A representatividade de mulheres indígenas marca a luta pela visibilidade dos mais de 300 grupos. /Foto: Montagem Catarinas

43 Mulheres indígenas do Brasil e da América Latina para se inspirar

Postado em 22/06/2019, 10:26

O movimento de mulheres indígenas é antigo e remonta à época da colonização europeia no território, hoje, denominado América Latina, momento em que se organizam contra a imposição dos modos de vida europeus.  O conjunto de informações levantadas com a pesquisa apresentada aqui mostra que as mulheres indígenas sofreram com o impacto do contato, algumas foram negociadas e mesmo roubadas de suas famílias para servir aos colonizadores. Forçadamente elas foram esposas, cozinheiras, arrumadeiras, agricultoras, artesãs, prostitutas entre outras funções atribuídas à mulher. Elas lutam e resistem contra as imposições em seus cotidianos e contra as desigualdades até os dias atuais.

Para enfrentar essas e outras dificuldades históricas o movimento de mulheres indígenas cresce a cada dia. Em seus grupos reúnem-se anualmente no Acampamento Terra Livre em Brasília, que está na 15ª edição, para organizarem o cronograma de trabalho e a pauta de reivindicações de cada ano. Estão organizadas em diferentes grupos, regiões, territórios, por categorias de idade, por aldeias, por grupos de mulheres.

A exemplo do México foi criada no Brasil a Frente Parlamentar Indígena que atuou em 24 estados com candidaturas pluripartidárias para as eleições em 2018. A decisão pela participação nas instituições colonizadoras com maioria branca ocorreu para ampliar a participação nas disputas por direitos, compreendendo a atuação do Estado. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2018, 130 candidaturas se declararam indígenas, em 2014 foram 85. Roraima, Amazonas e Ceará tiveram maior representatividade.

Grupos indígenas na atualidade

Segundo dados da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) estima-se que atualmente no território brasileiro estão presentes 305 etnias, falantes de mais de 274 línguas diferentes. O Censo IBGE 2010 demonstrou que cerca de 17,5% da população indígena não fala a língua portuguesa num total de 817.963 pessoas. Destes, 315.180  vivem em cidades e  502.783 em áreas rurais. A Funai também registra 69 referências de indígenas ainda não contatados, além de existirem grupos que estão requerendo o reconhecimento de sua condição indígena junto ao órgão federal indigenista. Veja no mapa abaixo a divisão de grupos identificados por estado:

Distribuição de grupos indígenas por estado./ Imagem: Reprodução.

Para Darci Ribeiro (2017), estima-se que a população indígena antes do processo de colonização era superior a 100 milhões em 1500, reduzida a menos de 10 milhões em 1825. Os dados se referem à população indígena americana no primeiro século de colonização. No Brasil de 5 a 6 milhões em 1500 foram para 250 mil indígenas. A mortalidade foi de fator 25, isso quer dizer que onde existiam vinte e cinco pessoas originalmente, restou apenas uma. Além da mortalidade por guerras e ações violentas as pestes como a varíola, o sarampo, a malária, a tuberculose, a pneumonia, a gripe, a papeira, a coqueluche, a cárie dentária, a gonorreia, a sífilis foram fatais deixando na história o maior genocídio da humanidade. 

Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), na América Latina vivem cerca de 45 milhões de indígenas em 826 comunidades que representam 8,3% da população.

A representatividade das mulheres indígenas

Apresentamos uma lista com 43 mulheres indígenas, algumas vocês podem seguir nas redes, outras estão em suas comunidades e algumas já deixaram seu nome marcado na trajetória do movimento de mulheres. Suas lutas são as mais diversas, por maiores e melhores terras, água limpa, sementes tradicionais, espaços de floresta e concretização de direitos fundamentais para que seus grupos possam dar continuidade à forma de ser e viver na resistência, geração após geração. Vamos a elas:

Brasil

Ana Roberta Uglõ Patté (SC) mãe, militante e atualmente trabalha como assistente parlamentar em São Paulo, tratando exclusivamente das questões indígenas. Formada em Licenciatura Indígena com ênfase em Direito Indígena pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Grupo Indígena Laklãnõ/Xokleng/ Foto: Acervo pessoal Facebook

Ara Mirim Sonia Barbosa (SP) é líder na Terra Indígena Pico do Jaraguá e auxiliar de enfermagem. Pertencente ao grupo Indígena Mbyá-Guarani/Foto: Jéssica Moreira/Folha Noroeste 

