Pelo menos 13 cidades aderiram ao movimento no estado/Foto: Alice Sima.

8M: um giro pelas cidades que aderiam ao movimento em Santa Catarina

Postado em 13/03/2020, 14:02

O ano de  2020 iniciou com muitas atividades de mobilização para as mulheres feministas em Santa Catarina. Nesse 8M pudemos ver a perspectiva de gênero como uma pauta convergente, que reuniu variadas frentes de atuação e reivindicação em um movimento de aprendizagem recíproca, para podermos falar e sermos ouvidas. Nós, mulheres, não queremos calar nossas dores, queremos os caminhos de emancipação que nos libertem de qualquer opressão. 

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As manifestações criativas e coloridas com faixas, cartazes, tatuagens, camisetas e bandanas foram vistas em todas as regiões do estado. Com muito batuque, música, performances e palavras de ordem as mulheres tomam o rumos de suas vidas, decidindo hoje o seu futuro. A diversidade nos movimentos de base feministas vem reescrevendo a história das mulheres.

Na capital, o tema escolhido para este ano  “Viver com dignidade e liberdade: trabalho, corpo e território” foi debatido em algumas atividades nas cidades de Blumenau, Itapema, Tubarão, Criciúma, Balneário Barra do Sul, Lages, Chapecó, Concórdia, Brusque, Joinville, Porto Belo e São Miguel do Oeste. Acompanhe como foram os atos:

8M Balneário Barra do Sul – De 5 a 8 aconteceu o 1º Encontro de Mulheres Indígenas Guarani – Nhemboaty Kunhangue Yvyrupa – com o lançamento da 5ª ação internacional da Marcha Mundial de Mulheres (MMM) no domingo. Com o tema Kunhangue Arandu Rupi Nhemboejerovia, a força de sabedoria da mulher Guarani, mais de 300 mulheres indígenas Guarani de todo o Brasil estiveram na Tekoa Jataí Ty em Conquista. A programação contou com a apresentação de coral com músicas cantadas na Língua Guarani, cerimônia na casa de reza, conversas com as mulheres mais velhas xejaryi sobre os modos de vida kunhangue rekó, direitos e deveres, diálogos sobre violência contra as mulheres com áudio e vídeo, discussão sobre a Lei Maria da Penha, direitos das mulheres e a responsabilidade do Estado. No encontro as mulheres indígenas puderam expor e trocar sementes, ervas medicinais e alimentos tradicionais. 

“Exigimos ser ouvidas”, afirmam as mulheres Guarani Yvyrupa

Atividades da 5ª ação internacional da Marcha Mundial de Mulheres (MMM) /Foto: Kunhangue Yvyrupa)

8M Blumenau – No sábado (29/01) pela manhã aconteceram mini palestras com o tema  “Mulheres: do corpo ao território” na Faculdade UniSociesc. No domingo (01/03) das- 15h às 17h as mulheres prepararam a Ação Social e Cultural no projeto habitacional Minha Casa Minha Vida – República Argentina. No dia 03 à noite a Batucada Feminista fez um ensaio aberto em preparação para a marcha na Prainha da Ponta Aguda. No pátio da biblioteca da na Universidade Regional de Blumenau (FURB) rolou um Quiz Show e o dia 5 houve o cine debate com o filme Eu não sou um homem fácil, direção de Eléonore Pourriat. A Performance Medusa Enredada foi realizada na sexta (6) às 18h30min no Auditório da UFSC.

8M nas ruas do centro de Blumenau/Crédito: @edna_sil

No dia 7 de Março, aconteceu a Marcha das Mulheres Trabalhadoras com concentração na Praça Dr. Blumenau. À tarde na Praça José Manoel do Nascimento do Bairro Boa Vista foram realizadas atividades culturais, serviços de saúde e rodas de conversa. No domingo (8) das 10h às 19h foi organizada a Ação 8 de março com Leia Mulheres, Instituto Bia Wachholz e Batucada Feminista na Feirinha da Servidão – Prefeitura. No dia 10 aconteceu a oficina Mulheres e Economia no campus 1 da FURB das 14h às 15h30min, e o cine debate com a Batucada Feminista na  Associação de moradores da Fortaleza, a partir das 18h30 com o filme Que Horas ela volta?, direção de Anna Muylaert. No dia 12/03 – quinta-feira – 14h às 17h acontece o Seminário “Convenção 190: por um mundo do trabalho livre de violência e assédio” na Sede do SINTRASEB. 

