Em Florianópolis, manifestantes concentraram-se em frente à catedral antes de saírem em marcha/Foto: Ana Carolina Dionísio

Um mês de Brumadinho: atingidas/os por barragens marcham por justiça

Postado em 26/02/2019, 13:19

“Mulheres, água e energia não são mercadoria”, “não foi acidente, a Vale mata rio, mata peixe, mata gente”, “o lucro não vale a vida” estiveram entre as palavras de ordem da manifestação que ocorreu no final da tarde desta segunda-feira (25), no centro de Florianópolis (SC). Integrantes do Movimento das/os Atingidas/os por Barragens (MAB) e apoiadoras/es denunciam que o rompimento da barragem de Córrego do Feijão em Brumadinho (MG), em 25 de janeiro, tratou-se de um crime da Vale, assim como ocorreu na Barragem do Fundão, em Mariana, em novembro de 2015. Atos como esse aconteceram nas cinco regiões do país, marcando um mês da “tragédia-crime” — como definem o dia em que a onda de lama vitimou mais de 300 pessoas. Além da capital, também houve manifestação em São Carlos, no oeste do estado.

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Foto: Ana Carolina Dionísio

Júlia May Vendrami, integrante do MAB, explica que entre as pautas da mobilização estão a necessidade de fomentar a solidariedade às vítimas do crime em Brumadinho, denunciar a privatização da Vale que era uma empresa pública — pautando assim a sua reestatização — questionar a segurança das barragens em Santa Catarina e avançar na construção da política estadual das/os atingidas/os por barragens (PEAB) para assegurar os direitos das vítimas.

A performance político-artística do Coletivo Madalenas na Luta integrou a programação do ato/Foto: MAB

A atividade nacional é uma das ações de mobilização do MAB para promover a participação ativa da sociedade em busca de reparações às famílias que perderam parentes, casas, fontes de sustento e seu modo de vida nas margens do Rio Paraopeba, afetado pela lama tóxica. Manifestantes exigem do poder público e da Justiça a responsabilização e punição das empresas privadas e dos demais envolvidos no crime.

Foto: Ana Carolina Dionísio

Denunciam ainda o modelo energético atual, pautado no lucro das empresas privadas que por meio da exploração das/os trabalhadoras/es enriquecem acionistas estrangeiros. Uma lógica que segundo defendem “apenas beneficia a acumulação de dinheiro por parte dos donos dessas empresas como é o caso da Vale, deixando para o povo unicamente as violentas consequências desse modelo privatista, como as mortes e a destruição”.

Foto: Ana Carolina Dionísio

Diferente do que se imagina, Santa Catarina não está livre deste processo. Segundo o MAB, atualmente são 177 barragens operando no território catarinense sendo que 44 foram classificadas com problemas de estrutura e serão inspecionadas conforme determinação do governo federal, o que traz à tona o risco de vida de milhares de famílias catarinenses que vivem nas proximidades desses empreendimentos

Registro do ato em São Carlos, oeste de Santa Catarina/Foto: MAB

No último sábado (23), um rompimento de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH), em Taió, oeste de Santa Catarina, causou o alagamento de uma propriedade rural.

“Esse rompimento evidencia como está precária a segurança de barragens em Santa Catarina”, apontou Vendrami.

A plenária que ocorreu na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC), após o ato, marcou a primeira reunião da Frente Parlamentar dos Direitos das Famílias Catarinenses atingidas por Barragens. A frente pretende levantar números oficiais e cobrar a elaboração de planos de prevenção para evitar tragédias como a ocorrida com o rompimento da barragem.

 

A integrante do MAB, Júlia May Vendrami, durante sua fala na plenária/Foto: Ana Carolina Dionísio

Conversamos com uma integrante do MAB sobre as mobilizações que estão ocorrendo para que se discuta a segurança das barragens no país em um contexto marcado pelo racismo ambiental envolvido neste tipo de crime onde o machismo e o capitalismo ditam as regras. Ouça.

 

 

Foto: Ana Carolina Dionísio

 

 




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