Hoje, 5 de setembro, é Dia Internacional das Mulheres Indígenas e Dia da Amazônia/ Imagem: Planeta Ella

Cura da Terra: encontro Global de Mulheres Indígenas

Postado em 05/09/2020, 12:00

Hoje, neste 5 de setembro, Dia Internacional das Mulheres Indígenas e Dia da Amazônia, as mulheres indígenas de diferentes povos de todo o mundo estarão reunidas em um círculo de conversas para compartilhar reflexões, críticas, dores, sonhos e ações. Em tempos de pandemia, emergência climática, ecocídio e genocídio, elas afirmam que escolheram a esperança.

O espaço tem a intenção de colocar essas vozes no centro da narrativa em tempos de pandemia e crise climática. O encontro terá participação de lideranças de todos os continentes. Após um momento de escuta e troca de conhecimentos será realizado um ritual de cura com a participação de artistas indígenas. O evento pode ser acompanhado pelas redes sociais, tendo início às 14h com atividades até à noite pelos endereços Cura da Terra, Planeta Ella.

Conheça algumas das convidadas: Sonia Guajajara (Brasil), Nuria Gollo (Wayyu, Quênia), Adriana Guzman (Aimará, Bol), Yolene Koteureu (Nova Caledônia), Eva Fjellheim (Sami, Noruega), María Choc (Q’eqchi, Guatemala), Aida Quilcué (Nasa, Colômbia), Rufina Villa Hernández (Maseual, México),  Tsitsina Xavante (Brasil), Ada Luz Francisco (Guatemala), Monica Chub (Guatemala), Angela Cuc (Guatemala), Patricia Gualingo (Equador), Eva Fijellheim (Noruega), Nyg Kaingang (Brasil), Andrea, Lucia e Gabriela Ixchú (Guatemala), Anny Ventura Puac (Guatemala), Telma Taurepang (Brasil), Wakrewa Krenak (Brasil), Célia Xakriabá (Brasil), Kerexu yxapyry (Brasil) entre outras guerreiras.

Um espaço para conhecer, ouvir, conectar, refletir, imaginar e tecer uma rede para a vida / Imagem: Planeta Ella

CURA DA TERRA: o chamado das mulheres indígenas

“A Mãe Terra está doente, nossos povos também. Estes são tempos de pandemia e emergência climática, ecocídio e genocídio. Hoje, vivemos as consequências de um modelo econômico, social e espiritual que infectou nossos territórios e corpos. Um vírus que coloca o dinheiro acima da vida.

Em meio ao extermínio, as mulheres indígenas fazem da luta melodia, recuperamos a terra roubada, fazemos questão de celebrar a nossa existência, semeamos esperança, porque sabemos que somos a cura.

As mulheres indígenas insistem na importância de curar nossos corpos e territórios individual e coletivamente. Somos nós que semeamos o milho e semeamos a revolução, que levantamos a nossa voz na nossa língua e defendemos as florestas, lagos, montanhas, planícies, desertos e mares. Somos nós que decidimos sobre o nosso corpo e reproduzimos a vida. Somos nós que contamos histórias diante do incêndio e transformamos narrativas. Somos nós que defendemos a comunidade e habitamos as cidades porque a nossa existência é resistência. Somos nós que sonhamos e construímos um mundo onde nossas vidas importam.

Convidamos vocês a se unir aos nossos pensamentos, nossas palavras e nossas ações. Convocamos vocês para honrar a memória das nossas antepassadas e defender o futuro daqueles que ainda estão por nascer. É um chamado para curar o medo e sermos as parteiras do futuro. 

Vamos construir juntas nosso planeta ELLA, onde apostamos pela conexão entre mulheres que assumem a tarefa de ressignificar o passado, se comprometer com o presente e com todas as revoluções pendentes para cultivar o futuro.

Convidamos vocês a nos encontrar, porque somos tão diversas quanto as gotas de um rio e juntas somos a cura da terra”, convidam. 

 

O QUE É?

A Cura da Terra faz parte de uma série de encontros prévios ao ELLA – Encontro Internacional de Mulheres e Feminismos. O encontro é organizado por e para mulheres indígenas e possui dois espaços. O primeiro é um encontro entre diversas mulheres indígenas, de todos os continentes do mundo, que curam e protegem a Mãe Terra. O segundo, um ritual a partir da arte e da cultura nos conecta com outras formas de cura e convoca nossa espiritualidade.

São chamadas de ‘Cura da terra’ as companheiras dos biomas da Amazônia, Cerrado, Pantanal, Pampa, Caatinga e Mata Atlântica no Brasil. Elas fazem um apelo em tempos de pandemia contra os incêndios provocados ​​pela ganância. O círculo de conversas terá como eixos:

TERRITÓRIO

Num contexto de expansão do capital, onde o extrativismo, as invasões de terras, o desmatamento forçado pela violência, os efeitos da emergência climática e as violências estruturais exterminam a rede da vida, como curar o território?

CORPO

São os corpos das mulheres indígenas, de suas mães e avós, que resistiram às guerras de expansão do racismo institucionalizado, que mostra sua face mais cruel no patriarcado, e responde com violência à nossa cultura. Como curamos o corpo?

ESPÍRITO

Quando a monocultura do progresso e desenvolvimento coloniza os desejos. Quando os fundamentalismos religiosos infestam as comunidades e tentam erradicar o conhecimento da ancestralidade indígena, como curar o espírito?

Um espaço que convoca a curar os territórios, corpos e espíritos com canções, arte e um chamado à imaginação/ Imagem: Planeta Ella

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