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Vídeo: Yoana Carmo

8M Brusque – O Coletivo Feminista Maria vai com as outras, Projeto Eu vejo você, Corações de Algodão Doce, Centro de Direitos Humanos (CDH) e CLA LGBTQI lançaram o vídeo Mulheres no 8M e fizeram panfletagem no centro da cidade. Na tarde e domingo (8) estiveram em um picnic com atividades e rodas de conversa na Praça do Maluche.

Com bandeiras coloridas o 8M lembrou a luta de Marielle Franco/Crédito: @jornalismounochapeco

8M Chapecó – Na cidade a partir das 14h aconteceu o ato político e cultural, mostra de economia solidária em parceria com o Coletivo Cansei, vou viver de arte na praça. Uma Feira Feminista para a valorização do trabalho feito por mulheres onde mulheres indígenas também puderam vender os seus artesanatos. Apresentações artísticas, sete rotas de ônibus gratuitos saindo dos bairros para o evento, a cabine “Cartas para Maria da Penha”, para denúncias e relatos sobre a violência contra a mulher, poesia no Sarau Nuvem Colona. Destacamos o espaço para as crianças com a oficina de cartazes. 

“Não somos todas iguais! Nem todas temos bandeiras, nem todas temos partido, não temos a mesma caminhada! Mas temos causas, sonhos, objetivos que nos unem! Levantaram-se as bandeiras, uniram-se as mãos, mostraram-se as cores, vozes, corpos e lutas diferentes” disse a organização do 8M em Chapecó.

Mais de 70 jovens do E.E.B Nelson Horostecki ocupam as ruas do Centro de Chapecó, dia 9 de Março. Usaram da voz e gritaram, por exemplo: “MARIELLE PRESENTE! AGORA E SEMPRE!”. Além disso, foi reservado alguns minutos de silêncio, por todas as mulheres vítimas de violência. 

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No dia 11 às 15h30 na reitoria da UFFS aconteceu a roda de conversa sobre o feminismo interseccional com o tema “Desigualdade de mulheres e homens no mercado de trabalho: salário, oportunidade e preconceito”, entre outras atividades realizadas.

Varal literário /Crédito: 8M Criciúma

8M Criciúma – Na Greve Internacional de Mulheres houve a performance do Projeto Adinkras sobre o ciclo da violência, oficinas de turbante e auto maquiagem, alongamento, varal literário, exposição fotográfica, sobre mulheres indígenas, estêncil aplicado em camisetas, rodas de conversas. As atividades aconteceram no período da tarde no Parque das Nações. Uma das atrações foi o espetáculo teatral “ A nova ordem Bruxólica” da Coletiva Aluará de Florianópolis. Nas redes sociais o convite para o encontro também foi feito em libras, Língua Brasileira de Sinais, com uma proposta de acessibilidade para pessoas surdas. 

Vídeo em Libras 8M Criciúma:

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8M Concórdia Com o tema “Os prejuízos da reforma da previdência na vida das mulheres” as mulheres do Fórum Nacional de Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais fizeram panfletagem no Largo da Concórdia, saída do trem.  Na Câmara de Vereadores aconteceu o encontro “Mulheres na Contemporaneidade”, mediado pelo Grupo Caboclas. A artista de rua Simone Talin, foi premiada por ser a caricaturista de rua com mais tempo de trabalho feminino pelo RankBrasil de Recordes Brasileiros. 

8M Florianópolis – Foram oito dias de atividades na programação que se conectou à Greve Internacional de Mulheres. A Jornada 8M começou na segunda-feira (2), com microfone aberto no TICEN e oficina sobre a reinterpretação do “Violador és tu” com Madalenas na Luta, Sala do corpo CED UFSC.

Na terça aconteceu a mesa de debate sobre a  multiplicidade de corpos em luta por dignidade e liberdade, performance Lama da palhaça Tonha, Casamento da palhaça Brum e apresentação musical com a cantora Péda no Auditório CEART, UDESC. No período noturno houve o debate teórico “feminismo revolucionário hoje?”no SINTESPE com Madalenas na Luta (com MMM) e Feminismos e democracia no Brasil Contemporâneo no Auditório Tito Sena, UDESC.

