Imagem: Mosaico Catarinas

“Luta das mulheres periféricas do Sul” é tema de programação do SESC Brasil

Postado em 30/11/2020, 16:52

Rede Sesc promove dois dias de transmissão de vídeos com falas de mulheres de movimentos sociais do Sul e Sudeste do país.

Nesta terça-feira (1) o SESC Brasil promove a transmissão de vídeos da série “Pautas Sociais: Rota Sul”, que nesta edição traz o tema “A luta das mulheres periféricas do Sul”. A abertura ocorre às 15h propondo a reflexão: “Qual a luta das mulheres periféricas do Sul?”. Entre as quatro participantes convidadas para essa primeira exibição está a diretora da Associação Portal Catarinas, Cauane Maia, doutoranda em Antropologia Social pela UFSC, e integrante da banda Cores de Aidê. Gravadas e editadas, as falas serão apresentadas em formato de documentário. Excepcionalmente, neste ano, a série de palestras da programação “Pautas Sociais: Rota Sul” acontece de forma on-line, em função da pandemia da Covid-19. Essa é a primeira edição a abordar as mulheres do Sul do país.

Acompanhe no canal do Youtube do SESC Brasil.

Na quinta-feira (3), o Pautas Sociais destaca a Rota Sudeste, com o tema “A importância das tecnologias sociais em contexto de crise”. A proposta é contextualizar questões políticas e sociais para conceituar tanto a noção de tecnologia social quanto a de crises sociais decorrentes das desigualdades vivenciadas nas comunidades vulneráveis. 

O Pautas Sociais Rotas se destina a dar visibilidade às questões sociais e seus agentes de transformação, bem como às dinâmicas e iniciativas criativas das comunidades periféricas, no enfrentamento às demandas emergenciais mediante a pandemia da Covid-19.

“Buscaremos visibilizar a importância das mulheres para as lutas de cada território, mas também as desigualdades de gênero a serem dirimidas e a problematização da construção da imagem da mulher do Sul do Brasil, muito referenciada por uma branquitude imigrante que acaba por aniquilar as diversidades étnico-raciais da região devido à criação de um padrão hegemônico e colonizador”, afirmam as integrantes da equipe de Desenvolvimento Comunitário do SESC Nacional.

PROGRAMAÇÃO – 1/12 – Rota Sul

15h – Abertura – “Qual a luta das mulheres periféricas do Sul?”.

Palestras com abordagem sobre importância das mulheres para as lutas de cada território, a tensa relação com a imagem para a qual as mulheres do Sul historicamente foram submetidas e as possibilidades de criação de novos caminhos. Trata-se de uma programação estritamente feminina e que possibilitará a exposição de um outro sul do país.

Palestrantes:
Juliana Chagas da Silva Mittelbach (PR) – enfermeira no setor de quimioterapia de alto risco do Hospital das Clínicas da UFPR, mestranda no Programa de pós-graduação em Saúde Coletiva na linha de políticas públicas na UFPR, militante dos movimentos sociais relacionados a questões de feminismo e igualdade racial no Paraná.

Cauane Maia (SC) – Doutoranda em Antropologia Social pela UFSC, colunista do Portal Catarinas e integrante da banda Cores de Aidê.

Alice Martins Guarani (RS) – Ativista interseccional, atuando no movimento antirracista (RMN-PR), feminista (MMM), sindical (Sinditest PR) e no controle social (CONSEPIR PR). Pesquisadora sobre saúde da população negra e racismo institucional no programa de pós graduação em saúde coletiva da UFPR. Enfermeira trabalhadora do Hospital de Clínicas da UFPR.

Comentadora: Mariana Ferreira (RS) – roteirista, diretora, produtora de audiovisual, uma das fundadoras do Coletivo Macumba Lab, grupo que luta pela democratização do setor no estado.

16h15 – Microfone aberto: relatos de mulheres do Sul

Mulheres de vários lugares do Sul, moradoras de comunidades, falam sobre a dinâmica da periferia frente à pandemia e sobre ser mulher, especialmente na região Sul.

16h30 – Relato de Vivência: Mulheres na agroecologia como alternativa de vida com o coletivo Pitanga Rosa (SC)

Imagem: divulgação

Vídeo que mostra o trabalho da Associação Pitanga Rosa, Coletivo de Mulheres da região oeste catarinense que desenvolve práticas, ações e projetos envolvendo a preservação de sementes crioulas para o cultivo e processamento de plantas medicinais, conscientizando sobre a importância da alimentação saudável e o uso da fitoterapia como alternativa para melhoria da qualidade de vida e preservação da biodiversidade.

