Coletivo lança manifesto #EleNão poéticas combativas ao inominável

Postado em 24/10/2018, 10:46

Elisa Lucida, Margareth Menezes, Daniela Mercury, Márcia Tiburi, Zélia Duncan estão entre as artistas e pensadoras que deixaram seus escritos no manifesto político-poético “#EleNão – Poéticas Combativas ao Inominável”, que acaba de ser lançado. Desenvolvido pelo Coletivo Poecrática, o material em formato de e-book  protesta contra a figura do candidato à presidência da República que promove discurso de ódio, e faz uma homenagem ao Mestre Moa – assassinado em Salvador por um eleitor desse candidato.

“São tempos difíceis para sonhadores, mas apesar disso resistimos e por conta disso reexistimos, afirmando por meio da arte o nosso posicionamento político. #EleNão – Poéticas Combativas ao Inominável é um manifesto político-poético em formato digital e gratuito, distribuído pelo Coletivo Poecrática. Uma coletânea de escritos contra os avanços do fascismo no Brasil”, dizem as/os integrantes do coletivo.

Segundo as/os 15 integrantes, elas/eles seguem “a tradição da arte como reduto da resistência e da transformação social”. São elas e eles: Savio Andrade, Pareta Calderasch, Alex Simões, Bruno Machado, Heder Novaes, Léo Nogueira, Maria Kammily Campos, Sandra Simões, Sandro Sussuarana, Ísis Valentini, Alex Simões, Emmanuel 7Linhas, Flávia Maria, Heder Novaes e Lana Scott.

“Este livro-manifesto é, sobretudo, um grito de coragem, uma fala de um grupo diverso que abarca as minorias atacadas pelo inominável. Clamamos por democracia, clamamos pelo Estado verdadeiramente laico, clamamos por respeito. Os nossos direitos não estão estabelecidos se não usufruímos deles. Este livro é um uso completo da liberdade de expressão, tacitamente calada nestes tempos sombrios. Precisamos estar juntos. #MoaVive em cada um que carrega a sua postura de enfrentamento diante do fascismo e em cada um que luta contra seu algoz. Nas trincheiras da poesia”, diz trecho da apresentação.

“Nós é que sabemos quanto sangue das nossas famílias, do nosso povo, das pessoas conhecidas, dos nossos amigos, já foi derramado por causa da violência, de armas nas mãos de pessoas incautas. Eu tô aí. Tô nessa luta também”, trecho de Margareth Menezes.

“Escrevo estas linhas, me sentindo um galho dele que brotou. É verdade, poetas, jamais deixaremos de ser frutos
do que o Mestre semeou”, trecho de Elisa Lucinda.

“Somos artistas; jovens, velhas, fabulosas e feministas. Somos arteiros; musicistas, donos de casa, empresárias e cozinheiros. Somos a sombra da voz da matriarca da Roma negra, somos a luz de Tieta, somos Marias e Clarices e nossos versos são escopeta. Somos atores do hoje, autores do amanhã. Somos atrizes, atrozes vítimas, guerreiras da paz, algozes do medo. Atravessamos atlânticos, entoamos cânticos, inconformados, violentamente pacíficos.
Gozemos! Oremos! Compomos, logo lutamos. Resistimos, por isso existimos. Não temos tempo de temer a morte. Somos a lucidez na demência, somos contra esse discurso de violência. Somos a liberdade que rompe a ignorância,
somos contra o discurso de intolerância. Somos corpos dóceis em revolução, amor eclodindo em ira; somos erupção. Somos pássaros, manchetes, estrelas, poeira; somos o mundo, a Terra inteira dizendo: – Ele não!
Somos poetas, as almas da festa e é por democracia que viemos por meio desta”, definem-se o Poecrática.

Acesse a publicação aqui.

Palavras finais (Zélia Duncan)
Meu sangue doce anda salgado
De lágrimas e de suor
Sangro e luto
Nenhuma dor, nenhum medo,
Vai me tirar de mim
Vai me empurrar pro armário
Do seu recalque azedo
Meu coração tem mais munição
Que o seu fuzil
Minha arma não é bruta
Sapatão, freira ou puta
Nasci mulher, nasci na luta!
Minha arma não é bruta
É finita, porque humana
É infinita porque ama
Minha arma é arte
Minha arte é cama
Ela tem cores, gozos, saberes, sabores
Minha arte tem corpo, desejo, vontade
Minha arte reza pra terra
Mergulha em melodias
Minha arte canta, pinta, dança todo dia
Minha arte dá ao mundo as mãos
Fica junto, embala, se oferece
Minha arte se esfrega, se entrega, te entorpece
Minha alma não é bruta
Sapatão, freira ou puta
Sempre mulher, sempre na luta!

 




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