No dia 4 pela manhã a conversa foi sobre os Desafios teóricos e políticos do feminismo negro com a Prof. Dra. Angela Figueiredo, na UFSC. À noite rolou o debate Vamos falar sobre violência? Quais violências você conhece ou já viveu? com Sinjusc /Sindes. E a roda de conversa Do campo à cidade: as lutas das mulheres trabalhadoras estão em todos os territórios com militantes dos movimentos da Via Campesina – Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e Levante Popular da Juventude – Organização Brigada Gina Couto da Via Campesina em Florianópolis. no SINTESPE.

Roda de conversa Do campo à cidade: as lutas das mulheres trabalhadoras estão em todos os territórios/Foto: divulgação

Na quinta-feira (5) ocorreu o Cinedebate curta “baile” na sede do CAU, a Oficina Aberta de teatro político sobre o Cortejo #NenhumaAMenos e #NenhumDireitoAMenos no SINTESPE com Madalenas na Luta, uma reunião ampliada para construção do dia 14 de março (2 anos morte de Marielle) no Instituto Arco Íris, uma roda de conversa “Território e direito à cidade” com lideranças comunitárias, de ocupação, indígenas, pescadoras, em situação de rua e mulheres com deficiência na Escola de Educação Básica América Dutra Machado, Monte Cristo, reunião ampliada sobre o Quilombo Vidal Martins, no camping do Rio Vermelho, e o debate Mulheres nos bancos: caminhos da profissionalização e luta por direitos (1960 a 2000), no auditório do SINTRAF.

No dia 6 o debate foi a participação da juventude nas conquistas de direito e movimentos sociais, roda de conversa sobre o papel da mulher na luta pelo território e oficina de construção de instrumentos e palavras de ordem no Quilombo Vidal Martins – Rio Vermelho, roda de conversa: “Mulheres em Conflito” com equipe do Escutação, pelo projeto Gestus e Integrar, na Escola Jurema Cavalazzi, Saco dos Limões.

Roda de conversa Mulheres em Conflito/Foto: Paula Guimarães

No sábado (7) houve  a Pintura de Mural LGBTQI em um muro na Praia do Campeche com o Coletivo PINTELUTE, Feira Feminista e roda de conversa sobre economia feminista, Grafite com Bebel em homenagem a diretora Elenir da Escola Januária Teixeira, ensaio da Batucada Feminista em frente à La Kahlo, oficina de bonecas negras e roda de conversa sobre território e identidade negra, no Monte Cristo. encerrando o dia com o show de Elza Soares no Centro de Eventos da UFSC.

No Dia Internacional das Mulheres a programação contou com panfletagem, distribuição de adesivos, aplicação de stencil em camisetas, e a performance “Um estuprador no teu caminho”, na cabeceira da Ponte Hercílio Luz.

Tenda de aplicação da identidade visual do 8M pela Resistencil/Foto: Beatriz Almeida Coelho

Na segunda-feira (9) durante toda a tarde foram feitas oficinas, rodas de conversa, exposições e apresentações culturais, no Miramar. Foram discutidas questões como a descriminalização e legalização do aborto, a humanização do parto e redes de apoio às mulheres mães, as demandas e resistências das mulheres negras em vários espaços da sociedade, a luta por democracia e por mais mulheres na política, a resistência e as violências que pessoas gordas, não binárias ou trans enfrentam na sociedade.

8M: Mulheres ocupam o território central de Florianópolis por dignidade e liberdade

Passaram pelo palco cultural do 8M os grupos político-artísticos Orquidália, Samba das Yabas, Madalenas na luta, Apocalypse Cùier e Batucada Feminista. A programação integrou oficinas de marcenaria para mulheres, de criação poética e pintura corporal, de bonecas abayomis e turbantes, e acessibilidade pré-marcha. As participantes puderam acessar ainda o brechó anticapitalista, no qual as mulheres poderiam levar roupas para fazer trocas, a tenda para aplicação do stencil com a identidade do 8M nas camisetas, o espaço recreativo para crianças e as tendas de movimentos sociais.