Ará poty mirim Rosângela Barbosa (SC) é artesã e faz parte de um grupo de mulheres organizadas no tekoá yyn moronti whera, em Biguaçu. É originária do grupo indígena Mbyá-Guarani/Foto: Vandreza Amante/PortalCatarinas

Azelene Kaingang (RS) ou Azelene Kring Inácio Kaingang, integrante da Comissão Nacional de Articulação da 1ª Conferência Nacional dos Povos Indígenas, mestre em Dinâmicas Sociais e Políticas Regionais pela Universidade de Chapecó (Unochapecó). Ganhou o Prêmio Nacional dos Direitos Humanos da Presidência da República em 2006. Fundadora e membro da Comissão Nacional das Mulheres Indígenas do Instituto Indígena Brasileiro. Pertence ao grupo Indígena Kaingang/ Foto: Radiobrás

Célia Xakriabá (MG) ou Célia Nunes Correa, do grupo Indígena Xakriabá, é professora indígena e ativista. Possui graduação em Formação Intercultural para Educadores Indígenas pela Universidade Federal de Minas Gerais (2013). Foi coordenadora na educação escolar indígena – Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais. Tem experiência na área de Educação Indígena, com ênfase em Educação nas políticas públicas que versam a educação diferenciada. Mestra em Desenvolvimento Sustentável, Área de Concentração em Sustentabilidade Junto a Povos e Terras Tradicionais pela Universidade Federal de Brasília (UNB). Secretaria parlamentar da deputada Federal Áurea Carolina. Doutoranda no Programa de Pós- Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)/Foto: Acervo pessoal Facebook

Daiara Figueroa Yé´pá Mahsã (AM) ou Daiara Hori Figueroa Sampaio, Grupo Indígena Tukano, é mestre em Direitos Humanos, artista plástica e coordenadora da Rádio Yandê. Bacharel e Licenciada em Artes Plásticas na Universidade de Brasília, é produtora cultural, desenhista, e performer. Atualmente é professora na Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal. Militante dos movimentos Indígena e feminista, desenvolve estas temáticas em sala de aula e em suas pesquisas pessoais. Atua como articuladora entre as SE-DF e SEMIDH-DF para o desenvolvimento e aplicação da Lei 11.645 /Foto: Acervo pessoal Facebook

Djuena Tikuna (AM), Grupo Indígena Tikuna, é cantora e jornalista/Foto: Diego Janata

Fernanda Kaingang (RS) ou Lucia Fernanda Inácio Belfort Sales, Kaingang, é ativista, militante e advogada especialista em biodiversidade. Mestre em Direito pela Universidade de Brasília (2006), possui graduação como Bacharel em Direito pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul/ Foto: Acervo pessoal Facebook

Francisca dos Anjos (SC) viveu no período entre 1900 e 1994. Urbana casou-se Eduardo de Lima e Silva Hoerhann do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), neto do Duque de Caxias. Tornou-se Fanny, prostituta educada e respeitada na cidade de Brusque, Santa Catarina. Há relatos que ela é do grupo indígena Laklãnõ/Xokleng, mas membros do grupo não a reconhecem enquanto parente/Foto: Enciclopédia Brusque 150 anos

Iracema Rã-Nga Nascimento (RS) xamã Kaingang atua na formação continuada de professores indígenas no Rio Grande do Sul, no projeto de extensão “Saberes Indígenas na Escola – UFRGS”/Foto: Ramos Moser

Joênia Wapichana (RR) ou Joênia Batista de Carvalho, pertence ao grupo indígena Wapichana, é advogada, a primeira mulher indígena a exercer a profissão no Brasil, e a primeira a conquistar um posto no legislativo federal (2019-2022). Nessas eleições a advogada Joênia Wapichana da Rede Sustentabilidade recebeu 8.491 votos e foi eleita deputada federal pelo estado de Roraima/ Foto: Acervo pessoal Facebook

Jozileia Daniza Kaingang (RS) ou Joziléia Daniza Jagso Inácio Jacodsen, do grupo indígena Kaingang. Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mestra em Antropologia Social pela mesma universidade. Coordenadora pedagógica da Licenciatura Intercultural Indígena. Especialista em Educação de Jovens e Adultos Profissionalizantes na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduada em Geografia – Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó). Experiência na área de Antropologia Social, com ênfase em interdisciplinar, nos temas: mulheres indígenas, arte indígena, saúde sexual, indígenas e universidade/Foto: V Enei Bahia

