Ireno Nelson Pretzel de 65 anos estava foragido da justiça desde setembro do ano passado. (Foto: Polícia Civil do RS)

Feminicida confesso da médica Lúcia Regina é preso no Rio Grande do Sul

Postado em 14/04/2021, 16:56

Ireno Nelson Pretzel de 65 anos foi preso nesta quarta-feira na casa onde estava morando junto a uma nova namorada em Arroio dos Ratos, interior do RS. O réu estava foragido desde setembro do ano passado quando a justiça de Santa Catarina mandou prendê-lo novamente

O feminicida confesso da médica Lúcia Regina Gomes Mattos Schultz foi preso nesta quarta-feira (14), no município de Arroio dos Ratos, interior do Rio Grande do Sul. Ireno Nelson Pretzel de 65 anos foi detido na casa onde ele estava morando junto a uma nova companheira. A Polícia Civil de Charqueadas soube de seu paradeiro na noite de terça-feira (13) e efetou a prisão no fim desta manhã quando o réu se preparava para almoçar.

De acordo com o delegado da Polícia Civil de Charqueadas, Marco Schalmes, a companheira de Nelson ficou em choque ao descobrir que ele estava sendo procurado pela justiça por ser autor de um feminicídio. “Ela desconhecia do fato, não acreditou na nossa história, tivemos que acessar a internet e mostrar para ela as notícias sobre o caso”, conta Schalmes.

O impressionante desse caso é a forma como Nelson escolhia a próxima vítima. Da mesma maneira que conheceu a médica através de um site de relacionamento, ele também conheceu a nova namorada por um aplicativo. Durante interrogatório na delegacia de Charqueadas, Nelson contou que conheceu a atual companheira pelo Tinder e que estavam morando juntos desde dezembro do ano passado.

Ireno Nelson Pretzel preso
Ireno Nelson Pretzel foi preso nesta quarta-feira (14) em Arroio dos Ratos, interior do Rio Grande do Sul. (Foto: Polícia Civil de RS)

A prisão do assassino se dá um ano depois que ele matou enforcada a então companheira, Lúcia Regina Schultz de 64 anos, dentro da casa de veraneio na cidade de Itapema, litoral catarinense. Em março deste ano, o Portal Catarinas publicou a reportagem “Um feminicida confesso à procura da próxima vítima” com detalhes sobre o relacionamento do casal na época e do passado tenebroso de Nelson. Quando publicada, ele ainda era considerado foragido da justiça.

Apesar da prisão em flagrante no dia do assassinato de Lúcia e de confessar o crime, Ireno foi solto pelo juiz da comarca de Itapema, Marcelo Trevisan Tambosi, três meses depois de cometer o feminicídio. O Ministério Público de Santa Catarina recorreu da decisão, em setembro do ano passado a justiça acatou o recurso e expediu mandado de prisão, mas Ireno não foi encontrado nos endereços informados. Passou assim a ser considerado fugitivo da justiça.

Diante da fuga, a polícia civil de Itapema passou a cruzar dados e informações que poderiam levar ao paradeiro de Ireno. “Estávamos na cola dele e tínhamos informação de que poderia estar na casa do filho dele em Gaspar, mas não estava. Percorremos todo o Estado e na última semana, chegou informação de que uns parentes dele de Santo Angelo e Ijuí no Rio Grande do Sul estariam lhe auxiliando”, conta um agente da polícia civil de Itapema. Diante da nova informação, a polícia civil do Rio Grande do Sul foi acionada.

Momento da chegada de Ireno Nelson Pretzel na delegacia de Charqueadas no Rio Grande do Sul. (Vídeo: PCRS)

Segundo a polícia civil de SC, uma enfermeira do posto de saúde de Arroio dos Ratos reconheceu Ireno enquanto ele recebia a vacina contra o coronavírus nessa terça-feira. A agente de saúde então acionou a polícia da região. Para a polícia civil de Santa Catarina, o êxito na prisão de Nelson faz parte da missão da polícia. “Todo esse trabalho é parte de nossa missão. Somos servidores e como tal precisamos servir, cumprindo nosso múnus público. E o mais importante: não descartar nenhuma pista. E se for preciso, refazê-la novamente. Fazer organograma, conversar com parentes, familiares, estar antenado com tecnologia. E não esquecer de se perguntar: será que esqueci algo?”, relata um agente que fez parte da investigação.

A filha da médica morta em março do ano passado, Juliana Mattos, acompanhou a investigação da polícia de perto e manteve contato com os policiais responsáveis pelo caso. “A polícia civil trabalhou dia e noite para descobrir onde ele estava. Uma vez eu perguntei pra um dos agentes já bem desanimada quando era a hora desistir e ele me respondeu que nunca!”, diz emocionada. E completa: “Eu estou sentindo gratidão, foram muitas pessoas que se juntaram e sentiram a dupla injustiça, um da morte injusta e cruel da minha mãe e segundo do desamparo estatal, um ato de soltura espontânea do juiz, então muita gente se uniu a nós, teve empatia por essa dor, torceu, trouxe informações que foram relevantes”.

Para a Juliana, a prisão de Nelson é uma maneira de salvar a vida de outras mulheres que poderiam se tornar vítimas como aconteceu com a mãe. “É um alívio muito grande, ele poderia fazer a mesma coisa com essa nova namorada, querendo ou não, a vida dela foi salva também”,  finaliza.

Nelson deve ser transferido para Santa Catarina nos próximos dias e aguardará julgamento na Unidade Prisional de Itapema.

Para a assistente de acusação, Márcia Irigonhê, a expectativa agora é de que a justiça seja feita. “Nossa expectativa é que agora, com o réu preso, o processo tenha o impulsionamento devido para que ele vá a júri e a justiça seja feita”, afirma Irigonhê.

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