16h45 – Relato de Vivência: A tradição do Sagrado Feminino dos povos Guarani (SC)

Conversa com a líder da aldeia Yynn MorotchtiWherá, Celita Djatchuka, sobre assuntos relacionados ao papel da mulher na cultura Guarani e o momento de transição, de menina para mulher, com seus rituais e aprendizados. O vídeo foi produzido através do Instituto Fontes, entidade sem fins lucrativos que atua na Grande Florianópolis e tem uma forte ligação com a aldeia Indígena Guarani.

Imagem: divulgação

17h15 – Relato de Vivência: Aquilombamento Feminino com Coletivo Quilombelas (RS)

Coletivo formado por Ana Carolina Silveira, Helena Meireles, Janaina Barbosa e Vanessa Félix, professoras negras da EMEF Senador Alberto Pasqualini, situada em Porto Alegre (RS), que tem como objetivo criar dispositivos de intervenção nos espaços e tempos da escola, partindo das discussões sobre negritude e seus atravessamentos políticos, subjetivos, coletivos, identitários e de diferenças. Se constituiu em um aquilombamento de professoras negras cotistas com a proposta de gerar dentro da escola um movimento espiralar que atinja colegas, equipe diretiva e funcionários para a implantação da lei 10.639/2003.

17h30 – Verdades Declamadas (PR)

Apresentação musical e poética da poeta Diva Ganjah, com a participação da DJ Paola Spena, que retrata o cotidiano das mulheres da periferia do Paraná, as lutas pelos direitos básicos, além das violências sofridas desde meninas, sexuais, de raça e de equidade de gênero.

Diva Ganjah é natural da cidade de Araucária (PR) e militante do movimento feminista pelos direitos humanos e dos trabalhadores. DJ Paola Spena é fundadora do coletivo 10ContaMina.

PROGRAMAÇÃO – 3/12 – Rota Sudeste

15h – Abertura – “Qual a importância das tecnologias sociais para o combate das crises?”.

Considera-se tecnologia social todo produto, método, processo ou técnica criado para solucionar algum tipo de problema atendendo quesitos de simplicidade, baixo custo, fácil aplicabilidade e impacto social. Nesta programação, lideranças comunitárias falam sobre o uso dessas tecnologias sociais em contextos de crise e sua importância estratégica para a subsistência dos moradores de comunidades vulneráveis.

Participantes:
Thara Wells Corrêa (SP) -. Presidenta da Associação de Transgênero de Sorocaba, Promotora Legal Popular de 2017, conselheira no Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.

Jardson dos Santos (Paraty- RJ) – Nascido, criado e ainda morador da comunidade caiçara da Praia do Sono, em Paraty (RJ), foi um dos fundadores do Fórum de Comunidades Tradicionais de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba e participa de articulações nacionais dos povos caiçaras do Brasil.

Ricardo Fernandes (RJ) – ativista, ator e pesquisador da Cidade de Deus (RJ). Seu trabalho se concentra em abordar a desigualdade urbana no Brasil, especialmente no que diz respeito à raça, pobreza, juventude e drogas. Ele também co-dirige a ONG Os Arteiros, e é coordenador do coletivo FrenteCDD, um grupo de ajuda mútua que trata dos impactos imediatos da pandemia Covid-19 na Cidade de Deus.

Samuel Caetano (MG) – representante do Centro de Agricultura Alternativa, coordenador do Eixo de Povos e Comunidades Tradicionais do Centro de Agricultura Alternativa (CAA) do Norte de Minas, historiador, representante do povo Geraizeiro no Conselho Nacional e Comissão Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais. Natural de Montes Claros.

Comentador:

Ailton Krenak – ativista indígena da etnia Krenak, fundou em 1988 a União das Nações Indígenas e em 1989 o movimento Aliança dos Povos da Floresta. Atualmente, dirige o Núcleo de Cultura Indígena, na Serra do Cipó, MG. É jornalista e escritor, com livros e artigos publicados em diversas línguas, além do português.

