A filósofa e ativista estadunidense Angela Davis se consolidou como uma das mais influentes ativistas das lutas antirracista, feminista e anticapitalista. Durante uma roda de conversa na Universidade Nacional Autonoma do México (UNAM), ela destacou:

“Em uma época marcada por campanhas antifeministas, antigênero e com governos semifascistas ou fascistas no mundo, a desesperança não é uma opção”.

Angela Yvonne Davis nasceu em 1944, em Birmingham, Alabama, um dos cenários mais violentos da segregação racial nos Estados Unidos.

Sua infância foi atravessada pelo racismo e por ataques da Ku Klux Klan contra famílias negras, experiências que contribuíram para sua formação política e determinação em combater as estruturas de opressão.

Graduada em literatura francesa na Brandeis University, estudou filosofia na Europa.

De volta ao seu país de origem, no fim dos anos 1960, ingressou no Partido Comunista dos EUA e colaborou ativamente com o Partido dos Panteras Negras, articulando a teoria marxista às demandas do movimento de libertação negra.

Sua atuação política foi marcada por perseguições e tentativas de silenciamento.  Em 1970, por exemplo, foi presa injustamente acusada de envolvimento em um tiroteio  no tribunal de Marin County, na Califórnia.

A ação, organizada por militantes dos Panteras Negras, tentava libertar três prisioneiros. Incluída na lista dos dez fugitivos mais procurados pelo FBI, foi posteriormente absolvida de todas as acusações. Sua prisão desencadeou a campanha internacional “Free Angela Davis“.

Para Angela a esperança é uma forma de resistência à opressão. Segundo a filósofa, a organização social é força motriz para a geração da esperança, que não surge de forma simples, mas se constrói como uma disciplina à medida que nos movimentamos coletivamente. 

A experiência no cárcere redefiniu o foco de sua produção intelectual e militância. Em 1981, publicou a obra clássica “Mulheres, Raça e Classe“, marco fundamental para o feminismo negro ao demonstrar como as opressões de gênero, raça e exploração econômica se sobrepõem e se reforçam mutuamente.

Hoje, como professora emérita da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, Angela segue articulando lutas pelos direitos das mulheres, abolicionismo prisional, pela libertação da Palestina e pelos direitos da comunidade LGBTQIAPN+, sempre reafirmando que a libertação humana só é possível quando construída de forma radical e coletiva.

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