Obra de Camila Sena.

Conversa Avessa: artistas feministas debatem sobre violência doméstica

Postado em 27/11/2020, 15:25

Essa é a quarta edição do Conversa Avessa, uma publicação que une poema, artes visuais e ativismo para abordar práticas cotidianas que retroalimentam a violência contra as mulheres. Foi construído a partir de um chamado feito pela Abrasabarca a poetas e artistas visuais.

Camila Sena, Amara Moira, Juliana Locatelli, Luna Vitrolira e Aline Oliveira são as artistas convidadas desta quarta edição do Conversa Avessa, suplemento mensal sobre violência de gênero organizado pela coletiva Abrasabarca, e publicado pelo Portal Catarinas.

Leia a terceira edição!

Nesta publicação, o Conversa Avessa traz o poema “Genitadura”, de Amara Moira, no qual a escritora aponta que gosto não só se discute como também é uma construção social. Confira um trecho abaixo:

“gosto que vê cor
que vê corpo
gosto que genitaliza
que pisa em quem não se encaixa
em quem não quer caixa alguma
gosto que nos foi imposto
anos e anos”

Já Luna Vitrolira revela as faces da violência doméstica encoberta no cotidiano pela crença no amor romântico. ” (…) o amor às vezes é isso/ uma panela de água fervendo/ no rosto de alguém querido/ às vezes esmola/ às vezes migalha”, traz trecho da poesia.

Leia o suplemento!

As ciladas do amor romântico também são debatidas em “Sem Sal”, de Aline Oliveira. O mito da salvadora que acaba perdendo a si mesma em detrimento da pessoa que ama é desenvolvido ao longo da poesia. “Fiz tudo o que pude pra tentar te reerguer/ E no meio do caminho me soterrei/ Servi de adubo pra tu crescer em mim”, diz.

A publicação conta ainda com as obras visuais de Camila Sena e Juliana Locatelli .

Obra de Juliana Locatelli.

CONHEÇA AS ARTISTAS CONVIDADAS:

Camila Sena é de São Paulo, tem formação em Design Gráfico e especialização em História da Arte. Adora ler e é fascinada pelos autores Edgar Allan Poe e Júlio Verne. Ama desenhar e os trabalhos dos grafiteiros brasileiros são de grande inspiração nos seus desenhos. No momento está apaixonada por bordado livre.

Amara Moira é travesti, feminista, doutora em Teoria e Crítica Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – com tese sobre a indeterminação de sentidos no “Ulysses”, de James Joyce. É também autora do livro autobiográfico “E se eu fosse puta”.

Juliana Locatelli tem 22 anos, é lésbica, estudante de Moda na Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC). É também artista colaborativa no perfil @velcra.rte, no qual ela e a amiga Aline Oliveira expõem seus sentimentos, enquanto mulheres e lésbicas, em forma de arte.

Luna Vitrolira é escritora, compositora, atriz, performer, agitadora cultural, professora de Literatura Brasileira, pesquisadora da poesia de tradição oral do Nordeste, produtora/idealizadora dos projetos de circulação nacional: De repente uma glosa e Estados em poesia. Publicou o livro “Aquenda – o amor às vezes é isso” e participou em várias antologias, dentre as quais, destaca “Golpe, Antologia Manifesto”.

Aline Oliveira nasceu em Florianópolis e é uma mulher lésbica de 21 anos de idade. Trabalha com fotografia e é estudante de Psicologia e Antropologia. A poesia apareceu para ela como uma forma de se compreender e se expressar. Escreve sobre e para mulheres. Em conjunto com a amiga Juliana Locatelli está trabalhando na criação do @velcra.rte .

POÉTICAS DA CONVIVÊNCIA

A parceria entre Abrasabarca e Portal Catarinas começou há quatro meses com a série “Poéticas da convivência” que integra poemas sobre a rotina e reflexões suscitadas pelo isolamento social. A ideia de elaborar um suplemento inicialmente sobre a violência doméstica por meio da linguagem poética foi motivada pelo aumento da vulnerabilidade das mulheres durante a quarentena.

“A nossa dinâmica de criação passa pela escuta, pergunta lançada, saraus públicos em comunidades. A coletiva tem essa caraterística de agregar, compartilhar, e o exercício da poesia, escrita, passa por isso, então tem muito a ver com o que acreditamos, esse é mais um espaço para escuta, assim como a série Poéticas da Convivência”, afirma Lu Tiscoski, também da coletiva.

monitoramento nacional da violência doméstica feito colaborativamente entre o Portal Catarinas em parceria com quatro mídias independentes também contribuiu para expandir o tema à narrativa poética.

A Abrasabarca surgiu de reuniões informais para ler poesias entre colegas da pós-graduação em Literatura da UFSC. Desde 2015, essas mulheres se integram na coletiva, articulando saraus, produção de publicações, como o “Abrasabarca”, em 2018, e o “Revoluta”, em 2019, além da participação no programa Quinta Maldita que promove saraus e outras ações culturais. Leia as colunas dessas poetas no Catarinas.

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