Na imagem, integrantes da União Nacional LGBT (UNA LGBT) de Santa Catarina/Foto: arquivo pessoal

Nova classificação da transexualidade pela OMS diminui estigma

Postado em 19/06/2018, 14:44

A OMS (Organização Mundial de Saúde) retirou nesta segunda feira, 18 de junho, as transexualidades da lista de distúrbios mentais. É um acontecimento histórico, passados 28 anos após a homossexualidade também ser retirada como uma doença mental.

Foi apresentado a CID-11 que possui um capítulo abordando as questões relacionadas às identidades de gênero, que então se chamará “ incongruências de gênero”, apresentadas em todas as idades. A classificação anterior da CID, que significa Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, trazia muita dor e sofrimento para as pessoas trans. Era necessário, que as pessoas trans obtivessem laudo psicológico atestando a sua transexualidade, equiparada a uma doença mental. Transexualidade ficava no mesmo CID que pedófilos, trazendo muito preconceito e estigma pela sociedade.

Mas, para quem tivesse preocupação que alguns países poderiam recusar a realização de  cirurgias de transgenitalização gratuitas, como o Brasil, podem ficar despreocupadas. As transexualidades irão constar como “condições relativas a saúde sexual”, para que alguns países continuem e incentivem políticas públicas para as pessoas trans.

No Brasil, as cirurgias são realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde), com equipe multidisciplinar, em pessoas com idade superior a 21 anos. Agora, provavelmente, o Ministério da Saúde irá realizar todo um novo protocolo para a realização das cirurgias.

É uma conquista dos movimentos sociais em todo o mundo, trazendo equidade para as pessoas trans, e melhor inclusão na sociedade. Quem não ficou muito contente foram as Indústrias Farmacêuticas, e médicos que lucravam em cima desses laudos, já que muitos eram vendidos a preços exorbitantes.

Mais uma conquista dos movimentos sociais LGBTI, e que venham muitos mais.

*Mariana Franco é vice-presidenta da União Nacional LGBT (UNA LGBT) de Santa Catarina e integrante da União Brasileira de Mulheres




Mariana Franco é graduanda de Serviço Social na Universidade Federal de Santa (UFSC), colunista Catarinas, presidente da União Nacional LGBT de Santa Catarina, coordenadora da União Brasileira de Mulheres (UBM), conselheira do Conselho Estadual dos Direitos das Mulheres SC (CEDIM) e conselheira do Conselho Estadual dos Direitos da Juventude (Conjuve).
Veja a coluna da Mariana Franco