Compartilhamos as reflexões da escritora Lina Meruane, uma das maiores referências da literatura latino-americana contemporânea, durante passagem pelo Brasil neste ano:

  • “Israel vem construindo motivos para desapropriar, alienar, humilhar, assassinar e, por fim, acabar com os palestinos, exterminá-los” (Agência Brasil);
  • “Todo o projeto colonial sionista consistiu em apagar não apenas palavras. Fez desaparecer as cidades palestinas, as casas palestinas, a história palestina, os símbolos palestinos, a bandeira palestina e os palestinos, ontem e, sobretudo, hoje” (Quatro cinco um);
  • “Israel controla Gaza e o território palestino ampliado por meio da fome, do cerco, do controle do que entra e sai, do despojo” (G1).

Ela nasceu em Santiago, Chile, em 1970, período em que o país vivia a ditadura de Augusto Pinochet, que durou de 1973 a 1990. Lina começou a escrever como contadora de histórias e jornalista cultural. É autora de livros como “Las infantas” (1998), “Póstuma” (2000) e “Sinais de nós” (2025). Vive nos Estados Unidos desde 2000, onde leciona escrita criativa na Universidade de Nova York.

De ascendência palestina, em 2013, publicou “Tornar-se Palestina”. O livro chegou ao Brasil em 2019 e, neste ano, ganhou uma nova versão com prefácio do escritor Milton Hatoum e uma terceira parte inédita. Descrita como um relato híbrido que mistura crônica de viagem, ensaio político e reflexão linguística, a obra narra a ida de Lina até Beit Jala, cidade de seus ancestrais, a cerca de 10 km de Jerusalém.

“Me fez olhar com muita atenção para o presente e tentar entender o que os palestinos estavam vivenciando, tanto dentro de Israel quanto nos territórios ocupados”, explicou à Agência Brasil.

A escritora trabalha em uma nova obra sobre o cenário na Palestina, prevista para ser lançada no final de 2025. Ela faz contínuas denúncias sobre os ataques israelenses à Faixa de Gaza e destaca que eles não começaram em 2023; vêm ocorrendo há muitos anos. Lina descreve a situação como uma ocupação colonial.

“Os fundadores de Israel já diziam estar tomando uma terra sem povo para um povo sem terra. […] E é isso que dizem hoje, que os palestinos não são povo, não têm o direito de ser povo. Isso é chocantemente brutal e literal”, disse na entrevista à Agência Brasil.

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