Arte: Festival Frente Feminina

Festival Frente Feminina celebra o Afrofuturismo e seleciona artistas negras

Postado em 16/01/2021, 11:49

Residência Artística EnCena Preta vai proporcionar intercâmbio gratuito com a artista britânica Marissa Lestrade.

Em sua segunda edição, o Festival Frente Feminina (FFF) abre inscrições gratuitas até 24 de janeiro para a Residência Artística EnCena Preta: afetividades, ancestralidades e brasilidades em narrativas performáticas. A residência será realizada virtualmente, de 08 a 22 de fevereiro, com patrocínio do Programa Pontes, uma parceria do Oi Futuro e British Council que promove conexões e trocas com artistas do Reino Unido.

Leia o regulamento e acesse a inscrição.

A convidada Marissa Lestrade é dramaturga, diretora de teatro e de séries da Netflix, entre outras plataformas. “Vamos fazer uma conexão do Brasil com a Inglaterra, unindo 20 mulheres negras de todo o país com a artista britânica Marissa Lestrade, que tem um trabalho engajado com meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade na África”, celebra Larissa Mauro, curadora da Encena Preta com as atrizes Mariana Nunes e Shirley Cruz.

Idealizado por Larissa e pelas artistas brasilienses Anna Marques e Catarina Accioly como um festival voltado para mulheres artistas de Brasília, este ano o FFF assume como conceito temático o Afrofuturismo, que dialoga com a ideia do corpo negro no futuro. “Nesta edição, queremos celebrar os corpos e vozes das artistas negras do nosso país. Isto ajuda a resgatar a ancestralidade africana dessas artistas relacionando com o que significa ser artista negra no Brasil”, define Larissa.

“O nosso povo foi capturado no continente africano e, desde então, lutamos contra toda forma de opressão. Ser mulher negra no Brasil é ter esse ato permanente de resistência e rebeldia. Lutamos contra o racismo que é um mal a ser superado e combatido, não apenas pela população negra, mas por toda a sociedade porque é um mal social, assim como o machismo deve ser combatido por todos”, afirma Givânia Silva, liderança quilombola, em entrevista ao festival.

Pluralidade da artista negra brasileira

A 1ª edição contou com seis dias de programação de espetáculos dirigidos e protagonizados somente por mulheres brasilienses, além de uma ficha técnica quase 80% feminina.  Desta vez, serão escolhidas 10 artistas de Brasília e mais 10 de outros estados do Brasil. “Será um desafio realizar essa edição virtual, mas estamos otimistas pelo alcance que a internet pode proporcionar. Esta edição vai celebrar o (re)encontro de mulheres negras geograficamente distanciadas pela diáspora – e, agora, pela pandemia”, reflete.

Além disso, acrescenta, “queremos que essas 20 artistas possam representar a pluralidade e diversidade da artista negra brasileira. Por isso, estamos chamando artistas de comunidades urbanas e rurais. Queremos chegar às artistas das periferias, favelas, povos de terreiro, da floresta, comunidades quilombolas, assentadas da reforma agrária, em diferentes estados. Queremos mostrar a potência da cena artística negra do nosso país pelo olhar da mulher”.

As inscrições gratuitas estão abertas até 24 de janeiro no site do Festival Frente Feminina www.festivalfrentefeminina.com.br. Podem se inscrever artistas negras, cis ou transexuais, a partir de 18 anos, do teatro, performance, dança, música, audiovisual, circo, palhaçaria ou linguagens correlatas às artes performativas. Na residência haverá tradução simultânea para o português.

O resultado editado e finalizado de cada uma das artistas vai integrar a programação do 2º FFF, que acontecerá em quatro finais de semana de março (dias 06, 07, 13, 14, 20, 21, 27 e 28), mês de celebração da luta pelos direitos das mulheres.

Quem é Marissa Lestrade

Dramaturga, diretora de teatro e audiovisual e facilitadora de metodologia de levantamento de conteúdo autoral para empoderamento de meninas e mulheres advindas de áreas de vulnerabilidade.

 

 
 
 
 
 
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Desenvolveu e escreveu variadas séries de drama televisivo para Netflix, Channel 4, Fox e BBC, mas está mais orgulhosa de seu trabalho com ONGs internacionais que desenvolvem e escrevem drama que capacita mulheres e meninas. Ela passou sete anos trabalhando no projeto Girl Effect, na Etiópia, para desenvolver, escrever e dirigir oito séries do drama de rádio “Yegna”. Essa obra foi consumida por 8,5 milhões de pessoas e ganhou prêmios de Melhor Drama.

Marissa trabalhou em papéis semelhantes com a Purposeful Productions na Serra Leoa, Good Business no Botswana e em Gana e, com o aporte do British Council, na Tanzânia. Trabalhou com atrizes/atores escritores e jovens para criar histórias que ampliam vozes autênticas e realistas, a fim de capacitar, inspirar e transformar a vida de mulheres e meninas.

Sobre o Programa Pontes

O Programa Pontes é fruto da parceria entre Oi Futuro e British Council, com o objetivo de oferecer novas alternativas de fomento aos festivais brasileiros e de promover a produção artística do Reino Unido no Brasil. Partindo de um modelo inovador, baseado na colaboração institucional, o programa une a expertise do Oi Futuro na gestão de editais de seleção de projetos culturais e a experiência do British Council na formação de redes internacionais de artistas e especialistas. O programa é realizado com financiamento direto das duas instituições, de forma que os projetos não precisam estar inscritos em leis de incentivo à cultura, podendo inclusive beneficiar projetos de estados que não são contemplados por essas leis. Os festivais foram escolhidos para o benefício por serem importantes veículos de acesso à cultura e de estímulo à economia criativa local.

Nas duas primeiras edições do programa, em 2018 e 2019, 20 festivais de diversas regiões do Brasil, foram contemplados e receberam aporte financeiro para incluir residências de criadores britânicos em suas programações e promover o intercâmbio cultural, contribuindo para a formação de redes internacionais nas artes e troca de experiências.

Ser mulher já é exercício de resistência […] E ser mulher negra isso se amplia, porque o Brasil não abriu mão da cultura da dominação, do patriarcado, e isso reflete muito fortemente na vida das mulheres negras. Isso não quer dizer que nós mulheres negras não entendemos esse cenário, ou não lutamos contra ele. Costumo dizer que somos o segundo movimento social, seguido dos povos originários.

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