16h15 – Relato de vivência: Agricultura Familiar nas Comunidades Tradicionais (Paraty- RJ)

Janis Jesus de Oliveira é mulher, negra, nascida e criada no bairro zona rural Pedras Azuis no município de Paraty e atuante do movimento Agricultura familiar do produtor rural no município. Há três anos fundou a empresa “Doces da Morena” e desde então vende e faz trocas com outros agricultores de suas compotas e geleias, frequentando feiras e oferecendo seus produtos para turistas, sua principal fonte renda.

16h30 – Forças das Gerais: Tecnologias de impacto social nas comunidades

Com o objetivo de visibilizar as forças e potências das comunidades, convidamos três representantes de instituições parceiras da Rede Sesc Ação Comunitárias de Contagem (MG) : AMOMP, Circuito Inclusivo e Mulheres do Rosário. Em um bate-papo com conteúdos inspiradores, foram compartilhadas ferramentas de impactos sociais capazes de transformar e desenvolver territórios e a realidade local, visando superar cenários de exclusão, desigualdade e vulnerabilidades.

Helenice Araújo – fundadora e coordenadora do Grupo Mulheres do Rosário – Ibirité, desenvolve junto ao grupo diversos trabalhos de fortalecimento e empoderamento com mulheres da região.

Debora Batista – fundadora do Circuito Iinclusão, que busca disponibilizar o lazer e atividades inclusivas para todas as pessoas com deficiência e suas famílias.

Mailda Lima – Assistente Social, atua há 4 anos no terceiro setor e possui grande experiência em gestão nos setores público e privado.

17h – Vídeo Comunitário do Quilombo do Campinho (Paraty-RJ)

Lugar de música, artesanato, culinária e história, o Quilombo do Campinho da Independência, no município de Paraty, é uma comunidade exemplo de uso e apropriação das tecnologias sociais em favor do desenvolvimento comunitário. Neste vídeo, jovens contam como foi a readaptação à rotina no momento da pandemia. O cinegrafista e editor Fábio Martins, morador do Quilombo, captou imagens da vida na comunidade e depoimentos que trazem uma perspectiva da realidade no local.

17h15 – Performance artística com As Despejadas (SP)

Formado por Vitória Silva, Lídia Martiniano e Nataly Ferreira, o grupo musical As Despejadas é um grito pela liberdade e reconhecimento das minorias.

17h30 – Encontro da juventude em desenvolvimento comunitário (RJ)

Vídeo que mostra a articulação de jovens e a força dos coletivos, que utilizam ferramentas para falar sobre as pautas e demandas sociais características de suas regiões em meio a pandemia. “Becos, histórias e caminhadas’ traz para a internet a visão de jovens artistas periféricos e como enfrentam essa nova etapa, mostrando a importância do direito a arte e como a abordam dentro de suas comunidades. Com diversas linguagens lembram de suas resistências e como podem ser plurais.

Richard Oliveira – NK – artista, poeta e produtor voltado ao segmento Rap. Participa do Coletivo Ponto de Luz, uma organização de apoio aos jovens do município de Teresópolis, e é parceiro da Afronasa.

Juan Carlos – produtor executivo e mestre de cerimônias de batalhas de rap no município de Teresópolis. Apresentador de reacts do Afronasa, produtora fundada por ele e por profissionais do ramo da música urbana com a perspectiva de dar oportunidade aos negros periféricos para apresentar seu trabalho a sociedade.

Nilda Andrade – articuladora sociocultural no Complexo do Alemão, atua nas áreas de artes cênicas e desenvolve ações artísticas e socioeducativas em comunidades por todo Rio de Janeiro junto com o grupo teatral Contra Bando de Teatro e Outras Patifarias, formado por atores do Alemão, o qual coordena.

Maria Oliveira -Começou no teatro aos 13 anos através do grupo cultural Afroreggae, e foi uma das fundadoras do ContraBando. Realiza oficinas de teatro infantil no Complexo do Alemão e já participou de várias instituições como o CRJ, Oca dos Curumins, EDUCAP.

Programação paralela

Encontro: Juventudes do Alemão e suas expressões

Por Nathalia Campos de Souza Menezes, uma descoladora de ideias do Complexo do Alemão, comunicadora, produtora, publicitária e fotógrafa.

A mostra retrata a juventude do Complexo do Alemão como protagonista. Através de suas vivências, circulando pela favela e colaborando com algumas instituições e indivíduos, Nathalia registra as expressões de jovens que iniciaram sua trajetória em projetos na favela, despertando e desenvolvendo seus talentos. O conceito e a composição desses cliques serão: favela, fotografia, juventude, tecnologias sociais.




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