Lançado recentemente, o curta de ficção terá duas sessões gratuitas em Florianópolis/Foto: Kamila Novaes

Baile traz a história de uma menina negra que vive na periferia de Florianópolis

Postado em 20/09/2019, 14:43

“A galeria dos ex-presidentes da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, repleta de retratos de homens – homens brancos, melhor dizendo. Desde a primeira vez que eu vi fiquei impactada com o peso de tanto simbolismo e sabia que precisava fazer algo com isso, então guardei numa caixinha especial na memória onde eu mantenho vivas certas cenas vistas ou imaginadas, para que um dia quem sabe ganhem uma história. Em torno disso, criei a protagonista Andrea, menina negra de nove anos que vive com sua mãe e sua bisavó, que precisa de cuidados extras por sofrer de Alzheimer. A história é sobre um dia na vida delas e nesse dia a menina terá um passeio escolar para o centro da cidade, onde visitará a Figueira e a ALESC. Há dias que nos amadurecem mais e esse é um deles na vida de Andréa, mesmo que ela ainda seja muito nova para perceber”, relata a diretora Cíntia Domit Bittar, 32 anos, sobre o seu mais recente trabalho, o curta Baile. A estreia nacional ocorreu, neste mês, em São Paulo no 30º Festival Internacional de Curtas-Metragens, onde foi um dos dez preferidos do público e ganhou o prêmio de aquisição do Canal Curta!/Porta Curtas.

A produção terá duas sessões em Florianópolis, nesta sexta (20), às 19h, no salão principal da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC) e no domingo (22), às 19h, no Cinema do CIC, dentro da programação do Cineclube UNISUL. Integrantes da equipe e parte do elenco estarão presentes para uma conversa após a sessão. Importante destacar que o filme está acessível em Libras, LSE e audiodescrição.

“A nossa Assembleia Legislativa é uma locação do filme e de uma cena bastante importante, logo essa sessão terá um clima de instalação também. Será no saguão principal, entre a galeria dos ex-presidentes e o plenário”, destaca a diretora.

Na galeria das/os deputados, o encontro da protagonista com a única deputada negra da história do estado, Antonieta de Barros/Imagem: frame do filme

“Há dias que nos amadurecem mais. Andréa tem só dez anos e talvez ainda não perceba que seu dia foi assim”, incita a sinopse do curta. Baile é um curta de ficção sobre um dia na vida de Andrea, menina que mora na periferia com sua mãe e sua bisavó, que precisa de cuidados especiais. Nesse dia, que é durante um passeio da escola pelo centro de Florianópolis, ela se dá conta de problemas muito subjetivos e determinantes, desde questões políticas, de direitos humanos, das mulheres, e da finitude da vida.

O elenco é formado por muitas estreantes, selecionadas através de convites, indicações e chamadas de seleção. A protagonista Andrea é interpretada por Emilly de Jesus que se encarregou de sozinha fazer seu vídeo e sua inscrição para o teste. “Eu gosto muito de trabalhar com crianças e nosso processo foi muito divertido e de aprendizado mútuo”, conta a diretora.

Adélia Domingues Garcia, como a bisavó, que estreia seu primeiro curta profissional já foi Miss Florianópolis da Terceira Idade. Quem também estreou no cinema foram a escritora e roteirista Adriane Canan, a atriz e ativista Elaine Sallas e a modelo mirim Giovana Valgas. Os mais experientes eram o Chico Caprário, que faz uma participação como pastor, e a Patricia Saravy, reconhecida por seu trabalho no cinema brasileiro. A poetisa Osmarina de Souza também fez uma ponta.

O filme é uma produção Novelo Filmes com roteiro e direção de Cíntia Domit Bittar. O curta foi viabilizado através do edital Prêmio Catarinense de Cinema 2018 e teve suas filmagens realizadas na cidade de Florianópolis, em Março deste ano de 2019. BAILE conta com o apoio técnico da Cinecolor Digital, Mix Estúdios, Link Digital e Mistika.

Na programação de exibições estão o 19º Goiânia Mostra Curtas, em outubro, e o Circuito Penedo de Cinema 2019, em novembro.

A diretora Cíntia Domit Bittar é sócia-fundadora da Novelo Filmes, com sede em Florianópolis/Foto: Kamila Novaes

Cíntia Domit Bittar estreou com o curta “Qual Queijo Você Quer?” (2011), com mais de 100 festivais e 50 prêmios, incluindo Melhor Curta no Festival do Rio e Júri Popular no Shnit Int’l Short Film Festival. Seus curtas que seguiram participaram e foram premiados em diversos festivais nacionais e internacionais relevantes; posteriormente, licenciados para canais como France TV, NBC Itália, Canal Brasil, History Channel, Canal Curta, Box Brasil e iTunes Store. Sócia-fundadora da Novelo Filmes, com sede em Florianópolis. Por sua contribuição ao desenvolvimento do Cinema em Florianópolis, levando em conta a fundação da Novelo Filmes e a trajetória do “Qual Queijo Você Quer?” (2011), Cíntia recebeu o Prêmio Franklin Cascaes, outorgado pela prefeitura da cidade.

 




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