À noite, cerca de cinco mil manifestantes participam da marcha “Viver com dignidade e liberdade: trabalho, corpo e território” pelas ruas centrais da cidade. 

8M Itapema – O Coletivo Mulheres do Litoral organizaram o ato “Ocupa Praça! Machismo Mata” na Praça da Paz, no domingo (8), às 15h.

Calçados que representam as vítimas de feminicídio /Crédito: Mulheres do Litoral

8M Joinville – O Fórum de Mulheres de Joinville, entre outros coletivos, movimentos sociais e partidários, realizaram um ato feminista no dia 8 de março, domingo pela manhã, na comunidade Jardim das Oliveiras, em Araquari para uma roda de conversa. À tarde aconteceu a oficina de maracatu Baque Mulher na Praça Tiradentes. Fez parte da programação a roda de conversa sobre gênero e relações de poder, varal literário, o lançamento de uma carta à comunidade, oficina de estampa de camisetas (stencil) e outra de confecção de faixas e cartazes. 

Dia 9 de março, segunda-feira, às 16h30, em frente ao Sesc na Beira Rio aconteceu o ato em defesa de vida digna para todas as mulheres, contra o machismo, racismo, LGBTQI+fobia, o capitalismo e contra as violências estruturais. Pela defesa dos direitos à vida digna, educação, saúde, lazer, transporte e segurança. 

8M Lages –  As atividades foram no Parque Jonas Ramos (Tanque) com roda de chimarrão com bate-papo, atividade cultural diálogo do corpo, percussão corporal, voz e violão, roda de conversa “Morta pelo… o machismo na serra” com o Coletivo Cuidar de Psicologia, microfone aberto com o tema “Ser mulher em Lages”, aulão de hatha yoga, lançamento da cartilha “Violência contra a mulher: denuncie”, do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, roda de conversa “Padrões estéticos e gordofobia” e a campanha de arrecadação de livros para mulheres reclusas “Livros Libertam”.

8M Porto Belo – No dia 7 aconteceu a 3ª edição do Ser Sarau “A Arte de Luta pela paz. Celebração pelo Direito de ser quem somos e viver sem violência” no Pier de Porto Belo pelo Coletivo Valente.

8M Tubarão –  A atividade “O deck é delas” foi em 7 de março no deck da beira rio, perto da ponte do terminal urbano. Foi organizado pelo Coletivo Lilith com yoga, teatro, música, varal poético, microfone aberto com o tema Tubarão para a mulher: expectativa e realidade e oficina de foto em celular. No domingo (8), foi momento de prestigiar o show “Retrato Falado”, da cantora, compositora e percussionista Dandara Manoela, em Laguna, promovido através da Rede de Teatros do SESC. Com músicas que vão da MPB ao samba, a artista apresentou um retrato com faces de resistência, dores, amores e alegrias.

Em Tubarão no sábado (7) aconteceu o encontro «O Deck é Delas!»/ Foto: Cintia Teixeira

Na segunda-feira (9), foi realizada a roda de conversa «Mulheres com a Palavra», organizada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM). O evento contou com debatedoras abordando questões de gênero, raça, saúde, violência e estratégias municipais de direitos para as mulheres. Cobertura Colaborativa jornalista Cintia Teixeira.

8M São Miguel do Oeste – O ato aconteceu no dia 6 na Praça Belarmino Annoni com o lançamento da campanha “Sementes de Resistência: Camponesas semeando esperança e tecendo transformação” para fomentar o diálogo sobre a produção de alimentos. Conforme Noeli Taborda, do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), a pauta desse 8M remete a defesa da previdência pública e universal, contra a proposta machista e excludente do governo de Jair Bolsonaro que iguala a idade mínima da aposentadoria para homens e mulheres do campo em 60 anos de idade e tempos de contribuição que em muitos casos, ultrapassam os 40 anos para as trabalhadoras e trabalhadores em geral. 

Basta de violência contra a mulher, diz faixa na Marcha do 8M em São Miguel do Oeste /Crédito: MMC

*Este resumo foi feito com informações das organizações do 8M no estado.

 

Atualizada em 22/03 às 15h25min.

 




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