Marchamos por uma vida livre de violências/Ilustração: Daniela Muller

Do campo à floresta mulheres ocupam Brasília em luta

Postado em 12/08/2019, 18:45

A luta de mulheres feministas engajadas na construção de uma nova forma de lidar com o mundo, com a vida e com o trabalho. Mulheres atuantes em prol da restauração de uma unidade perdida. Trabalhadoras e ativistas que tentam restaurar a ferida cada dia mais aberta pela ruptura moderna que dividiu o ser humano e a natureza, tornando-a recurso para a exploração. Mulheres que sabem que o modelo vivido hoje é insustentável e que sem luta a violenta destruição se intensificará nas mãos e nos mandos dos tiranos que tomam conta do Brasil. São essas mulheres que se unem diariamente à natureza por compreenderem ser parte dela. São elas que se reúnem a partir de amanhã em Brasília, na 6ª Marcha das Margaridas, para fazer frente ao poder destruidor masculinista, racista e capitalista que ameaça a nossa existência. 

O Portal Catarinas acompanha a programação das marchas que reúnem as trabalhadoras do campo, da floresta e das águas, e destaca a sua importância na denúncia deste governo autoritário, violento e destruidor, que tem constantemente ameaçado a vida humana e não-humana constituinte da sociobiodiversidade brasileira a partir de atos e discursos envenenadores. As Margaridas alertam ainda para o avanço das forças conservadoras e seu reflexo na violência sofrida por mulheres camponesas, trabalhadoras com a missão de produzir alimentos e ligadas à agroecologia feminista.

Na quarta-feira, dia 14, a 1ª Marcha Nacional de Mulheres Indígenas se soma às Margaridas trazendo as suas experiências de coletividade e de defesa histórica da terra. A mobilização das mulheres indígenas iniciou no dia 9 de agosto sob o tema “Território: nosso corpo, nosso espírito”. Elas denunciam a exploração violenta tanto das mulheres quanto da terra e suas riquezas no processo de colonização e na reprodução deste modelo até os dias atuais. A resistência e sobrevivência das tradições e da vida na floresta têm as mulheres em sua centralidade, assim como o desenvolvimento sustentável das comunidades.

São esperadas mais de 100 mil pessoas nos eventos em Brasília, que devem mostrar toda a sua potência na figura destas mulheres que resistem e enfrentam cotidianamente todos os perigos pelo futuro de toda a fauna, flora e sociedade brasileira. Nos unimos a elas nestes próximos dias, construindo a partir do jornalismo a visibilização destas pautas e apostando no aprendizado social extremamente necessário trazido pelas agricultoras familiares, camponesas, sem-terra, acampadas, assentadas, assalariadas, trabalhadoras rurais, artesãs, extrativistas, quebradeiras de coco, seringueiras, pescadoras, ribeirinhas, quilombolas, indígenas e outras identidades construídas no País.




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