Regina Nogueira, médica, é uma das criadoras do Banco Grão, o primeiro banco comunitário digital dos povos tradicionais de matriz africana . Foto: Zé Gabriel | Believe.Earth.

Regina Nogueira: tudo que é vivo tem de ser alimentado

Postado em 26/03/2018, 22:00

O cuidado e o respeito pelo ser vivo marcam a vida da médica e ativista Regina Nogueira, 56 anos, também conhecida como Kota Mulanji. Ela faz parte do Movimento Nacional pelos Povos Bantu, composto por comunidades e núcleos de resistência dessa cultura no país. Kota designa um grau na hierarquia da organização e uma função política. Mulanji quer dizer “combatente”. O nome reforça a identidade da pediatra, que é também empreendedora social e referência na saúde da população negra.

Regina é uma das responsáveis pela criação da Cooperativa dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, com sede em Porto Alegre (RS), e do Banco Grão, o primeiro banco comunitário digital dos povos tradicionais no Brasil, ambos criados pelo Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana, presidido por Regina. A cooperativa reúne empreendedores dos povos tradicionais de matriz africana para desenvolver a produção e o consumo, fomentando a economia desse coletivo.

Com residência em Pelotas, a gaúcha atua como médica plantonista em dois hospitais em São Paulo durante uma parte do mês. Na medicina há 33 anos, ela é referência na saúde pública, principalmente na atenção à população negra, com a trajetória marcada pela atuação política. Regina integrou a Coordenadoria da Mulher no Governo do Estado do Rio Grande do Sul e, em 2000, assumiu como coordenadora, período em que o estado foi o primeiro a incluir no teste do pezinho o exame de anemia falciforme, doença que atinge principalmente a população negra.

Atualmente, ela faz doutorado em biomedicina na Argentina, em que estuda instrumentos de avaliação da política de saúde da população negra no Brasil, com ênfase no Rio Grande do Sul. A inspiração para a multiplicidade de fazeres está na raiz familiar, repleta de exemplos femininos que, segundo Regina, marcam a sua identidade. “Minha avó paterna, minha mãe, também as minhas tias, todas são um pouco do que eu sou”, diz a médica, mãe de duas mulheres. Descubra mais sobre ela nesta entrevista concedida ao Believe.Earth.