“Não aceitaremos a naturalização da morte e a cultura do estupro. Ana Beatriz, presente!” / Foto: @juntasmg

Manifestação em defesa das meninas indígenas pede #JustiçaPorAnaBeatriz em BH

Postado em 02/12/2020, 14:43

ALERTA DE GATILHO: violações de direitos contra mulheres.

Nessa terça-feira (1), na Praça Sete, no centro de Belo Horizonte (MG), um ato foi realizado para questionar as hierarquias sociais e posições de poder estabelecidas por acordos misóginos que levaram à morte da pequena Ana Beatriz do Povo Satere-Mawé no Amazonas.

É necessário ressaltar que o feminicídio de uma criança indígena está atravessado por diferentes violência seculares como o racismo e o racismo ambiental, a misoginia, a branquitude, os preconceitos e muitas outras camadas que estão sendo desconsideradas pela sociedade quando se fala em mulheres indígenas. Desde o início do processo de contato com a colonização europeia as mulheres indígenas vêm sofrendo ataques diretos, sendo adultas ou crianças. Esta sociedade perversa se apresenta cotidianamente rodando essas mulheres, criando violências a partir de suas vulnerabilidades. 

A menina foi capturada por volta das 4h30 em sua casa, onde mora com a mãe e a avó, enquanto dormia na aldeia Nova Vida, interior do Amazonas. Após o rapto, Ana Beatriz foi levada a uma região de mata, onde foi estuprada e morta. A mãe, de apenas 25 anos, ao notar o sumiço da filha começou as buscas com apoio da comunidade. O crime ocorreu no município de Barreirinha (330 km de Manaus, capital amazonense), conforme informações da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). O caso tramita em segredo de justiça.

Avelin Buniacá Kambiwá fala durante o ato ontem em BH/ Foto: @juntasmg

A indígena organizadora da manifestação em defesa da vida das meninas indígenas, Avelin Buniacá Kambiwá, socióloga e professora, diz que estas ações contra as mulheres indígenas são feridas históricas a serem curadas, e para isso, foi realizado o ritual do guaraná. “O ritual do guaraná Ure sapo Pe ehat. Guaraná ralado com água. Fizemos essa consagração do povo Sateré Mawé em homenagem a pequena Ana, pertencente a essa etnia. Para operar sua força de união e consagração da coesão coletiva. E assim iniciamos e convocamos a luta. Se juntaram à nossa voz muitas outras de vários movimentos, além de muitas manifestações virtuais de indignação e força”, relata pelo instagram @avelinkambiwa.

“Queremos que com esse chamado a sociedade brasileira se comprometa com as questões indígenas e sobretudo com a luta por direitos e enfrentamento a violência contra as mulheres indígenas. Sabemos que temos um longo caminho pela frente, mas nele não aceitaremos mais nenhum tipo de silenciamento”, comenta Avelin.

https://www.instagram.com/p/CIROr3-FIey/

A Coletiva PartidA de BH lançou hoje um manifesto em apoio e solidariedade às mulheres indígenas. “Nosso país foi construído violando úteros das mulheres indígenas! A violência contra as meninas e mulheres indígenas acontece há mais de 500 anos. E nem sequer aparece nas estatísticas oficiais”, diz o manifesto.

https://www.instagram.com/p/CICR8Uxlsyr/

“A leitura deste manifesto pelas mulheres organizadas no 8M Unificado RMBH é um grito de revolta, indignação pela violência cotidiana que recai sobre as mulheres neste mundo patriarcal e machista. E também o nosso gesto de solidariedade, companheirismo e chamamento à todas as mulheres deste nosso imenso país”, diz o manifesto 25 de Novembro do 8MBH.

Apoiaram a manifestação o 8MBH Movimento de Mulheres unificadas atuantes na RMBH @8munificadormbh, o Comitê Mineiro de Apoio ás Causas Indígenas @comitemineiro, o Coletivo de artistas da população T(travestis, transsexuais e transgêneros) @academiatransliteraria, , o Fórum das Juventudes de BH @forumdasjuventudesbh, o Coletivo Juntas @juntasmg entre outras organizações.

“Eu encaro isso como um ato extremamente importante porque em meio a tanto silêncio sobre esse caso da Ana Beatriz é muito importante que a gente se coloque, que a gente se disponha a falar, que a gente entregue a nossa militância e o nosso corpo para exigir justiça”, disse Lorena Lua do Coletivo JuntAs durante a manifestação.

Mulheres indígenas de todo o Brasil se manifestaram pelas redes sociais. elas exigem a visibilidade do caso para denunciar violações. Na tarde do último domingo (29/11), ocorreu uma manifestação organizada pelo coletivo “Justiça por Ana Beatriz”, em Parintins (AM).

Ato em defesa da vida das meninas indígenas / Foto: @juntasmg

Toda solidariedade ao Povo Satere-Mawé! #JustiçaPorAnaBeatriz


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