Katú Mirim (SP), indígena urbana de ascendência Bororo, rapper, mãe, bissexual, ativista, moradora da periferia de São Paulo/ Foto: Acervo pessoal Facebook

Kerexu Yxapyry Eunice Antunes (SC), Mbyá-Guarani, é formada em Gestão Ambiental pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Já foi “cacica” e mora na Terra Indígena (TI) Morro dos cavalos, em Palhoça. Foi candidata a deputada estadual pelo PSOL-SC. Com a pauta do ecofeminismo teve uma votação expressiva com 10.252 votos, sendo a primeira candidata Guarani para a Câmara Federal pelo PSOL/Foto: Acervo pessoal Facebook

Kaiulu Rodarte Kamaiurá (MT), integrante do grupo Kamaiurá, trabalha na Casa de Saúde Indígena (Casai) de Canarana (MT), cursa Tecnologia em Gestão Hospitalar e Serviço Social. Faz parte da Associação Yamurikumã das Mulheres Xinguanas/Foto: Acervo pessoal Facebook

Laura Parintintin (AM) de Humaitá Amazonas, pertencente ao grupo indígena Parintintin, estuda Ciências Sociais na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)/ Foto: Acervo pessoal Facebook

Márcia Mura (RO) ou Márcia Nunes Maciel, do grupo indígena Mura, possui graduação em História pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR). É mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Realizou pesquisa de história oral com o Povo indígena Cassupá e mulheres da Amazônia. Tem experiência em educação escolar indígena e história oral com Povos Indígenas e pessoas que vivenciaram espaços em seringais da Amazônia. Atualmente é doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), é pesquisadora do Núcleo de Estudos em História Oral./Foto: Acervo pessoal Facebook

Maria Eva Canoé (AM) líder de grupo indígena Canoé, de Rondônia, e membro do Conselho de Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)/ Foto: Acervo pessoal Facebook

Maria Helena Gavião (MA), pertencente ao grupo indígena Gavião, é coordenadora geral da Articulação de Mulheres Indígenas do Maranhão (AMIMA)/ Foto: Acervo pessoal Facebook

Mariane Chaves (PA), do grupos indígenas Tapajós-Arapiuns, é agricultora e mestre em agroecologia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É moradora da Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns em Surucuá e trabalha no projeto Mani-Oara que fabrica comercializa o Vinho de Mandioca artesanal no oeste do Pará/ Foto: Folha do Progresso

Mikelly Priprá (SC) estudante do grupo Laklãnõ/Xokleng no curso de Fisioterapia da Universidade Regional de Blumenau (FURB)/ Foto: Acervo pessoal Facebook

Nanjá Schirlei da Rocha (SC), do grupo Laklãnõ/Xokleng, ativista e estudante indígena do curso de Odontologia da Universidade Regional de Blumenau (FURB)/Foto: Acervo pessoal Facebook

Nara Baré (AM) ou Francinara Soares Martins, do povo indígena Baré, é coordenadora geral na Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COAIB)/ Foto: Acervo pessoal Facebook

Pará Mirim Claúdia Benite (SC), pertencente ao grupo indígena Mbyá-Guarani. artesã, parteira, já foi vice cacique do tekoá vy’a em Major Gercino/ Foto: Paula Sofia da Igreja

Pará Márcia Macena (SC), integrante do grupo indígena Mbyá-Guarani, é professora no tekoá vy’a em Major Gercino/ Foto: Acervo pessoal Facebook

Pietra Dolamita Kauwá Apurinã (AC), faz parte do grupo indígena Apurinã, é  ativista e antropóloga com Mestrado em Educação/Foto: Acervo pessoal Facebook

