Créditos: Capa de Vanessa Lima e ilustrações de miolo de Tainah Negreiros de Souza.

Guia de bolso nomeia e combate o machismo cotidiano

Postado em 20/05/2021, 11:55

Escrito pela ativista feminista Nicole Aun, obra reflete sobre a urgência do fim do patriarcado.

Escrito a partir de encontros e entrevistas o livro “Nomear para combater – Uma tentativa de organizar a raiva para virar pensamento”, da ativista feminista Nicole Aun, chega para discutir feminismo e formas de extinguir o patriarcado a partir da raiva, dos não silenciamentos, das formas de ser, estar, existir e resistir no mundo sendo mulher. O livro está disponível para venda nos e-commercers de livros do país. O lançamento oficial ocorre nesta quinta-feira (20), às 20h – aniversário da autora – e terá um bate-papo com a jornalista Maitê Freitas. Acompanhe a transmissão aqui.

A obra de 104 páginas, lançada pelo selo Atreva-se, movimento do qual Nicole é uma das fundadoras, visita autoras e autores que vão desde Davi Kopenawa a Lélia Gonzalez, passando por Silvia Federeci, Conceição Evaristo, Riane Eisler, Dorival Caymmi, Homi K. Bhabha, Ailton Krenak e Flávia Biroli. A autora evoca o fim do patriarcado a partir da construção de “espaços seguros”, depois de muita leitura e vivência através do projeto “Atreva-se: nomear para combater!”.

“Nomear para combater foi a maneira que encontrei para tentar alterar o meu modo de estar no mundo, nomear me ajuda a compreender o que está por trás do que foi normatizado ou chamado de natural. Esse livro é uma tentativa de colocar no papel o que consegui nomear até aqui, quem sabe ele encurte alguns caminhos e amplie outros! É o que eu espero”, anuncia a autora. 

Com muitos questionamentos, perguntas que se abrem ao diálogo com quem lê, indagações e rupturas, o livro é escrito da forma mais próxima possível à linguagem neutra. É um convite a olhar o horizonte das relações e acreditar no futuro que será construído a partir da organização da raiva e do engajamento de cada pessoa para nomear o mundo. 

Dividido em oito partes, o livro traz pequenos trechos, a fim de facilitar a leitura, compreendendo que a concentração anda reduzida em tempos de pandemia, que as pessoas estão com as vidas cada vez mais corridas, com demandas cada vez mais urgentes. Nicole pensou nisso: é um livro cuja leitura é mais confortável, mas não menos provocativa. 

“As oito partes que constroem o livro são como um molho de chaves que você-leitor/a vai experimentar, sentir na pele e no estômago e compreender o que se abre a cada palavra escrita/lida”, afirmou a jornalista e escritora Maitê Freitas, que assina o prefácio. 

O livro traz também capa de Vanessa Lima e ilustrações de miolo de Tainah Negreiros de Souza. A proposta é para que, ao concluir a leitura, cada pessoa sinta-se como Nicole se sente diante do mundo: com vontade de mudar agora, pra ontem! 

Sobre a autora

Créditos: Capa de Vanessa Lima e ilustrações de miolo de Tainah Negreiros de Souza.

Nicole Aun é ativista feminista pelo Movimento Atreva-se, mãe da Lina, artista de teatro, diretora artística e roteirista de eventos corporativos. Mora na roça depois de uma vida toda (ou quase toda) na paulicéia. É tudo isso, não necessariamente nessa ordem. Também é tantas outras coisas que ainda não consegue nomear. Faz da indignação seu maior motor e talvez por isso consiga passear por tantos mundos. Também porque não tirou carteirinha de nenhum clube e faz com que a luta caiba onde estiver.

A jornada de Nicole Aun através do feminismo teve início pelos livros, em uma relação, que como ela mesma conta, não é de adoração, mas de bate-papo e troca. Por isso, se arriscou no que ela chama de “brincar de escrever um”, já que gosta do livro conforme o abismo que ele a coloca e os livros de mulheres feministas a colocam, em anos de estudo, em abismos deliciosos e encantadores.

“Os livros me ajudam a criar os espaços, os vazios possíveis, para que eu consiga colocar aquilo na prática. Só para isso e mais nada que não seja isso. Não precisa ficar acumulando livro na prateleira e dizer o quanto você leu. Isso não serve para nada, só para que a gente fique se ocupando de uma coisa que é importante para o patriarcado. Nesse sentido, as teorias que leio não me servem como guias, mas como abismos. Então, tem gente que me joga mais no abismo do que outras. Eu gosto mais dessas, das que me jogam bem no abismo”, acredita.  

Serviço – O livro pode ser comprado pelo site http://www.editoraclaraboia.com.br/  

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