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Foto: Sérgio Vignes

Jornalista Márcia Feijó lança primeiro livro de ficção: “Nove histórias errantes”

Postado em 30/11/2021, 12:01

Coletânea reúne nove contos instigantes com protagonistas femininas e universais, ilustrados por artistas de Florianópolis.

A guerreira Kokoro passou a vida lutando pela sua tribo, porém um chamado a recorda de sua própria jornada de descoberta. Oku Anya é uma pantera-mulher de olhos vibrantes que chora lágrimas de fogo. Maya é enterrada pelo marido em uma cova funda, com três véus, e renasce regada por sua tristeza e choro. Essas personagens femininas instigantes emergem das páginas de “Nove histórias errantes”, primeiro livro da jornalista gaúcha que vive em São José (Santa Catarina) há 27 anos, Márcia Feijó.

Publicada pelo Estúdio Semprelo, com ilustrações de Bruno Barbi, Carina Santos, Osmar Yang e Serge Kabongo, a coletânea de pequenos contos tem lançamento no próximo dia 1º de dezembro, às 19h30, no Ponto. Bar & Piadina, no Centro de Florianópolis.

As nove histórias foram criadas durante os trajetos a pé da casa de Márcia até o novo trabalho dela durante a pandemia. Apesar dos mais de 20 anos de trânsito no jornalismo escrito, como repórter e editora na área cultural com passagens pelo Jornal Pioneiro (RBS) e dezoito anos de atuação no Diário Catarinense, e também como assessora de imprensa, os contos foram gestados primeiro mentalmente nessas caminhadas e só depois de prontos ganharam o papel.  

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Capa do Livro contém ilustrações de Carina Santos

Por isso, os textos têm como característica marcante a oralidade, que segundo Márcia vem do hábito de compartilhar histórias, presente na sua trajetória de vida e também comum nas famílias afrodescendentes como a dela.

“Eu ia todos os dias, principalmente no caminho de ida, pensando em pedaços da história. Era como se essas personagens me contassem suas histórias dentro da minha cabeça e como se eu estivesse contando para mim mesma”, explica.

Outro aspecto dos contos é a universalidade. Os nomes das personagens, com origem em outras línguas, principalmente africana, como Kokoru e Akilembé, e também hispânica, como Esperanza, reforçam esse caráter. “O que eu queria com esses nomes era ‘des-situar’ daqui, colocar num lugar distante, porém que pudessem ser mulheres do mundo”, complementa, sobre essa identificação universal que se cria com as personagens e suas narrativas.

O errante do título refere-se ao próprio ato de caminhar e também às sagas das protagonistas da obra, que partem para encontrar o que procuram ou se encontrar, como pontua a jornalista Rafaela Giordano, que assina a apresentação na orelha do livro: “arriscam dar o próximo passo, usam os recursos que têm, mesmo que seja um choro de desabafo ao fim do dia, para manter-se em movimento na direção do que acreditam”.

Vivências e aprendizados pessoais

Ao completar 50 anos em 2021, Márcia explica que o livro é um presente para si mesma, que mostra pela primeira vez seus textos ficcionais, distante do ofício do jornalismo.

“Publicar tem a ver com a minha revisão de vida e meus aprendizados recentes. Muito dessas minhas buscas está refletido nas buscas dessas personagens também e muito das minhas vivências dos últimos cinco anos tem a ver com elas”.

Márcia também é graduanda do curso Letras-Francês na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Recentemente, participou da coletânea de poemas “Retintas – Quando os pretos e as pretas tiram seus poemas das gavetas”.

A edição de “Nove histórias errantes” ficou a cargo do escritor e editor Fábio Brüggemann, cujos textos semanais publicados no Diário Catarinense Márcia editava. A publicação tem o selo da Estúdio Semprelo, editora nova, porém já com oito títulos no catálogo.

Os ilustradores foram escolhidos por afinidade e admiração pelos trabalhos, porém todos ficaram livres para transpor suas leituras às protagonistas. Assim, Bruno Barbi, conhecido por seus retratos espalhados por Florianópolis de personalidades negras, ilustra a história de Esperanza, que é um conto das ruas, como define Márcia. Osmar Yang empresta traços mais orientais à aquarela da história “O Lugar do Silêncio”, enquanto o congolês Serge Kabongo desenhou a imponente guerreira Kokoru. Carina Santos ilustra o conto “A Planta”, que teve parte do desenho transposto para a capa do livro.

SERVIÇO:

Lançamento de “Nove histórias errantes”, de Márcia Feijó

Quando: 1º de dezembro, às 19h30

Onde: Ponto. Bar & Piadina, rua Victor Meirelles, 138, Centro, Florianópolis

Quanto: R$ 30 (preço de lançamento); R$ 45 (pós lançamento)

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