Renata Machado Tupinambá (BA) seu nome indígena é Aratykyra, é da etnia Tupinambá. Possui bacharelado em Jornalismo, produtora, roteirista, poeta e cofundadora da Rádio Yandê, primeira web rádio indígena do Brasil. Trabalha e pesquisa a comunicação voltada para as etnomídias, decolonização dos meios de comunicação, fortalecimento das narrativas indígenas no cinema, TV, Literatura, áudio e música. Atua desde 2006 na difusão das culturas indígenas e em 2008 começou trabalhar com comunicação indígena. Foi colaboradora e voluntária na área de etnojornalismo no portal Índios Online, que realiza um diálogo intercultural, promovendo a comunicação em comunidades do nordeste. Fez parte do Projeto Índio Educa. Que veio atender ao Plano de Ação Conjunto Brasil – Estados Unidos para a Promoção da Igualdade Racial e Étnica (JAPER). Criadora do podcast Originárias primeiro no Brasil de entrevistas com artistas e músicos indígenas em plataformas como o Spotify. Uma das idealizadoras do  Yby Festival da música indígena contemporânea 2019 que vai ser realizado em novembro pela  Rádio Yandê. Instagram @aratykyra / Foto: Acervo pessoal.

Sônia Guajajara (MA), do povo Guajajara, é muito conhecida no Movimento Indígena, mora na Terra Indígena (TI) Arariboia e foi candidata à vice-presidência na chapa com Guilherme Boulos pelo PSOL (2018). Mesmo não sendo eleita, contribuiu para dar visibilidade às questões indígenas como a demarcação de terras. É coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). É formada em Letras e em Enfermagem, especialista em Educação especial pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Recebeu em 2015 a Ordem do Mérito Cultural/ Foto: Acervo pessoal Facebook

Tsitsina Xavante (MT) ou Samantha Ro’otsitsina de C. Juruna, do grupo Xavante, trabalha para combater o machismo nas comunidades. Representante da Associação Xavante NAX e da REJUIND/Brasil – Reunião Latinoamericana de Jovens Indígenas/ Foto: Débora Klempous/UNFPA Brasil

Tuire Kapran-Krere (AM), do grupo Kapran-Krere, é chefe Caiapós Xingu na Floresta Amazônica e está à frente de protestos contra o desmatamento e mineração ilegais/ Foto: Vice.com

Vãngri Kaingang (RS), pertencente ao grupo Indígena Kaingang, é arte-educadora/ Foto: Acervo pessoal Facebook

Valdelice Veron (MS), integrante do povo Guarani-Kaiowá, é ativista e líder do grande conselho de articulação Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul/ Foto: Acervo pessoal Facebook

Walderes Xokleng (SC) Walderes Coctá Priprá de Almeida, do grupo indígena Laklãnõ/Xokleng, possui graduação em Licenciatura Intercultural Indígena pela UFSC. Atualmente é do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Tem experiência na área de Educação com ênfase em Educação Indígena/Foto: Acervo pessoal

Watatakalu Yawalapiti (MT), do grupo Yawalapiti, é ativista do Xingu combate práticas e costumes que são contra os direitos femininos. Filha do cacique Pirakuma/ Foto: matilda.my

 

América Latina

Bartolina Sisa (Peru) rebelde aimará que lutou em Cusco (1753-1782)/ Grafite/Foto: Anouche Yuruten Niguana & Aaron Biber

Chañan Cori Coca (Peru) foi guerreira Inca do século XV/ Foto: Mayma Quispe, Néstor René

Comandanta Ramona (México) foi comandante do Exército Zapatista de Libertação Nacional, em Chiapas (1959-2006)/Foto: Chiapasparalelo

Dolores Cacuango (Equador) conhecida como Mamá Dolores, foi ativista feminista pioneira na luta pelos direitos indígenas e camponeses no início do século XX/ Foto: ecuadorjoannansilminblogspotcom

Domitila Chúngara (Bolívia) líder operária. Lutou contra a ditadura em seu país (1937-2012)/ Foto: Página Siete

María de Jesús Patricio Martínez (México) conhecida como Marichuy, é curandeira praticante da medicina tradicional e ativista de direitos humanos do grupo Nahua / Foto: mexiconewsdaily

Micaela Bastidas Puyucahua (Peru), rebelde indígena (1744-1781), foi uma líder pioneira contra o domínio espanhol na América do Sul /Imagem: Clepz Arellano

Rigoberta Menchú (Guatemala) recebeu o Prêmio da Paz de 1992, lutou nas eleições de 2007 e 2011/ Foto: Verso

Thelma Cabrera Pérez de Sánchez (Guatemala) é defensora e política indígena de direitos humanos, foi candidata nas eleições presidenciais pelo Movimento Semilha, do Comitê Campesino de Desenvolvimento (CODECA) e do Movimento pela Libertação dos Povos (MLP)/ Foto: Relato GT

 

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