Com quase três anos, o Portal Catarinas busca novas fontes de financiamento para ampliar a remuneração das profissionais/Fotos: Karol Braga

Nosso compromisso político com a profissionalização de jornalistas feministas

Postado em 16/06/2019, 18:29

O Portal Catarinas deu um passo importante neste mês de junho no que se refere à profissionalização do trabalho jornalístico que realiza diariamente. A realização da assembleia geral, no primeiro dia deste mês no Espaço Cultural Gênero e Diversidade da UFSC, inaugura uma nova fase no processo de institucionalidade. Nesta assembleia, enquanto associadas estruturamos as bases da Associação Portal Catarinas, reforçando a responsabilidade de cada associada nesta construção e o caráter político de termos escolhido constituir uma organização social com finalidade pública – em contraposição à lógica comercial que impera nos grandes meios.

Nossa responsabilidade social passou a tomar outra dimensão quando em 2017 deixamos de ser um coletivo para formalizamos nosso CNPJ como Organização da Sociedade Civil (OSC). A formalização é pressuposto para ampliar nossas fontes de financiamento e para alcançar nosso objetivo de remuneração das jornalistas feministas integrantes do projeto, medida que politiza ainda mais a demanda social da atuação de mulheres no jornalismo com perspectiva de gênero.

Substituir o trabalho voluntário pelo trabalho remunerado faz com que consigamos nos dedicar exclusivamente ao cotidiano do Portal, investindo nossa energia, tempo e capacidade intelectual na consolidação de um jornalismo transformador nos moldes que acreditamos.

Jessica Gustafson apresentou as conclusões da sua dissertação de mestrado acerca do Catarinas/Foto: Paula Guimarães

Consideramos ser esse um ponto chave para fazer frente também à precarização da profissão, que reduziu consideravelmente seus postos de trabalho nos últimos anos e afeta principalmente as mulheres, por serem elas a maioria nas redações.

Para isso, precisamos cada vez mais do apoio de nossas leitoras no fomento do financiamento coletivo, imprescindível para a nossa produção jornalística, e também na construção de novas parcerias em projetos que dialoguem com a perspectiva feminista, como oficinas, palestras, produção de conteúdo, entre outras possibilidades.

No encontro, jornalistas e colunistas refletiram sobre o futuro do portal, que completa em breve três anos de existência, as ações prioritárias e a diversificação das frentes de trabalho e financiamento, no sentido de ampliar a atuação do Catarinas junto à sociedade.

Consideramos a urgência de intensificar o debate sobre as desigualdades sociais existentes no País, entre elas as assimetrias de gênero – temas sob ataque constante de grupos que rapidamente estão ascendendo ao poder nas mais diversas esferas.

Junto com a discussão de estratégias para a nova configuração do Portal, também foi realizada uma formação teórica sobre os feminismos e o jornalismo com perspectiva de gênero, iniciativa que visa a qualificar nossa percepção e embasamento sobre o percurso e a amplitude do pensamento feminista, assim como a sua potência para as narrativas que colocamos em circulação.  

Cauane Maia defendeu uma narrativa atenta às camadas de opressão social e expôs a trajetória do feminismo negro/Foto: Karol Braga

Sabemos dos desafios em termos de ampliação da audiência e da necessidade de produzir ainda mais materiais investigativos, por isso estamos buscando parcerias e novas formas de financiamento.

Seguimos neste caminho de resistência, no exercício do fazer jornalístico posicionado, frente à predatória concentração de mídia que ameaça a liberdade de expressão, entendendo a necessidade da democratização dos meios e a nossa responsabilidade ética em pluralizar as vozes na arena pública.

Compreendemos a grandeza do que empreendemos até aqui: juntas somos uma unidade de poder capaz de vocalizar falas que ao longo da história foram silenciadas, e confrontar aqueles que querem relegar parcelas da população à subalternidade.

Não estamos sozinhas, porque #SomosMuitas e seremos ainda mais.

 




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