Schiocchet, Mirela Kruel, Karine Emerich, Anita Spies da Cunha, Marcela Bordin

Mais informações pelas redes da Clínica de Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (CDH/UFPR):
Instagram: @cdhufpr |
Site: http://cdhufpr.com.br/